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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

A "Casa do Povo de Amora Fundada em 1934 (2)

19.02.21, os amorenses

OS DISTINTIVOS HERÁLDICOS DA CASA DO POVO DE AMORA, HOJE CASA DO POVO DE CORROIOS

3 simbolos.jpg

No primeiro distintivo heráldico, que data desde o tempo da sua fundação, esta Casa do Povo retrata o conjunto dos edifícios da antiga "Fábrica de Vidros de Amora",  donde sobressaem duas chaminés e a muralha marginal da zona ribeirinha do Esteiro do Rio Judeu, onde se pode ver a navegar um catraio, pequeno barco à vela característico desta região. 

Na parte inferior, vê-se ainda uma mancha de pinheiros mansos, árvore frequente nesta zona ribeirinha da Amora, e um amontoado de toros, resultante do abate e exploração dos mesmos.  

Também uma foice no centro do distintivo, e um conjunto de espigas dispostas na sua bordadura, lembram a secular atividade agrícola desta freguesia. Finalmente, o escudo da bandeira nacional surge no canto superior direito, em lugar de destaque. 

Quanto ao distintivo heráldico atual, para além de já se referir à Casa do Povo de Corroios, em vez de Casa do Povo de Amora, mostra, na sua região superior, o brasão da vila do Seixal (hoje cidade), mantendo de igual modo, ainda que de uma forma mais simples, o símbolo industrial (roda dentada), o símbolo agrícola (duas foices) e o símbolo florestal (ramo de pinheiro com pinha). 

A ASSISTÊNCIA MÉDICA E OS SUBSÍDIOS CONCEDIDOS, EM MEADOS DO SÉCULO XX 

Ao longo das décadas, os sócios da Casa do Povo usufruíram de uma previdência e de uma assistência médica que, em muito, contribuíram para o bem-estar da generalidade das famílias desta freguesia. 

Para esse fim, cooperou o dedicado médico Dr. Amândio Fiadeiro, ao serviço desta instituição durante mais de duas décadas, que exercia a sua profissão no consultório desta casa, devidamente equipado com o material cirúrgico necessário e uma enfermeira assistente. Também mensalmente, eram atribuídos aos sócios benefícios, na forma de subsídios diversos, que podiam ser referentes a casamento, a nascimento de filhos, a medicamentos, a invalidez, a morte ou a funeral. 

Um grupo de Socios aos quais a Casa do Povo de Amo

Grupo de sócios aos quais a Casa do Povo de Amora dava assistencia em 1958
Foto Tribuna do Povo

Segundo notícia do jornal Tribuna do Povo, datada de 21 de dezembro de 1958, "a "Casa do Povo de Amora", desde a sua fundação e até à data desta publicação (1958), prestou aos seus sócios a seguinte Assistência   e   Previdência:   Serviços   clínicos - 114.880$00; Subsídios na doença - 76.821$50; Subsídios por morte - 7.552$50;  

Subsídios por invalidez - 47.640$00; Subsídios por nascimento de filhos - 5.400$00; Subsídios no casamento (suspenso desde 1956) - 3.500$00; Transportes fúnebres - 960$00; Diversa assistência - 857$00; Colónia balnear infantil (suspensas desde 1951) - 13.240$00; Instrução a adultos e cantina escolar de Corroios - 7.667$00;  

Medicamentos (a sócios inválidos e posto médico) - 2.233$10.  O que perfaz um total de 280.751$10." 

A FUNÇÃO EDUCATIVA DOS ANOS 50 

De acordo com os próprios estatutos gerais das Casas do Povo, esta instituição criou e promoveu junto dos seus associados alguns cursos noturnos, onde se ministrou a 4.a classe a adultos, especialmente na década de 50. Foram utilizadas, não só as próprias instalações da Sede Social, como inclusivamente uma das salas da Escola Masculina de Corroios, a qual viria a ser devidamente equipada com material adquirido por esta Associação. Responsável por estas aulas esteve durante muito tempo a Sra. Professora Aurora Dias Azevedo. 

Tomada de Posse de uma nova Direcao da Casa do Pov

Tomada de Posse de uma nova Direcao da Casa do Povo de Amora 1952 Foto da Familia de Antonio Martins

Também na área educativa esta Casa do Povo investiu durante muitos anos, projetando gratuitamente filmes didáticos e recreativos, alguns dos quais cedidos pelas embaixadas de vários países do mundo. No campo teatral, chegou-se a levar à cena algumas peças representadas, na maior parte dos casos, por grupos de Almada, como foi o caso de "Lobo-do-Mar" ou "Rosa do Adro". 

A ANTIGA SECÇÃO DESPORTIVA 

 Foi essencialmente uma equipa de futebol, que durante muitos anos participou nos campeonatos corporativos, que neste domínio mais se evidenciou nos primeiros tempos de vida da Associação. 

Equipa de Futebol da Casa do Povo de Amora em 1956

Equipa de Futebol da Casa do Povo de Amora em 1956
Foto Tribuna do Povo


Sempre com muitas dificuldades em arranjar dinheiro para as suas deslocações, este grupo nunca chegou a ter um campo próprio, apesar de nalguns campeonatos ter atingido classificações honrosas. O seu equipamento desportivo apresentava-se em cores de azul e amarelo.
 

O ciclismo e o atletismo foram igualmente algumas vezes praticados nesta época, ainda que sem terem atingido grande expressão. 

A AJUDA NA RECONSTRUÇÃO DA IGREJA DE CORROIOS E NO FUNCIONAMENTO DA CANTINA ESCOLAR 

As sucessivas direções desta Casa do Povo de Amora estiveram sempre disponíveis a colaborar na instrução religiosa, chegando mesmo a ceder as suas instalações para que nelas se pudesse dar catequese. Facilitou ainda a utilização das suas instalações para a realização de festas, tendo como objetivo a angariação de fundos para a reconstrução da Igreja Paroquial de Corroios. 

Na época natalícia, realizou-se durante muitos anos, especialmente nas décadas de 40 e 50, a construção de um presépio no âmbito de um concurso nacional, o qual era visitado por muita gente. Nesta data religiosa, constituía igualmente tradição a oferta de presentes aos filhos mais novos dos associados.  

No que diz respeito à Cantina Escolar de Corroios, que ajudava muitas crianças de famílias pobres, recebeu esta, por parte da Casa do Povo de Amora, alguns subsídios e atenções, no sentido de poder, de igual modo, promover e exercer a sua ação de assistência social. 

AS FESTAS E BODAS DE CASAMENTO REALIZADAS NA CASA DO POVO 

Eram muitos os associados que pediam frequentemente o salão das primitivas instalações da Casa do Povo para que aí se pudessem realizar festas, tendo em vista a obtenção de lucros para ajuda a diversas causas. 

Aqui se realizaram muitos bailes, em tempos anteriores ao aparecimento da televisão, abrilhantados pelo som de conjuntos musicais, como foi o caso de "Os Canários" ou de "Os Vencedores de Corroios". 

Também se tornou frequente o empréstimo do salão aos sócios para realização de "Copos de Água" no casamento de seus filhos ou parentes, a troco de um pequeno abono e de um compromisso de deixar tudo em ordem. 

O NOVO "EDIFÍCIO SEDE" INAUGURADO A 28 DE MAIO DE 1963 

Após muito esforço e luta, por parte de todos os sócios e dirigentes, para se conseguir a construção de uma nova Sede Social, onde as instalações permitissem uma melhoria das condições da vida associativa, foi finalmente conseguida da parte do Estado uma comparticipação de 40% para custear o valor da nova obra, que importava num total de 399298$70. Os restantes 60% do custeamento ficaram a cargo da Casa do Povo de Amora, que entretanto se valeu da venda de um terreno que possuía também em Corroios, cobrindo desta forma grande parte da despesa. 

Mesa de Honra da Sessao Solene da Casa do Povo de

Mesa de Honra da Sessao Solene da Casa do Povo de Amora 1963
Foto Tribuna do Povo

O novo edifício sede, agora, com rés-do-chão, 1° andar e terraço, viria a ser construído pela firma "Sociedade de Construções TecnarteLda.", sedeada no Montijo, exatamente no mesmo local do primitivo. Das novas instalações, possuidoras de muitos mais espaços de assistência e convívio, salientam-se os serviços sanitários e lavabos, infraestruturas tão necessárias e praticamente inexistentes na sede anterior. O salão do 1.º andar constituía na altura uma das melhores salas do concelho do Seixal.  

No dia da inauguração estiveram presentes, entre outras individualidades, o Sr. Dr. António Pereira Marques - chefe do gabinete de Sua Excelência o ministro das Corporações e Previdência Social. Nesta data, a Casa de Povo de Amora dava assistência a mais de 800 beneficiários da Caixa de Previdência. 

A BIBLIOTECA E A PRIMEIRA TELEVISÃO  

Foi com as novas instalações que se verificou a possibilidade de incrementar a montagem de uma importante biblioteca. Em estantes feitas propositadamente e à medida, veio está a crescer, ultrapassando rapidamente mais de um milhar de obras. Muitos destes livros foram oferecidos pela Junta de Ação Social e outras instituições de utilidade pública. 

No que diz respeito ao primeiro aparelho de televisão existente nestas instalações, foi este oferecido pelo mesmo organismo, referido anteriormente, a 11 de julho de 1964. Nesse tempo, tratou-se de uma prenda muito aplaudida, assim como desejada, arrastando a mesma muita gente ao bar da Casa do Povo para ver as emissões da RTP. Tal acontecimento deve-se, como se compreenderá, ao facto de ainda muito poucas famílias possuírem televisão em sua casa, nessa época. 

ALGUMAS FIGURAS RELEVANTES DO PASSADO HISTÓRICO 

No seu período de vida de cerca de quarenta anos, que antecedeu a revolução democrática do "25 de Abril de 1974", destacaram-se pelo seu empenho e tempo de permanência à frente dos destinos desta Casa do Povo de Amora, como Presidente da Assembleia Geral - António Marques Pequeno e Manuel Saraiva de Carvalho. Este último viria a falecer em finais de dezembro de 1958, vítima de atropelamento próximo de sua residência (Quinta da Água), quando regressava de Lisboa, onde fora tratar de assuntos referentes ao edifício da Nova Sede.  

Com a Revolução Democrática do "25 de Abril" surgem à frente da Casa do Povo de Amora novas direções e novo entusiasmo, onde se destaca inicialmente a figura distinta de José Maria de Almeida e posteriormente, abrindo um caminho de grande modernidade à coletividade, a figura dinâmica de Francisco dos Anjos Rodrigues. 

Nos primeiros anos que se seguiram ao "25 de Abril" tiveram grande incremento   OS   cursos   de   alfabetização, assim como a promoção do teatro e do xadrez. De igual modo esta Casa do Povo teve abertas as suas portas ao esclarecimento político e a vários tipos de atividades democráticas, que a época exigiu. 

Da sua história mais recente, e segundo dados fornecidos pela sua atual Direção, podem sinteticamente referir-se factos tão importantes como: 

1979 - Constituição da secção de karaté. 

1980 - Criação do Grupo Coral Alentejano da Casa do Povo, com o nome de "Ecos do Alentejo" e iniciação das atividades da Escola de Música, que tem proporcionado  

uma carreira musical a centenas de jovens, preparando-os para os exames da Escola de Amadores de Música. 

1981- Criação do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Amora (em Corroios). 

1982- Constituição da secção de Ginástica. 

Como ficou dito, no início deste texto, a Casa do Povo de Amora passaria a partir de 1985 a designar-se definitivamente por Casa do Povo de Corroios. 

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima

Fotos: Familia de Antonio Martins e Tribuna do Povo

 

A "Casa do Povo de Amora Fundada em 1934 (1)

17.02.21, os amorenses

A "CASA DO POVO DE AMORA" FUNDADA EM 1934 

A "Casa do Povo de Amora" foi fundada, em Corroios, a 6 de maio de 1934, tendo em conta que nessa altura Corroios, era um dos lugares da

1 - Primeiro Simbolo da Casa do Povo de Amora.jpg

freguesia de Amora. Tendo sido a freguesia de Corroios restaurada a 7 de abril de 1976, alguns anos mais tarde (1985) passou, então, esta mesma Associação a designar-se definitivamente por "Casa do Povo de Corroios". 

A ANTECESSORA "ASSOCIAÇÃO DE BENEFICÊNCIA FÚNEBRE DE CORROIOS" 

A "Associação de Beneficência Fúnebre de Corroios", popularmente designada por "Casa da Carreta", foi fundada a 23 de abril de 1922, com o fim de ajudar as famílias pobres deste lugar a efetuar os funerais dos seus entes queridos. 

Neste tempo, o cemitério mais próximo localizava-se em Amora, a uns bons quilómetros de Corroios, sendo os defuntos transportados ao longo das estradas, em pesados caixões e a custo de braços. Foi então que um grupo de homens bons, entre os quais Alfredo Alexandre, José Canuto da Glória e Tomás António de Matos, constituídos em comissão, angariaram fundos para a compra de uma carreta funerária, a qual passaria a constituir razão fulcral para a criação da "A.B.F.C.".  
Esta associação, em que se distinguiram, como dirigentes, Cândido Prudêncio da Costa, Josué   Bernardo de Oliveira e Manuel Saraiva de Carvalho, viria a perdurar até 1934, tendo construído a sua sede, no ano de 1928, numa parcela de terreno da Quinta do Conde de Aveiras, sita em Corroios, e oferecida pelo seu proprietário e benfeitor, António Marques Pequeno. Desta construção primitiva fazia parte apenas um salão, um vestíbulo, um gabinete de Direção e um anexo para guardar a carreta. 

3 - Inauguracao do Edificio da Ass. Benficiencia d

OS ESTATUTOS DA "A.B.F.C." E A UTILIZAÇÃO DA CARRETA 

 Os estatutos da "Associação de Beneficência Fúnebre de Corroios" foram aprovados a 17 de outubro de 1925. No seu 1.º artigo eram referidos como fins: a cedência gratuita da carreta para os sócios que falecessem e a atribuição de subsídio às suas famílias para despesas de luto; a cedência gratuita da carreta fúnebre a qualquer pessoa estranha à Associação falecida neste lugar de Corroios, desde que se provasse a sua indigência, com atestado da Junta de Freguesia; assim como a cedência da carreta fúnebre à família de qualquer pessoa que não fosse filiada nesta Associação, mediante um donativo para o seu cofre social. 

No que diz respeito à admissão de sócios, esta Associação admitia como sócios todas as pessoas maiores, de ambos os sexos, nacionais e estrangeiros, necessitando os menores e mulheres casadas de autorização de seus pais e maridos. 

Todo o indivíduo, para poder ser admitido como sócio, deveria vir precedido de boa reputação, não ter mais de setenta anos, não ser desordeiro, nem se entregar ao vício de embriaguez. Constituía dever de todos os sócios o cumprimento dos estatutos, o pagamento de uma joia e das quotas mensais de 1 escudo, assim como acompanhar os consócios falecidos à sua última morada. 

A carreta fúnebre, de cor preta e em madeira, consistia essencialmente num estrado, suportado por um eixo no qual rolavam duas rodas de raios, semelhantes às dos carros de tração animal. Sobre este estrado era colocado o caixão coberto por pano apropriado. À frente possuía um varal comprido, terminando em cruzeta, servindo a mesma de suporte às pegas, onde dois homens, um de cada lado, puxavam ou empurravam. Lateralmente, existiam algumas alças, onde os populares acompanhantes poderiam ajudar, no caso de surgir alguma subida mais íngreme. 

Na deslocação ao cemitério de Amora era inclusivamente comum fazer uma pequena paragem numa antiga taberna existente no Alto da Cruz de Pau, onde se matava a sede, depois de vencida a ladeira do "Muxito". 

Pela sua persistência, força física e espiritual, distinguiram-se na ajuda ao transporte dos falecidos de Corroios alguns homens desta localidade, entre os quais os conhecidos por "Titã", "Curto", "Manuel Charneca" e "Américo Charneca". 

A história desta carreta prolongar-se-ia por largo período de vida da Casa do Povo de Amora, que a partir de 1934 veio suceder à "A.B.F.C.", terminando apenas em fevereiro de 1960, quando foi finalmente posta de parte e vendida por 150 escudos a um negociante de ferro-velho de nome Bento, existente nessa época, junto de Corroios, à direita de quem desce do Laranjeiro. 

O NASCIMENTO DA "CASA DO POVO DE AMORA", SEDEADA EM CORROIOS 

Como ficou referido anteriormente, a "Casa do Povo de Amora" acaba por nascer com base e a partir da "Associação de Beneficência Fúnebre de Corroios", quando a Direção desta última entende por bem aderir ao decreto-lei que cria as Casas do Povo em Portugal. Dois sócios entusiásticos, Josué Bernardo de Oliveira e António Pereira Coelho, vêem na nova legislação tudo quanto desejam para o futuro da sua coletividade. Consultam Manuel Saraiva de Carvalho, na qualidade de Presidente da Assembleia-Geral, que também apoia tal decisão, acabando por serem aprovados, em janeiro de 1934, os novos estatutos referentes à então designada "Casa do Povo de Amora". O alvará seria concedido mais tarde, a 7 de abril de 1934, pelo Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social, Pedro Teotónio Pereira. 

Regendo os seus estatutos pelo Decreto-lei n.º 23.051, passaram a ser fins e objetivo para a recém-criada "Casa do Povo de Amora":  
1.º -A criação de instituições destinadas a assegurar aos sócios, proteção e auxílio no caso de doença, desemprego, inabilidade ou velhice;  
2.º -A promoção do ensino aos adultos e às crianças, incluindo a prática de desporto e a utilização do cinema educativo;  
3.º - A cooperação nas obras de utilidade comum, comunicações, serviços, higiene pública ou outras equivalentes." 

A FESTA DE INAUGURAÇÃO A 6 DE MAIO 

A "Casa do Povo de Amora", sedeada em Corroios é a primeira a ser instituída em todo o Distrito de Setúbal, foi solenemente inaugurada a
6 de 
maio de 1934. 

4 - Inauguracao da Sede da Casa do Povo de Amora 1

Estiveram presentes nesta cerimónia e a presidi-la, entre outras individualidades, o Dr. António Maria do Amaral Pyrrait, representante de Sua Excelência o Senhor Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social, o Dr. Mário Cães Esteves, Governador Civil do Distrito de Setúbal, e o Excelentíssimo Senhor Leopoldino Gonçalves   de Almeida, presidente   da   Câmara Municipal do Seixal. Participaram igualmente nas cerimónias os alunos da Escola Primária de Corroios e a banda da "Sociedade Filarmónica Operária Amorense que executou os hinos da "Maria da Fonte" e a "Portuguesa". 

Nesta sessão inaugural usaram da palavra vários oradores, levantando-se entusiásticas vivas a Portugal, à Casa do Povo e a suas Exas. Os Senhores Presidentes da República e do Conselho de Ministros. 

Nesta data, a Casa do Povo tinha 215 sócios efetivos, 22 sócios beneméritos e 35 sócios protetores, num total de 272. Destes últimos faziam parte algumas empresas, como é o caso da "Mundet e Companhia, Lda." e da "Sociedade Portuguesa de Explosivos, Lda.", assim como algumas casas agrícolas, incluindo-se neste último grupo a "Sociedade Agrícola da Quinta da Princesa", a "Sociedade Agrícola da Quinta da Carapinha", a "Casa Palmela" e os "Herdeiros da Quinta da Atalaia". 

Por seu turno, os primeiros Corpos Gerentes desta Casa do Povo, aprovados em Assembleia-Geral extraordinária de 17 de maio de 1934, foram os seguintes:  

6 - Manuel Saraiva de Carvalho.jpg

Presidente da Assembleia-Geral - Manuel Saraiva de Carvalho 
Vice-Presidente - José dos Santos Ferreira  
Secretário - Benjamim Valente da Fonseca  
Presidente da Direção - António Pereira Coelho  
Tesoureiro - Josué Bernardo Oliveira  
Secretário - Francisco Marques Coelho 

Só um ano mais tarde, a 14 de julho de 1935, foi inaugurado o Livro de Honra e a Bandeira desta instituição, estando presente na cerimónia o Senhor Diretor da Previdência Social, Dr. Pimenta da Gama, que teve a honra de proceder ao seu içamento. Nesta mesma data, houve grandes festejos, fazendo parte dos mesmos um beberete, oferecido pelo Senhor Presidente da Assembleia Geral, Manuel Saraiva de Carvalho, nas suas instalações da Quinta da Água, e um arraial com baile, que durou até às tantas, no edifício sede da Associação em festa.  

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima

A antiga "União Recreativa Amorense" na Amora de Cima (2)

09.02.21, os amorenses

UNIÃO RECREATIVA AMORENSE SIMBOLO E EQUIPAS

Simbolo do Clube Recreativo Amorense.jpg

Com a ajuda de dois Amorenses conseguimos reunir algumas peças mais, deste puzzle.
O nosso obrigado aos dois pela partilha de fotos e simbolo do clube.

Faltava-nos o Símbolo do clube e uma foto da Fachada do edifício com as escadas e entrada,  
conseguimos através do Guilherme Lopes um cartão muito antigo que nos deixou ver e  
recriar o símbolo. Só nos falta a foto da fachada e entrada do clube.  

A Isabel Antunes Conceição e o seu Avô, Diamantino Conceição partilharam conosco algumas fotos da equipa de futebol do URA, onde o seu Avô foi jogador com a camisola número 5. 

Equipa de futebol do URA.jpg

Diamantino da Conceicao 3 em pe dir.jpgDiamantino da Conceição em baixo a esquerda

Diantino da Conceicao.jpg

Diamantino Conceicao curvado.jpg

Diamantino da Conceição (curvado)

Presidentes de Direção conhecidos

António de Oliveira e Sousa de Almeida, PresidentAntónio de Oliveira e Sousa de Almeida

Presidente da Direção entre 1953 e 1956.

 

 

 

 

 

 

Candido da Conceicao.jpg

Candido da Conceição

Presidente da Direção em 1968.

A antiga "União Recreativa Amorense" na Amora de Cima (1)

07.02.21, os amorenses

A ANTIGA "UNIÃO RECREATIVA AMORENSE" NA AMORA DE CIMA 

UFCA - Direccao.jpg

Lamentamos nao apresentar uma foto da fachada da sede deste clube, se algum amorense tiver esta foto e queira partilhar com todos agradecemos, assim como agradecemos aos mais antigos que conheçam os nomes que faltam nas fotos.

Em cima:  ............., Antero Lopes, ..............., ..................
Em baixo: Jose Trinta, ................., Ludgero Rodrigues e Candido da Conceição

Esta coletividade, hoje já não existente, foi fundada a 9 de julho de 1934, em Amora de Cima, na atual Rua 1.º de Maio, que antigamente se chamava "28 de maio" e praticamente no sítio onde hoje se situam as atuais instalações da Junta de Freguesia de Amora. 

Quase em frente das escadinhas, que conduzem ao templo de Nossa Senhora do Monte Sião, esta coletividade, que inicialmente estava muito voltada para a prática do futebol, começou por se designar "União Futebol Clube Amorense". 

Fundada, entre outros, por António Nunes Tiago, seu irmão Manuel Nunes Tiago e António Henriques Marques, tinham estes como principais objetivos a criação de uma nova equipa de futebol na freguesia, para além daquela que já existia, o prestigiado "Amora Futebol Clube". 

A equipa do "União Futebol Clube Amorense" apresentar-se-ia pela primeira vez no campo do "Atlético Clube de Arrentela", chegando mesmo a disputar o Campeonato Distrital da segunda divisão. 

No que refere a instalações desportivas, segundo recolha oral, nunca terá tido grandes disponibilidades financeiras que lhe permitissem suportar a construção de campo próprio, o que pretendeu levar a cabo, na Quinta do Serrado. 

Nos primeiros anos de vida, para além do futebol, a coletividade manteve ainda outras atividades desportivas, como foi o caso do ciclismo ou do ténis de mesa. 

Tendo em conta que o meio era pequeno e a freguesia de Amora, nesse tempo, muito pobre, tal facto não viria a permitir manter a equipa de futebol durante muitos anos. 

Uma Equipa do Uniao Futebol Clube Amorense.jpg

Uma das equipas do UFCA que pensamos ser o equipamento camisola amarela e calção Branco. Foram descobertos nos destrocos do clube que ja tinha encerrado, uns equpamentos tipo FC Barreirense mas de cores Amarela e Vermelha. Camisola Amarela com riscas Vermelhas e calções Amarelos.

Ainda nos anos 40, acabou nesta Coletividade a prática do desporto rei, tendo a mesma passado a dedicar-se, quase exclusivamente, a atividades culturais e recreativas. 

Em 1948, são feitas obras de restauro na sede social, inclusive no seu frontispício, para as quais se formou uma comissão de melhoramentos e onde se destacaram pelo seu trabalho Ludgero e Joaquim Alminhas.

Pelo menos no início dos anos 50, esta Associação já era conhecida por "União Recreativa Amorense", tendo, entre outras áreas, passado a ser o teatro uma das suas principais dinamizações.
Entre outras peças, levou à cena as seguintes: “Um erro judicial”, “Rosa do Adro”, “Expedicionário”, “Morte Civil” e a opereta “Meu rico S. João”.
 

No seu aniversário de 1950, à semelhança do que aconteceu em muitos anos anteriores, realizou-se uma sessão solene a que presidiu o senhor Presidente da C. M.S. excelentíssimo senhor Capitão Louro, secretariado pelos Presidentes da Junta de Freguesia e da Casa do Povo de Amora, respectivamente senhor José Pedro Fradique e Manuel de Carvalho. Estando igualmente presente na referida sessão o então pároco reverendo Manuel Marques. 

Nos primeiros anos da década de cinquenta foi presidente da sua Direção, António de Oliveira Sousa de Almeida, em 1953 sucedeu-lhe José Manuel Vitorino e em 1955 Manuel Marques Patarra. 

A 18 de Maio de 1952, foi feita, no salão de festas da Coletividade, uma memorável homenagem aos professores das escolas de Amora, na altura extremamente valorizados. 

Neste período dos anos 50, notava-se por parte das sucessivas Direções uma certa preocupação em promover atividades essencialmente culturais e recreativas, que permitissem aos sócios ascender a novos horizontes e perspectivas. 

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A Banda da UNIÃO RECREATIVA AMORENSE actuando no palco da sua Sede

Para além das récitas e do teatro ensaiado por José Rosário Simões, cujo lucro era aplicado na melhoria das condições da sede social, a "União Recreativa Amorense" possuía uma biblioteca e promovia, com alguma regularidade, conferências e palestras, em que os convidados a intervir eram individualidades de reconhecida competência. 

 Na prática desportiva, o ténis de mesa, promovido através de campeonatos realizados no interior das instalações, foi também nesta época uma das atividades mais importantes. 

Infelizmente, no princípio dos anos sessenta, as dificuldades financeiras que se verificaram, levaram a que, aos poucos, a Associação, nessa altura com cerca de trinta anos de existência, começasse a perder o fulgor de outros tempos.  

Isabel Baptista 5.jpg

Isabel Amora actuando no palco da URA em 1965 foto "Tribuna do Povo"

Em 1963, um dos seus sócios mais influentes de então, o senhor Cândido da Conceição, ainda luta pela sua reanimação cultural, tendo-se a Coletividade mantido até próximo do final dos anos 60, altura em que acaba por fechar as suas portas definitivamente. 

Em agosto de 1968, noticiava-se no jornal Tribuna do Povo: "A Direção da União Recreativa Amorense, de Amora de Cima, organiza no próximo dia 15 à noite (Festa de Nossa Senhora do Monte Sião), uma "Soirée dançante", afim de arranjar fundos para fazer face aos elevados encargos, desta prestigiosa e antiga coletividade." 

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima
fotos: Ecomuseu Municipal e Rui Pedro

A Biblioteca e o Cinema na SFOA (8)

06.02.21, os amorenses

A BEM APETRECHADA BIBLIOTECA, CRIADA AINDA NO ANO DE 1943

A biblioteca da S.F.O.A. foi fundada em 1943, sendo, nessa altura, seus responsáveis os senhores Eduardo Figueiredo e Eduardo Gonçalves. 

Nesse tempo, foi a corticeira "Mundet" quem ofereceu os primeiros volumes e o senhor Luís António quem fez a primeira estante. 

Já em outubro de 1961, segundo o jornal Tribuna do Povo, e passados dezessete anos, a biblioteca da S.F.O.A. possuía mil, novecentos e vinte volumes (1.920), ultrapassando o valor dos livros, das estantes e do material, mais de quarenta mil escudos. 

Para além dos livros destinados a adultos, que muito contribuíram para o enriquecimento cultural dos seus associados, existia igualmente uma biblioteca infantil dedicada as crianças. 

No ano de 1963, ainda se registava grande movimento na requisição de livros, sendo nesta mesma data bibliotecários os senhores Ângelo Ferreira, José Soares e José Tiago. 

O CINEMA, UMA DAS PRINCIPAIS ACTIVIDADES LEVADAS A CABO PELA COLECTIVIDADE, NOS ANOS 60/70 

Nas suas novas instalações, inauguradas em julho de 1958, a S.F.O.A. contava já com uma ampla sala de espetáculos, onde era possível, para além de fazer representações cénicas, projetar películas de cinema. 

Durante os anos 40, os amorenses viam os seus filmes, no designado barracão do Ângelo, situado no interior do perímetro da antiga Fábrica de Vidros. Nesse tempo, a sala de cinema não apresentava qualquer condição de conforto, sendo os próprios assentos bancos corridos e cadeiras com tampos de madeira. 

A partir de 1958, o moderno cine teatro, das novas instalações da "Sociedade Filarmónica Operária Amorense", veio trazer à população local, uma outra forma de visualizar o cinema, sabendo-se que, segundo o jornal Tribuna do Povo, já no ano de 1963 se promovia a semana do "cine-mistério", a qual muito entusiasmava a massa associativa, pela qualidade dos seus filmes.   

Em junho de 1969, Messias Soeiro, então o presidente da Direção, considerava o cinema como sendo, nesta época, uma das principais atividades da coletividade.  

Nesse tempo, projetavam-se películas todos os dias da semana, incluindo o domingo, e era possível ver filmes como "Sansão e Dalila" ou "Os Dez Mandamentos". 

Posteriormente, no ano de 1979, a sala de cinema veio a ser restaurada, sendo reconstruída a plateia e colocado um novo teto no edifício. 

Atualmente, a coletividade já não promove esta atividade, tendo em conta a grande concorrência que passou a ser feita neste campo cultural pelas muitas salas de cinema localizadas nos centros comerciais da região.

 

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima

Escravos e Senhores na Amora Seiscentista

01.02.21, os amorenses

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No século XVII viveriam na freguesia da Amora umas centenas de pessoas. Famílias nobres (militares, juristas, administração pública), camponeses, pescadores, marinheiros e escravos. É sobre os escravos, sobre os quais se sabe tão pouco, que gostaria de partilhar convosco algumas reflexões, informações e hipóteses.

Calcula-se que, em 1550, 10% da população de Lisboa era negra. Nos anos seguintes os escravos não param de chegar e muitos deles foram comprados para trabalhar nas zonas rurais, nas quintas,  neste sentido não é surpreendente a existência de escravos nas terras de Amora. Desconhecemos quantos escravos existiam e, qual a sua proporção numa comunidade de poucas centenas de indivíduos, a escassez de registos deixa antever uma realidade subterrânea a que os registos paroquiais não permitem aceder razão pela qual,  a pesquisa documental e os levantamentos arqueológicos que permitam estudar os vestígios da população adquirem particular relevância.

Os escravos eram convertidos ao cristianismo figurando, por isso, nos registos paroquiais. Nesses registos paroquiais surgem batismos, óbitos e casamentos de (pelo menos) alguns desses escravos. Creio que na maioria dos casos se ocupavam das tarefas agrícolas, mas  seriam os “de casa”, aqueles que estariam mais integrados a constar destes registos que deixam transparecer uma hierarquia entre os escravos estabelecida pela sua maior ou menor proximidade ao senhor. Na morte, como na vida, os escravos partilhavam com a restante comunidade um lugar na igreja, um lugar adjacente e marginal.

Os registos paroquiais, do século XVII, permitem saber os nomes de alguns desses escravos, as suas ligações familares e o nome dos seus senhores:

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Fonte: Arquivos Paroquiais da Freguesia de Amora (Arquivo Distrital Setúbal)