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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

SFOA da Construção à Inauguração (7)

29.01.21, os amorenses

O INÍCIO DA CONSTRUÇÃO DA NOVA SEDE DA COLECTIVIDADE, EM 1955 

Direcao Responsavel pela construcao da sede da SFO

Em cima: Manuel Soares’Portuguesa’, Antonio Ribeiro e Albertino Sobral

Em baixo: António Ferreira, Santos, Alberto de Matos, Guilherme Baptista ‘ Lhé’ e António Correia

Segundo o jornal Tribuna do Povo, datado de 19 de novembro de 1955, nesta data, "já se começavam a ver subir as paredes do edifício, sede da Sociedade, sendo grande o alvoroço não apenas dos sócios, mas de toda a população, pelo andamento das obras." 

Foi realmente neste ano de 1955, e basicamente no terreno onde até então tinha existido a verbena, que se viria a dar início à construção da atual sede. Quem emprestou o dinheiro a juros, cerca de quinhentos contos, para assegurar o custeamento da obra, foi José Rodrigues Alonso, mais conhecido por "José Galego". 

Por dificuldades inesperadas em pagar, no devido prazo, as dívidas efetuadas, chegou a querer o referido comerciante ficar com o edifício em construção, enquanto não lhe fosse possível resgatar o dinheiro que tinha emprestado. 

Joao Guilherme de Carvalho Duarte.jpg

Foi neste momento de grande aflição que alguns dirigentes da Sociedade se dirigiram então a João Guilherme de Carvalho Duarte, sócio da "Construtora Moderna, S. A. R. L." e natural de Amora, que emprestou, sem juros, o dinheiro para pagar a dívida em causa, assim como para completar a obra. Desta forma se viu a Sociedade livre da penhora que lhe quis fazer José Rodrigues Alonso. 

Foi ao longo de quase três anos que, com pedra, tijolos, areia e cimento, mas sobretudo com muitas horas tiradas ao seu sono e aos seus fins-de-semana, os associados da Coletividade foram erguendo a sua sede própria, a qual contemplava, entre outros espaços, salas de convívio, biblioteca, bar e cinema. 

Alguns dos materiais de construção para o edifício foram fornecidos pela firma "A. Silva & Silva" e nos seus transportes, chegou-se a utilizar gratuitamente a camioneta do senhor José Varejeira, proprietário dos fornos da cal, situados na Quinta do Sacristão, à Amora de Cima. 

  

A INAUGURAÇÃO DA NOVA SEDE DA S.F.O.A., EM JULHO DE 1958 

Segundo notícia da época, jornal Tribuna do Povo, "No dia vinte de julho de 1958, teve lugar a solene inauguração da nova sede da S. F. O. A., com a presença dos autarcas locais e do Governador Civil de Setúbal, doutor Miguel Bastos. 

Governador Civil Inaugura sede da SFOA a 20 de Jul

 

Houve um almoço em homenagem ao senhor Governador, no Muxito, com a presença de cem convivas e em que usaram da palavra os senhores presidentes da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal e o senhor doutor Miguel Bastos, que focou estarem todos à volta não de um indivíduo, mas de um símbolo de união. 

Formou-se depois uma grande multidão de pessoas, que se deslocaram do cruzeiro até junto da nova sede. Aqui chegados, foi descerrada uma lápide de homenagem aos beneméritos D. Branca Saraiva de Carvalho e senhor João Guilherme de Carvalho Duarte. 

Na inauguração, o diretor da coletividade referiu que tal construção não se deve apenas aos beneméritos, mas também aos diretores, que arrojadamente lançaram ombros a tal iniciativa, assim como aos sócios que contribuíram com donativos e com muitas horas de trabalho.
Após a visita às novas instalações seguiu-se ainda uma sessão solene."
 

Dois Benemeritos.jpg

 

Sessao Solene de 20 de Julho de 1958

Descerramento de Fotografias de dois benemeritos da SFOA, D. Branca Saraiva de Carvalho e Sr. Joao Guilherme de Carvalho Duarte

 

foto: jornal A Voz D'Amora

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima 

A Solidariedade da SFOA (6)

27.01.21, os amorenses

A SOLIDARIEDADE DA "SOCIEDADE FILARMÓNICA OPERÁRIA AMORENSE", PARA COM AS PESSOAS DA TERRA 

SFOA primeira Sede na Marginal Silva Gomes foto SF

A coletividade acabava por ser o ponto de encontro dos amorenses, na sua maioria operários e trabalhadores. Foi assim com a compra da primeira telefonia a pilhas, que toda a gente queria escutar, enchendo por completo as exíguas instalações da antiga sede e foi assim com a primeira televisão, ainda não existente nos domicílios ou mesmo nos poucos cafés existentes. 

Foram igualmente muitos os espetáculos promovidos, que visavam acudir às dificuldades das pessoas que por questões de saúde ou de infortúnio se viam apanhadas pela miséria. 

Neste tempo não existia Caixa de Previdência e só a realização de festas e de espetáculos de beneficência permitiam a recolha de coletas, com as quais era possível acudir aos mais necessitados. 

Banda da Sociedade Filarmónica Operária Amorense
Banda da Sociedade Filarmónica Operária Amorense, onde figuram 38 músicos e o maestro, junto ao coreto de Amora, 1940. EMS-CDI - Imagem cedida por Amélio Cunha.

Estas realizações, em torno de laços de solidariedade, marcavam as pessoas, que viviam um ambiente de entreajuda e de verdadeira camaradagem, minorando-se o sofrimento dos mais desprotegidos. 

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima 

Fotos: Ecomuseu Municipal

A Verbena da SFOA em 1947 (5)

26.01.21, os amorenses

A VERBENA CONSTRUÍDA EM  1947, UM NOVO PÓLO DE ANIMAÇÃO CULTURAL 

Verbena.jpg

Em meados dos anos 40, viria a coletividade a ser beneficiada com a oferta de uma parcela de terreno, onde em 1947 se construiu uma verbena e igualmente mais tarde se veio a construir a atual sede. A verbena da SFOA, inaugurada a 8 de junho de 1947.

Foi efetivamente neste terreno, ofertado por uma grande benemérita amorense, de nome D. Branca Saraiva de Carvalho,

D. Branca Saraiva de Carvalho com selo RA.jpg

que se instalou inicialmente o referido recinto descoberto, a verbena, que conjuntamente com as instalações antigas da Avenida Marginal Silva Gomes, permitiram, nesta época, à coletividade, levar por diante tão grande número de iniciativas. 

Chegou a ser a verbena, apetrechada com um recinto de dança e um palco, um dos locais de maior atracção de gente, no concelho do Seixal, particularmente nas estações da Primavera e do Verão. 

Aqui se organizavam bailes ao domingo e ao sábado à noite, mas igualmente teatro, apresentações e palestras de assuntos diversos. A verbena chegou mesmo, nos períodos de Verão, a projetar filmes a noite. 

Como referiu José Carlos Cunha: " vinha gente de todo o lado para assistir aos memoráveis espetáculos, que ali se realizavam. Neles cantaram Amália Rodrigues, Alberto Ribeiro, Tony de Matos e muitos outros."
Ercília do Carmo, Francisco José ou mesmo Camilo de Oliveira, sabemos igualmente terem estado presentes neste espaço cultural. 

Efetivamente, durante cerca de dez anos, na verbena fez-se teatro, concertos musicais, bailes, variedades ou fados.

Retrato de membros da direção da SFOA, no palco

Direção da SFOA no palco da Verbena Anos 40 do séx. XX 

Nessa altura, como nos dizem alguns antigos associados, pagava-se dez escudos por cada espetáculo e a verbena era a sala de visitas do concelho. 

Também   nesta   época   surgiram, ligados   à   Sociedade Filarmónica Operária Amorense, muitos grupos de jazz e conjuntos musicais, entre outros podemos referenciar, "Os Leais", "Os Limpinhos de Amora", "El Dourado", "Águias de Ouro" e "Os Melros", que abrilhantavam os bailes locais e das redondezas, incluindo algumas das salas de Lisboa. 

Grupo Musical "Os Aguias de Ouro"

OS Aguias de Ouro grupo musical da SFOA anos 40.jp

 

 

Ensaio de peça Palco da Verbena Amora. O terceiro

Sr. Libânio (dramaturgo) à Direita grande impulsionador do teatro da SFOA. Anos 40 do séx. XX . Ensaio de peça de teatro no Palco da Verbena Amora.

Conjunto El Dourado na Quinta do Patrocinio em Amo

 

 

 

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima 

Fotos: Ecomuseu Municipal

A SFOA e as Festas do Primeiro de Maio (4)

22.01.21, os amorenses

A "SOCIEDADE FILARMÓNICA OPERÁRIA AMORENSE" E AS FESTAS DO PRIMEIRO DE MAIO (4)

membros da direção da SFOA, músicos e dirigente
Membros da direção da SFOA, músicos e dirigentes, anos 30 do séc. XX.

Desde o início da 1ª. República e até ao ano de 1938, as festas do primeiro de maio, em Amora, foram realizadas na Quinta da Princesa, sendo então, nesse tempo, rendeiro desta propriedade o senhor Manuel Luís de Carvalho.

Manuel Luis de Carvalho com selo RA.jpg

Manuel Luís de Carvalho

Para levar a cabo esta comemoração, a "Sociedade Filarmónica Operária Amorense" nomeava, um mês antes, uma comissão constituída por cerca de dez homens, que nos fins-de-semana anteriores se encarregavam de preparar o referido espaço da Quinta. 

Os festejos eram feitos no meio da mata, sendo o palanque, onde os músicos da Sociedade iriam tocar, montado numa clareira. Nesta festa, não tocava toda a banda, sendo a mesma abrilhantada, na maior parte dos casos, por um grupo mais pequeno, designado por grupo de Jazz. 

No dia primeiro de maio, esse grupo saía da Sociedade a tocar, por volta das dez horas e as pessoas iam atrás, com os seus lanches e petiscos, destinados aos piqueniques. 

A comissão e o grupo musical ganhavam apenas o almoço, batatas com bacalhau, sendo as batatas oferecidas pelo rendeiro da Quinta e o bacalhau oferecido pela S.F.O.A. 

Retrato de convívio de sócios da SFOA, possivelm

Na Quinta da Princesa, no local da festa, levava-se a cabo a exploração de um bar, para que se pudessem cobrir   algumas   despesas.  Neste bar,  decorado   com folhas de palmeira, vendiam-se pirolitos, cervejas, vinho e também alguma comida, especialmente as lamejinhas do rio e as iscas à portuguesa. 

As pessoas estendiam as mantas e as toalhas, sobre as quais almoçavam. Alguns dormiam a sesta, antes de começar o bailarico, que acabava por ser o prato forte do dia. 

À tardinha, no regresso, vinha toda a gente de novo a pé e a cantar, até à Amora. 

Fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima 

Fotos: Ecomuseu Municipal