OS BORJAS (II) Caetano Alberto Borja, o Amora
Caetano Alberto Borja Lourenço nasceu, na Amora, em 1772 assentou praça no regimento de Gomes Freire de Andrade* onde foi cadete.
Em 1801 tomou parte da Guerras das Laranjas após o que, “livre do Real serviço” casou, em Cascais, no ano de 1804, com Violante Ferreira, filha de Higino José Ferreira.

As invasões francesas estavam a começar e Caetano Borja foi comandante das forças que se formaram em várias localidades a sul do Tejo para lutar contra os franceses, esteve nas linhas de Torres e participou na Batalha do Buçaco.
Em 1817, os franceses já tinham sido derrotados e saído de Portugal, porém a família Real demorava-se no Brasil deixando o General Beresford à frente dos destinos de Portugal, situação que provocava descontentamento em muitos portugueses.
Distribuíram-se uns panfletos apelando à revolta. Terá havido uma conspiração. O que sabemos é que Beresford terá decidido dar uma lição aos portugueses e fez abater todo o peso da justiça sobre Gomes Freire de Andrade e seus companheiros de infortúnio. Em toda esta trama,Caetano Borja, o Amora teve um papel ingrato já que foi com base numa conversa com um informador da polícia em que designou Gomes Freire de Andrade por “o nosso homem” identificando-o assim, como líder da conspiração e condenando-o sem saber.

Gomes Frei de Andrade e vários dos seus companheiros foram condenados à morte e executados em Outubro de 1817. Outros, mais afortunados, foram degredados para Angola. Caetano Borja nunca chegou a ser preso. Refugiou-se na Serra da Arrábida e aí permaneceu escondido durante quase quatro anos, até que os ventos políticos mudaram e pode finalmente, deixar a clandestinidade, referindo-se a este período afirma que “passou quarenta meses enterrado” e dessa forma escapou à pena de degredo para Angola.

Amnistiado, em 1822, regressou ao serviço no Regimento de Voluntários de Milícias a Pé da Cidade Lisboa Ocidental até que de novo, foi apanhado pela história: em finais de Julho de 1827, na sequência da demissão de Saldanha, organizaram-se em Lisboa manifestações que por terem decorrido de noite, à luz de archotes, ficaram conhecidas por “archotadas”. Julgado por insubordinação Caetano Borja foi considerado inocente, mas meses depois D. Miguel assume o poder e não perdoa: Caetano volta à clandestinidade e, é preso. Passou os anos da Guerra Civil entre o Limoeiro e o Forte de S. Julião só sendo libertado depois da "batalha de Cacilhas" (1833) e encontrava-se entre aqueles que, em 1834, pegaram em armas e aclamaram a rainha D. Maria II, na cidade de Lisboa.
Os anos na prisão arruinaram a sua saúde e não o beneficiaram em termos de carreira militar, por isso, apresentou diversas petições para ser ressarcido. Finalmente, foi nomeado capitão adido do batalhão móvel de Almada em 1837 como compensação pelos seus serviços à causa da liberal.
A morte surpreendeu-o na Praça da Figueira em 1849.
Caetano Alberto Borja, o Amora foi um herói da causa liberal, a sua vida aventurosa não lhe trouxe riqueza e foi rapidamente esquecido. Merece ser reconhecido e lembrado na terra que o viu nascer.
* A proximidade com Gomes Freire de Andrade leva a terá sido maçon e é nessa condição que referenciado por A.H. de Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal, vol I.
Reproduções:
Assento de casamento (Arq. Paroquial de Cascais)
slide da exposição Felizmente há luar - 200 anos da execução de Gomes Freire de Andrade (ANTT)
Processo de Gomes Freire de Andrade (ANTT)

