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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

O Teatro Amador um dos Pilares da SFOA (3)

08.12.20, os amorenses

O TEATRO AMADOR, UM DOS PILARES DA COLECTIVIDADE

Simbolo da SFOA antigo foto SFOA.jpgmembros da direção da SFOA, músicos e dirigente
        Antigo Simbolo da SFOA                                 Direção da SFOA, músicos e dirigentes, anos 30 do séc. XX

Pelo menos em duas ocasiões, a "Sociedade Filarmónica Operária Amorense" esteve em riscos de se extinguir, como já foi referido anteriormente. Foram algumas as vezes em que os operários filarmónicos tiveram de procurar trabalho fora da sua terra, na sequência de crises e greves, que entretanto se verificavam na indústria. 

Já em   1916, quando ninguém conseguia pagar o aluguer do prédio ao senhorio e este quis penhorar o mobiliário e os instrumentos para saldar as dívidas, surgiu o grupo dramático "Os Incansáveis", sob a orientação do senhor Manuel Rodrigues Monteiro, que deu continuidade à Sociedade, pagando tudo o que estava em falta. 

Noutra altura de perturbação, finais dos anos 20, quando da saída de muitos garrafeiros para o Porto, Figueira da Foz, Marinha Grande e a Sociedade se viu a braços com

Os Persistentes.jpg

Grupo de Teatro da SFOA "Os Persitentes"

inúmeras dificuldades, surgiu então também um outro grupo dramático, denominado "Os Persistentes", que mais uma vez acabaria por levantar a confiança e o ânimo da Sociedade. Faziam parte deste grupo cénico, essencialmente corticeiros, que substituíram os operários garrafeiros, que, já nesta altura, se encontravam a trabalhar longe da sua terra. 

Para além destes antigos grupos dramáticos, "Os Incansáveis" e "Os Persistentes", que por duas vezes, e em momentos distintos da história da coletividade, ajudaram com as receitas dos seus espetáculos, a manter a SFOA, já na década de quarenta, e na sequência da saída à rua da primeira marcha de Amora, é fundado o grupo dramático "Os Inquietos", constituído por dezoito  
a vinte jovens amorenses, todos amadores e ensaiados pelo senhor António Pedroso. 
 
O nome do grupo refere a inquietação dos marchantes que após as festas, se viram desocupados pois a marcha só funcionava na quadra festiva e assim podiam ocupar os tempos livres e os ensinamentos que a participação na mesma lhes tinha proporcionado. 

A primeira peça levada à cena em 07 de fevereiro de 1941 pelo Grupo "Os Inquietos" foi "Tela Campesina", tendo despertado um grande interesse em volta do grupo por parte dos locais que  no dia do ensaio geral lotaram a sala. Uma Opereta da autoria de Abílio Mendes, grande amigo da SFOA e que disponibilizou a mesma que já tinha estado em cena em Lisboa (Alfama).  
 
Era uma peca muito bonita que se enquadrava bem na “atmosfera” amorense. Esta era uma altura em que a localidade se encontrava cercada de quintas, agricultura e parecia ter sido escrita propositadamente para aqui ter sido levada à cena, onde muitos se reviam na mesma e deram forca a coletividade para continuar com esta atividade. O guarda roupa utilizado era o mesmo que as pessoas usavam para irem para os seus trabalhos.   
 
Oito dias volvidos, a 15 de fevereiro de 1941, um violento ciclone assola a terra, deixando um rasto de elevados prejuízos materiais. A SFOA solidarizou-se com aqueles que viram os seus bens danificados e decidiu que as próximas atuações revertiam a favor dos mesmos.  

Teatro na SFOA Representação da peça de teatro

Teatro na SFOA  "Nua e Crua"

Muitas outras peças se seguiram, nas quais se incluem “O Segredo do Pescador”, "João O Corta Mar", "Sílvio o Cigano" e a "Inquisição", no entanto, a grande Coroa de Glória do grupo foi a peça "Entre Duas Ave-Marias", iniciada em 1943 com texto de Álvaro de Sousa (na altura mestre da banda da SFOA que granjeou enorme sucesso), com trinta e oito representações e que no ano seguinte, em 1944 se classificava em segundo lugar, num concurso a nível nacional, por iniciativa da Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio.  
 
"Entre Duas Ave-Marias" subiu ao palco na SFOA por 22 vezes e sempre com lotação esgotada, havendo um fiel espectador de Amora que fazia gala em afirmar que não perdeu uma única sessão. Um dos fundadores do grupo, Joaquim Jota, afirmou que este grupo com as suas representações, era uma referência inultrapassável em matéria de atividade teatral que aqui se conseguiu realizar.  Maria Santos, que tambem colabora com as suas memórias para "As Raizes de Amora, fez parte deste elenco amador representando o papel de "A Bruxa de Arrifana".
 
O desempenho de alguns dos atores na representação das suas personagens adquiria tamanha naturalidade que os habitantes da terra passaram a chama-los pelos nomes das figuras que representavam. Damos o exemplo de Artur Valente que ficou conhecido pelos CARTINHAS até morrer, devido ao modo como encarnou a figura de carteiro. 

Este grupo teatral chegou a atuar em várias salas do país, incluindo   algumas   da própria   cidade   de   Lisboa (Campo   de Ourique e Xabregas), mas igualmente em muitas outras localidades, como, por   exemplo, Sesimbra, Setúbal, Pinhal Novo ou Montelavar.  

Teatro Grupo Dramatico os Inquietos meados anos 50

Grupo Dramatico "Os Inquietos"

Conscientes da dificuldade para manter aquele nível exibicional em teatro, resolveram então incluir no reportório algumas REVISTAS, um género que não colidia com as demais produções, Operetas, Comedias e Dramas e que colhia também o agrado dos Amorenses. 

A primeira dessas REVISTAS, representada em 1946, intitulava-se “NUA E CRUA”, comprada em Lisboa por Abílio Mendes. (Segue no próximo Post) 


Fontes: "Amora Memoria e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima e https://issuu.com/municipiodoseixal/docs/hist_associativa

fotos: SFOA, ecomuseu, Familia de Joaquim Jota

SFOA - Inicio, Fundação e Sede (2)

05.12.20, os amorenses

SFOA - O INICIO, A FUNDAÇÃO E A PRIMEIRA SEDE (2)

Avenida Marginal SFOA.jpg
É NA VONTADE DOS OPERÁRIOS VIDREIROS NO ANO DE 1898 QUE TUDO COMECA  - foto ecomuseu municipal

Foi a 28 de junho de 1898 que, na "Companhia da Fábrica de Vidros de Amora", que se fundou aquela que inicialmente foi designada por "Sociedade Filarmónica dos Operários da Fábrica de Garrafas de Amora". 

Perspectiva da fábrica de garrafas de vidro, em A

foto ecomuseu municipal

Entre outros, terá sido um dos seus grandes impulsionadores José Lourenço da Silva Gomes, também ele fundador e diretor geral da própria fábrica. 

Nesse tempo, foi tão grande o entusiasmo, que, inclusivamente, alguns dos operários executantes fizeram sacrifício para comprar o seu instrumento musical. 

Igualmente parece ter sido peça fulcral no arranque desta "Sociedade Filarmónica" um engenheiro inglês, técnico da fábrica, amante e conhecedor de música, o qual não só teria entusiasmado os operários para a nobre causa como teria também sido o primeiro mestre executante, da então embrionária filarmónica. 

A primeira sede provisória e local de ensaios situava-se nas instalações da própria fábrica, numa divisão a que chamavam "pombal", sendo nessa altura os ensaios feitos à luz de gasómetros de carbureto. 

No princípio do século XX, na sequência de várias crises na indústria vidreira e com o fecho temporário da referida fábrica, refletia a "Sociedade Filarmónica" o pulsar da difícil vida operária. 

Efetivamente, nos primeiros anos da sua existência, muitos foram os períodos conturbados vividos por esta "Sociedade Filarmónica", em função das greves e das lutas operárias, como aquela que se registou em 1902. 

Já em 1904, com o aparecimento de novas instalações associadas à expansão da referida indústria, surge um novo período de prosperidade para a coletividade, que, em 1905, aluga a sua primeira sede própria ao senhor Guilherme Gomes Duarte, localizada na avenida marginal e, em 1907, constrói um coreto, para as suas atuações, com

Guilherme Gomes Duarte G com selo RA.jpg

Sr. Guilherme Gomes Duarte

dinheiros conseguidos por subscrição pública. 

Alguns anos mais tarde (?), o nome da coletividade, "Sociedade Filarmónica da Fábrica de Garrafas de Amora", foi posto em causa por alguns associados, não garrafeiros, que exerciam diversificadas profissões, entre eles trabalhadores rurais, marítimos, pequenos comerciantes e proprietários. 

Foi então que Manuel Luís de Carvalho, administrador do concelho, morador em Amora e ligado à Sociedade, proporia para a mesma, junto dos meios políticos da época, o nome que chegaria até aos nossos dias, "Sociedade Filarmónica Operária Amorense". 

Manuel Luis de Carvalho com selo RA.jpg

Manuel Luis de Carvalho

 

Já em 1916, no decorrer da Primeira Grande Guerra e com a saída dos alemães da fábrica, nova crise se instalou na indústria vidreira e consequentemente   na   Filarmónica, cujos   corpos   gerentes   ficaram reduzidos a um vogal. Neste período crítico, e por falta de verbas, a Sociedade ficou com seis meses de renda em atraso, tendo, inclusivamente, o senhorio do prédio ameaçado com a penhorado património. 

Libanio Santos benemerito e antigo dirigente da SF

Libânio dos Santos

Nesta época, valeu à Sociedade o então vogal de nome Libânio dos Santos, que reorganizou o grupo dramático da coletividade, orientado pelo senhor Manuel Rodrigues Monteiro, levando à cena dois espetáculos, com os quais se conseguiram os fundos para pagar as rendas em atraso. 

Já em 1926, encerraria definitivamente a fábrica de garrafas, tendo muitos dos operários vidreiros migrado para outras terras do país, onde se exercia a mesma indústria, nomeadamente, Porto, Figueira da Foz e Marinha Grande. Nesta altura a "Sociedade Filarmónica" entraria em crise, mais uma vez. 

Aos poucos, vieram a ser as indústrias corticeiras, entretanto instaladas na freguesia de Amora, a "Mundet & C". Lda." (1920) e os "Produtos Corticeiros Portugueses, Lda." (1935), que, com seus operários, daria novo alento a uma Associação, que se haveria de tornar centenária. 

Sobre a primeira sede, situada na Avenida Marginal Silva Gomes, conta-nos Joaquim "Jota" que a mesma se localizava num 1° andar, por cima da mercearia do senhor João Padeiro. 

A entrada para a velha sede era feita por um corredor, que dava acesso a um pátio nas traseiras do prédio e para a qual se subia por umas escadas de madeira. Neste primeiro andar, havia à esquerda de quem entrava um pequeno bar e à direita o gabinete da Direção, tudo o resto era uma grande sala, provida de palco, onde todas as atividades decorriam, tais como os concertos de música e as encenações de teatro. 

Neste auditório, muitos amorenses iam também ouvir os ensaios da banda, que se faziam duas vezes por semana, sendo igualmente aqui que se promoviam bailes, sobretudo ao domingo e épocas festivas, como por exemplo no "Ano Novo", "Carnaval", "Santos Populares" e "Primavera". 

SFOA primeira Sede na Marginal Silva Gomes foto SF

Primeira Sede da Sociedade Filarmónica Operaria Amorense

No     baile     da     "Primavera", a Sociedade   era   enfeitada   com flores, sendo as damas presenteadas com malmequeres campestres, flores de tremocilha ou papoilas. 

Na fachada desta primitiva sede havia uma varanda corrida com três mastros, onde se içavam, entre outras, nos dias festivos e aos fins-de-semana, as bandeiras Nacional,

da  Câmara Municipal e da Sociedade Filarmónica Operaria Amorense

 

Fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima

Cronologia da SFOA (1)

05.12.20, os amorenses

Alguma cronologia sobre a Sociedade Filarmónica Operaria Amorense 

sfoa simbolo.jpg

28 de junho de 1898 - Fundação da Sociedade Filarmónica da Fábrica de Garrafas de Amora no  local da Fabrica  

1904 - Expansão da Fábrica e novo período de prosperidade para a Coletividade  com novos empregos para os sócios 

1905Aluguer da Primeira Sede da SFFGA, no primeiro andar de um edifício, na Avenida Marginal, ao Sr. Guilherme Gomes Duarte  

1907 Compra dos primeiros Instrumentos por parte dos trabalhadores e  Construção do Coreto com dinheiros conseguidos por subscrição pública 

19?? - Nome da coletividade colocado em causa por sócios com outras profissões e  proposta de Manuel Luís de Carvalho, amorense, administrador do  concelho e ligado à Sociedade, para a mudança de nome para Sociedade Filarmónica Operária Amorense o que foi aceite 

1916 - Devido à Guerra e à crise que se instalou na Industria, muitos saíram para  outras localidades na procura do emprego e ficou então a Direção reduzida  a um Vogal, Libânio dos Santos, que reorganizou o Grupo Dramático da  coletividade, sob a orientação do senhor Manuel Rodrigues Monteiro, afim  de realizar alguns espetáculos para fazer face a seis meses de renda em  atraso.  

1920 - Mundet & Cª. Lda. Mais empregos para os amorenses e um novo alento na Sociedade Filarmónica Operaria Amorense 

1926 - Encerramento da Fábrica das Garrafas e de novo crise na Amora e na  Coletividade 

1927/28/29 - Finais dos Anos 20, surge o Grupo Dramático "Os Incansáveis" 

Anos 30 - Maestro da Banda o amorense Joaquim Carvalho, músico da Guarda  Nacional Republicana 

1933 - Aprovados os Primeiros Estatutos da SFOA 

1935 - Produtos Corticeiros Port. Lda. Mais empregos para os amorenses e um       novo alento na SFOA 

1940 - Primeira Marcha Popular, ensaiada pelo Sr. Baptista Cunha, a sair da SFOA e  Fundação do Grupo Dramático "Os Inquietos" ensaiados pelo senhor  António Pedroso 

Anos 40 - Maestro da Banda Álvaro de Sousa, Sargento - Ajudante do Exército e  maestro na extinta Banda de Sapadores, com cerca de vinte anos ao serviço  da coletividade, incutiu uma dinâmica própria na área musical.  Convidados a atuar em Lisboa, no Teatro Maria Matos, para a antiga  Emissora Nacional. Escola de Música em grande na década de 40, atuando  no Coreto de Amora, em vários locais da freguesia, do concelho e outras  localidades. Os Águias de Ouro, grupo musical da SFOA, que abrilhantava os  bailes. Fundação do grupo dramático "Os Inquietos" 

1943 - Inauguração da Biblioteca Adulta e Infantil da SFOA, sendo seus  r esponsáveis os senhores Eduardo Figueiredo e Eduardo Gonçalves. Os  primeiros volumes foram oferta da Mundet e Ca. Lda., tendo o Sr. Luís  António feito a primeira estante. Em 1961 esta biblioteca tinha 1.920  volumes, que teriam um valor de mais de quarenta mil escudos. Em 1963  era registado grande movimento na requisição de livros sendo  bibliotecários Ângelo Ferreira, Jose Soares e Jose Tiago  

8 de junho de 1947 - Inauguração da Verbena da SFOA, um novo polo de animação cultural, que  funcionou por cerca de dez anos, em terreno cedido por D. Branca Saraiva  de Carvalho, apetrechado com recinto de dança e um palco para Teatro,  Palestras, Cinema pela noite e espetáculos musicais onde atuaram e  cantaram Amália Rodrigues, Alberto Ribeiro, Tony de Matos e muitos outros,  Hercília do Carmo, Francisco José e Camilo de Oliveira 

Novembro 1955 - Início da construção da atual Sede nos terrenos da Verbena, que duro cerca  de três anos, com um empréstimo de quinhentos contos com juros, por  parte de José Rodrigues Alonso, mais conhecido por "José Galego", tendo  este dinheiro sido ofertado à SFOA pelo Sr. João Guilherme Carvalho Duarte,  perante a ameaça de penhora do edifício por José Galego devido ao atraso  do pagamento do empréstimo  

20 de julho de 1958 - Inauguração da nova Sede e Descerramento das fotografias de dois  beneméritos da SFOA, D. Branca Saraiva de Carvalho e Senhor João  Guilherme Carvalho Duarte em Sessão Solene 

Junho de 1969 - Messias Soeiro, na altura Presidente da Direção, considerava o cinema  como sendo, nesta época, uma das principais atividades da coletividade  com sessões diárias e várias sessões ao fim de semana 

1979 - Restauração da sala de cinema sendo reconstruída a plateia e colocado um  novo teto no edifício. Aprovados os novos Estatutos da SFOA 

2003 - Paula Lino é a Presidente da Direção da SFOA que conta com 1230 sócios e  promove entre outras, as seguintes atividades: Escola de Música, Banda de  Música, Teatro, Ginástica, Karaté, Danças de Salão e ensino de tapetes de  Arraiolos. 

2012 - Reativação da Marcha de Amora

 

(este documento pode ser atualizado em qualquer altura)

Antero Ferreira