O Teatro Amador um dos Pilares da SFOA (3)
O TEATRO AMADOR, UM DOS PILARES DA COLECTIVIDADE


Antigo Simbolo da SFOA Direção da SFOA, músicos e dirigentes, anos 30 do séc. XX
Pelo menos em duas ocasiões, a "Sociedade Filarmónica Operária Amorense" esteve em riscos de se extinguir, como já foi referido anteriormente. Foram algumas as vezes em que os operários filarmónicos tiveram de procurar trabalho fora da sua terra, na sequência de crises e greves, que entretanto se verificavam na indústria.
Já em 1916, quando ninguém conseguia pagar o aluguer do prédio ao senhorio e este quis penhorar o mobiliário e os instrumentos para saldar as dívidas, surgiu o grupo dramático "Os Incansáveis", sob a orientação do senhor Manuel Rodrigues Monteiro, que deu continuidade à Sociedade, pagando tudo o que estava em falta.
Noutra altura de perturbação, finais dos anos 20, quando da saída de muitos garrafeiros para o Porto, Figueira da Foz, Marinha Grande e a Sociedade se viu a braços com

Grupo de Teatro da SFOA "Os Persitentes"
inúmeras dificuldades, surgiu então também um outro grupo dramático, denominado "Os Persistentes", que mais uma vez acabaria por levantar a confiança e o ânimo da Sociedade. Faziam parte deste grupo cénico, essencialmente corticeiros, que substituíram os operários garrafeiros, que, já nesta altura, se encontravam a trabalhar longe da sua terra.
Para além destes antigos grupos dramáticos, "Os Incansáveis" e "Os Persistentes", que por duas vezes, e em momentos distintos da história da coletividade, ajudaram com as receitas dos seus espetáculos, a manter a SFOA, já na década de quarenta, e na sequência da saída à rua da primeira marcha de Amora, é fundado o grupo dramático "Os Inquietos", constituído por dezoito
a vinte jovens amorenses, todos amadores e ensaiados pelo senhor António Pedroso.
O nome do grupo refere a inquietação dos marchantes que após as festas, se viram desocupados pois a marcha só funcionava na quadra festiva e assim podiam ocupar os tempos livres e os ensinamentos que a participação na mesma lhes tinha proporcionado.
A primeira peça levada à cena em 07 de fevereiro de 1941 pelo Grupo "Os Inquietos" foi "Tela Campesina", tendo despertado um grande interesse em volta do grupo por parte dos locais que no dia do ensaio geral lotaram a sala. Uma Opereta da autoria de Abílio Mendes, grande amigo da SFOA e que disponibilizou a mesma que já tinha estado em cena em Lisboa (Alfama).
Era uma peca muito bonita que se enquadrava bem na “atmosfera” amorense. Esta era uma altura em que a localidade se encontrava cercada de quintas, agricultura e parecia ter sido escrita propositadamente para aqui ter sido levada à cena, onde muitos se reviam na mesma e deram forca a coletividade para continuar com esta atividade. O guarda roupa utilizado era o mesmo que as pessoas usavam para irem para os seus trabalhos.
Oito dias volvidos, a 15 de fevereiro de 1941, um violento ciclone assola a terra, deixando um rasto de elevados prejuízos materiais. A SFOA solidarizou-se com aqueles que viram os seus bens danificados e decidiu que as próximas atuações revertiam a favor dos mesmos.

Teatro na SFOA "Nua e Crua"
Muitas outras peças se seguiram, nas quais se incluem “O Segredo do Pescador”, "João O Corta Mar", "Sílvio o Cigano" e a "Inquisição", no entanto, a grande Coroa de Glória do grupo foi a peça "Entre Duas Ave-Marias", iniciada em 1943 com texto de Álvaro de Sousa (na altura mestre da banda da SFOA que granjeou enorme sucesso), com trinta e oito representações e que no ano seguinte, em 1944 se classificava em segundo lugar, num concurso a nível nacional, por iniciativa da Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio.
"Entre Duas Ave-Marias" subiu ao palco na SFOA por 22 vezes e sempre com lotação esgotada, havendo um fiel espectador de Amora que fazia gala em afirmar que não perdeu uma única sessão. Um dos fundadores do grupo, Joaquim Jota, afirmou que este grupo com as suas representações, era uma referência inultrapassável em matéria de atividade teatral que aqui se conseguiu realizar. Maria Santos, que tambem colabora com as suas memórias para "As Raizes de Amora, fez parte deste elenco amador representando o papel de "A Bruxa de Arrifana".
O desempenho de alguns dos atores na representação das suas personagens adquiria tamanha naturalidade que os habitantes da terra passaram a chama-los pelos nomes das figuras que representavam. Damos o exemplo de Artur Valente que ficou conhecido pelos CARTINHAS até morrer, devido ao modo como encarnou a figura de carteiro.
Este grupo teatral chegou a atuar em várias salas do país, incluindo algumas da própria cidade de Lisboa (Campo de Ourique e Xabregas), mas igualmente em muitas outras localidades, como, por exemplo, Sesimbra, Setúbal, Pinhal Novo ou Montelavar.

Grupo Dramatico "Os Inquietos"
Conscientes da dificuldade para manter aquele nível exibicional em teatro, resolveram então incluir no reportório algumas REVISTAS, um género que não colidia com as demais produções, Operetas, Comedias e Dramas e que colhia também o agrado dos Amorenses.
A primeira dessas REVISTAS, representada em 1946, intitulava-se “NUA E CRUA”, comprada em Lisboa por Abílio Mendes. (Segue no próximo Post)
Fontes: "Amora Memoria e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima e https://issuu.com/municipiodoseixal/docs/hist_associativa
fotos: SFOA, ecomuseu, Familia de Joaquim Jota






