“UNISOTRA” A FÁBRICA DE PLÁSTICOS DA CRUZ DE PAU
15.01.24, os amorenses
A “UNISOTRA” inicia as suas actividades laborais no Seixal, no Ano de 1945, na Quinta de D. Maria, na estrada que ligava o Largo dos Restauradores à antiga Estação dos Caminhos de Ferro, com publicação no Diário do Governo n° 251 de 29 de Outubro de 1946.
Iniciou a sua actividade com cerca de 10 Sócios, entre os quais se encontram nomes como Henrique Champalimaud, Gordan Bailony (Jugoslava) e Luís da Costa Ivens Ferraz. Investia-se na altura neste novo sector productivo e dava-se início à era do plástico, substituto de muitos outros materiais, com particularidade na construção civil, agricultura e transportes.
Com uma área coberta relativamente pequena, utilizava como parque de matérias-primas, os terrenos ribeirinhos do Estaleiros Navais do Seixal e como armazém de produtos acabados, as antigas instalações da Fábrica de Conservas ”Almeida & Pólvora Lda”, as quais viriam a ser mais tarde reconvertidas em dependências camararias e em Tribunal Concelhio.
Nesta fase inicial, em finais dos Anos 40 e durante a década de 50, a empresa evoluiu substancialmente na construção de diversos artigos em plástico, funcionando com algumas dezenas de trabalhadores, que se dedicavam à produção de Expositores para Montras, Bengalas para Chapéus de Chuva, Faróis para Carros (stops e piscas), assim como milhões de Boias (de plástico) destinadas a pesca.
Numa segunda fase, o número de artigos produzidos viria a aumentar e passaram também a ser fabricados Brinquedos, Cinzeiros, Bandejas e muitos outros artigos de utilidade doméstica.
Finalmente numa terceira fase, a partir de 1954, dedica-se de uma forma especial à produção de tubos de plástico, destinados a canalizações de águas e esgotos.
Foram milhões de metros de tubo, produzido não só para o Território Nacional como para o Ultramar. A matéria-prima, bidões de alcatena, chegava por rio em bidões, transportados por varinos que atracavam num Cais próximo das instalações desta empresa e eram expedidos por camioneta.

EM 1959 A MUDANCA PARA VALE DE GATOS NA CRUZ DE PAU
Em finais da década de 50 e devido à grande solicitação dos seus produtos, a “UNISOTRA” vê-se na necessidade de ampliar as suas instalações, desta forma, foi construída uma nova fábrica em Vale de Gatos. Era nesta altura a maior e mais bem equipada fábrica de plásticos do país, chegando a empregar no início dos Anos 60 cerca de 150 trabalhadores, com grande percentagem de mulheres.
Das espaçosas e desafogadas oficinas desta nova fabrica, encontravam-se Máquinas de Moldagem, Máquinas de Extorsão, Máquinas de Impressão e outras, cuja qualidade de produção era acompanhada pelos serviços de laboratório e os empregados dispunham de bem equipados lavabos, vestiário e refeitório.
A fábrica era munida de um posto de transformação de eletricidade próprio, que entre outras coisas, garantia a iluminação permanente do seu nome em néon, voltado para a Estrada Nacional 10.
EXPANÇÃO E PROSPERIDADE


Excelentes instalações e grande procura no mercado, marcam os anos 60 desta firma, que vê os seus negócios expandirem-se por todo o país, com delegações em várias cidades como Porto, Coimbra, Santarém e Faro, exportando para países como Franca, Bélgica, Canadá e outros.
Com capital na Bolsa, esta Sociedade Anónima, com sede na Rua da Emenda, N °. 19 em Lisboa, teve nesta altura muitas dezenas de acionistas, entre os quais os próprios trabalhadores.

As modernas tecnologias utilizadas para a época e laborando 24 horas por Dia, em turnos contínuos e sucessivos, passou a produzir essencialmente tubagens, algumas de grande calibre, destinadas a canalizações diversas. As condutas que levaram a água de Faro para a Ilha da Culatra foram feitas com tubos desta firma, assim como grande parte das tubagens utilizadas no “Metro de Lisboa”.
A “UNISOTRA”, possuía nos seus quadros de pessoal, quatro Engenheiros que se deslocavam e responsabilizavam pelas montagens no terreno, para além da produção das tubagens.
Dos demais materiais produzidos, para alem da tubagem, podemos destacar os materiais de Laboratório, como tubos de ensaio e boiões, cestos para a roupa, baldes e alguidares, sacos de plástico onde poderia ser aplicado estampagem publicitaria e outros.
EM 1998 APÓS MAIS DE 50 ANOS, O DECLINIO

Neste Ano de 1998 e com apenas 6 trabalhadores, dois homens e quatro mulheres, esta fábrica com mais de meio seculo de existência, vivia os últimos tempos da sua actividade. Numa acentuada fase de regressão, produzia apenas tubagens e acessórios em polietileno de baixa e media densidade, destinados especialmente para sistemas de regas automáticas, onde se inclui a designada “gota-a-gota" e a “dispersão por leque”.
Como ajuda económica da empresa, eram nesta altura também comercializados outros artigos em plástico, produzidos noutras unidades industriais, como as tubagens em PVC, amplamente utilizadas.

Já depois do Ano 2000, as actividades laborais parariam definitivamente, passando as espaçosas instalações fabris a serem reutilizadas pelos “Bombeiros Voluntários de Amora”.
Fonte Utilizada:
Livro “Amora Memórias e Vivências D’Outrora, Editado em 2006 pelo Prof. Manuel Lima
Fotos do Prof. Manuel Lima com arranjos de Antero Ferreira