A "Casa do Povo de Amora Fundada em 1934 (2)
OS DISTINTIVOS HERÁLDICOS DA CASA DO POVO DE AMORA, HOJE CASA DO POVO DE CORROIOS

No primeiro distintivo heráldico, que data desde o tempo da sua fundação, esta Casa do Povo retrata o conjunto dos edifícios da antiga "Fábrica de Vidros de Amora", donde sobressaem duas chaminés e a muralha marginal da zona ribeirinha do Esteiro do Rio Judeu, onde se pode ver a navegar um catraio, pequeno barco à vela característico desta região.
Na parte inferior, vê-se ainda uma mancha de pinheiros mansos, árvore frequente nesta zona ribeirinha da Amora, e um amontoado de toros, resultante do abate e exploração dos mesmos.
Também uma foice no centro do distintivo, e um conjunto de espigas dispostas na sua bordadura, lembram a secular atividade agrícola desta freguesia. Finalmente, o escudo da bandeira nacional surge no canto superior direito, em lugar de destaque.
Quanto ao distintivo heráldico atual, para além de já se referir à Casa do Povo de Corroios, em vez de Casa do Povo de Amora, mostra, na sua região superior, o brasão da vila do Seixal (hoje cidade), mantendo de igual modo, ainda que de uma forma mais simples, o símbolo industrial (roda dentada), o símbolo agrícola (duas foices) e o símbolo florestal (ramo de pinheiro com pinha).
A ASSISTÊNCIA MÉDICA E OS SUBSÍDIOS CONCEDIDOS, EM MEADOS DO SÉCULO XX
Ao longo das décadas, os sócios da Casa do Povo usufruíram de uma previdência e de uma assistência médica que, em muito, contribuíram para o bem-estar da generalidade das famílias desta freguesia.
Para esse fim, cooperou o dedicado médico Dr. Amândio Fiadeiro, ao serviço desta instituição durante mais de duas décadas, que exercia a sua profissão no consultório desta casa, devidamente equipado com o material cirúrgico necessário e uma enfermeira assistente. Também mensalmente, eram atribuídos aos sócios benefícios, na forma de subsídios diversos, que podiam ser referentes a casamento, a nascimento de filhos, a medicamentos, a invalidez, a morte ou a funeral.

Grupo de sócios aos quais a Casa do Povo de Amora dava assistencia em 1958
Foto Tribuna do Povo
Segundo notícia do jornal Tribuna do Povo, datada de 21 de dezembro de 1958, "a "Casa do Povo de Amora", desde a sua fundação e até à data desta publicação (1958), prestou aos seus sócios a seguinte Assistência e Previdência: Serviços clínicos - 114.880$00; Subsídios na doença - 76.821$50; Subsídios por morte - 7.552$50;
Subsídios por invalidez - 47.640$00; Subsídios por nascimento de filhos - 5.400$00; Subsídios no casamento (suspenso desde 1956) - 3.500$00; Transportes fúnebres - 960$00; Diversa assistência - 857$00; Colónia balnear infantil (suspensas desde 1951) - 13.240$00; Instrução a adultos e cantina escolar de Corroios - 7.667$00;
Medicamentos (a sócios inválidos e posto médico) - 2.233$10. O que perfaz um total de 280.751$10."
A FUNÇÃO EDUCATIVA DOS ANOS 50
De acordo com os próprios estatutos gerais das Casas do Povo, esta instituição criou e promoveu junto dos seus associados alguns cursos noturnos, onde se ministrou a 4.a classe a adultos, especialmente na década de 50. Foram utilizadas, não só as próprias instalações da Sede Social, como inclusivamente uma das salas da Escola Masculina de Corroios, a qual viria a ser devidamente equipada com material adquirido por esta Associação. Responsável por estas aulas esteve durante muito tempo a Sra. Professora Aurora Dias Azevedo.

Tomada de Posse de uma nova Direcao da Casa do Povo de Amora 1952 Foto da Familia de Antonio Martins
Também na área educativa esta Casa do Povo investiu durante muitos anos, projetando gratuitamente filmes didáticos e recreativos, alguns dos quais cedidos pelas embaixadas de vários países do mundo. No campo teatral, chegou-se a levar à cena algumas peças representadas, na maior parte dos casos, por grupos de Almada, como foi o caso de "Lobo-do-Mar" ou "Rosa do Adro".
A ANTIGA SECÇÃO DESPORTIVA
Foi essencialmente uma equipa de futebol, que durante muitos anos participou nos campeonatos corporativos, que neste domínio mais se evidenciou nos primeiros tempos de vida da Associação.

Equipa de Futebol da Casa do Povo de Amora em 1956
Foto Tribuna do Povo
Sempre com muitas dificuldades em arranjar dinheiro para as suas deslocações, este grupo nunca chegou a ter um campo próprio, apesar de nalguns campeonatos ter atingido classificações honrosas. O seu equipamento desportivo apresentava-se em cores de azul e amarelo.
O ciclismo e o atletismo foram igualmente algumas vezes praticados nesta época, ainda que sem terem atingido grande expressão.
A AJUDA NA RECONSTRUÇÃO DA IGREJA DE CORROIOS E NO FUNCIONAMENTO DA CANTINA ESCOLAR
As sucessivas direções desta Casa do Povo de Amora estiveram sempre disponíveis a colaborar na instrução religiosa, chegando mesmo a ceder as suas instalações para que nelas se pudesse dar catequese. Facilitou ainda a utilização das suas instalações para a realização de festas, tendo como objetivo a angariação de fundos para a reconstrução da Igreja Paroquial de Corroios.
Na época natalícia, realizou-se durante muitos anos, especialmente nas décadas de 40 e 50, a construção de um presépio no âmbito de um concurso nacional, o qual era visitado por muita gente. Nesta data religiosa, constituía igualmente tradição a oferta de presentes aos filhos mais novos dos associados.
No que diz respeito à Cantina Escolar de Corroios, que ajudava muitas crianças de famílias pobres, recebeu esta, por parte da Casa do Povo de Amora, alguns subsídios e atenções, no sentido de poder, de igual modo, promover e exercer a sua ação de assistência social.
AS FESTAS E BODAS DE CASAMENTO REALIZADAS NA CASA DO POVO
Eram muitos os associados que pediam frequentemente o salão das primitivas instalações da Casa do Povo para que aí se pudessem realizar festas, tendo em vista a obtenção de lucros para ajuda a diversas causas.
Aqui se realizaram muitos bailes, em tempos anteriores ao aparecimento da televisão, abrilhantados pelo som de conjuntos musicais, como foi o caso de "Os Canários" ou de "Os Vencedores de Corroios".
Também se tornou frequente o empréstimo do salão aos sócios para realização de "Copos de Água" no casamento de seus filhos ou parentes, a troco de um pequeno abono e de um compromisso de deixar tudo em ordem.
O NOVO "EDIFÍCIO SEDE" INAUGURADO A 28 DE MAIO DE 1963
Após muito esforço e luta, por parte de todos os sócios e dirigentes, para se conseguir a construção de uma nova Sede Social, onde as instalações permitissem uma melhoria das condições da vida associativa, foi finalmente conseguida da parte do Estado uma comparticipação de 40% para custear o valor da nova obra, que importava num total de 399298$70. Os restantes 60% do custeamento ficaram a cargo da Casa do Povo de Amora, que entretanto se valeu da venda de um terreno que possuía também em Corroios, cobrindo desta forma grande parte da despesa.

Mesa de Honra da Sessao Solene da Casa do Povo de Amora 1963
Foto Tribuna do Povo
O novo edifício sede, agora, com rés-do-chão, 1° andar e terraço, viria a ser construído pela firma "Sociedade de Construções Tecnarte, Lda.", sedeada no Montijo, exatamente no mesmo local do primitivo. Das novas instalações, possuidoras de muitos mais espaços de assistência e convívio, salientam-se os serviços sanitários e lavabos, infraestruturas tão necessárias e praticamente inexistentes na sede anterior. O salão do 1.º andar constituía na altura uma das melhores salas do concelho do Seixal.
No dia da inauguração estiveram presentes, entre outras individualidades, o Sr. Dr. António Pereira Marques - chefe do gabinete de Sua Excelência o ministro das Corporações e Previdência Social. Nesta data, a Casa de Povo de Amora dava assistência a mais de 800 beneficiários da Caixa de Previdência.
A BIBLIOTECA E A PRIMEIRA TELEVISÃO
Foi com as novas instalações que se verificou a possibilidade de incrementar a montagem de uma importante biblioteca. Em estantes feitas propositadamente e à medida, veio está a crescer, ultrapassando rapidamente mais de um milhar de obras. Muitos destes livros foram oferecidos pela Junta de Ação Social e outras instituições de utilidade pública.
No que diz respeito ao primeiro aparelho de televisão existente nestas instalações, foi este oferecido pelo mesmo organismo, referido anteriormente, a 11 de julho de 1964. Nesse tempo, tratou-se de uma prenda muito aplaudida, assim como desejada, arrastando a mesma muita gente ao bar da Casa do Povo para ver as emissões da RTP. Tal acontecimento deve-se, como se compreenderá, ao facto de ainda muito poucas famílias possuírem televisão em sua casa, nessa época.
ALGUMAS FIGURAS RELEVANTES DO PASSADO HISTÓRICO
No seu período de vida de cerca de quarenta anos, que antecedeu a revolução democrática do "25 de Abril de 1974", destacaram-se pelo seu empenho e tempo de permanência à frente dos destinos desta Casa do Povo de Amora, como Presidente da Assembleia Geral - António Marques Pequeno e Manuel Saraiva de Carvalho. Este último viria a falecer em finais de dezembro de 1958, vítima de atropelamento próximo de sua residência (Quinta da Água), quando regressava de Lisboa, onde fora tratar de assuntos referentes ao edifício da Nova Sede.
Com a Revolução Democrática do "25 de Abril" surgem à frente da Casa do Povo de Amora novas direções e novo entusiasmo, onde se destaca inicialmente a figura distinta de José Maria de Almeida e posteriormente, abrindo um caminho de grande modernidade à coletividade, a figura dinâmica de Francisco dos Anjos Rodrigues.
Nos primeiros anos que se seguiram ao "25 de Abril" tiveram grande incremento OS cursos de alfabetização, assim como a promoção do teatro e do xadrez. De igual modo esta Casa do Povo teve abertas as suas portas ao esclarecimento político e a vários tipos de atividades democráticas, que a época exigiu.
Da sua história mais recente, e segundo dados fornecidos pela sua atual Direção, podem sinteticamente referir-se factos tão importantes como:
1979 - Constituição da secção de karaté.
1980 - Criação do Grupo Coral Alentejano da Casa do Povo, com o nome de "Ecos do Alentejo" e iniciação das atividades da Escola de Música, que tem proporcionado
uma carreira musical a centenas de jovens, preparando-os para os exames da Escola de Amadores de Música.
1981- Criação do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Amora (em Corroios).
1982- Constituição da secção de Ginástica.
Como ficou dito, no início deste texto, a Casa do Povo de Amora passaria a partir de 1985 a designar-se definitivamente por Casa do Povo de Corroios.
Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima
Fotos: Familia de Antonio Martins e Tribuna do Povo






Diamantino da 

António de Oliveira e Sousa de Almeida





