A ÚLTIMA HABITANTE DA CORRENTEZA DOS ALEMÃES
18.03.24, os amorenses
Após a partida dos Alemães, do Bairro Operário, situado na Marginal Silva Gomes, as casas da Correnteza dos Alemães, foram habitadas por Famílias Amorenses.
Construído em finais do Seculo XIX, estas 20 casas eram compostas por dois modelos, o primeiro com 4 divisões, era composto por sala, dois quartos e cozinha, com uma área de 64 metros quadrados, o segundo modelo compunha-se de 5 divisões, sala, três quartos, e uma cozinha recuada, com cerca de 80 metros quadrados.
Estas moradias apesar de “luxuosas” para este tempo, não possuíam casas de banho, sendo as necessidades efectuadas nas “Tigelas da Casa” (penicos) e atirados ao Rio Judeu ali a dois passos, nem água canalizada, sendo que cada casa tinha um poço nas traseiras, mas que a água não era das melhores, sendo o abastecimento da mesma efectuado nos poços das quintas vizinhas, com maior qualidade.
Em 1935, iniciava a laboração no mesmo espaço da “velha” Fábrica de Garrafas de Amora, os “Productos Corticeiros Portugueses, Lda.”, dez anos depois, em 1945, Miquelina Miranda Vieira, nascida a 14 de Setembro de 1918, em Coina, viúva de João Fernandes Júnior, Marinheiro da Armada, muda-se para a Amora, com a intenção de trabalhar nesta fábrica e vem morar para o número 130 da Marginal Silva Gomes, conhece Joaquim Ferreira Coelho e casam em 1952, ficando a morar nesta morada.
Joaquim Ferreira Coelho morre em 1975 e Sra. D. Miquelina ficou viúva pela segunda vez.
Em 1954, com o fecho dos “Productos Corticeiros Portugueses, Lda.” a Firma “Queimado & Pampolim” inicia a sua actividade nesta mesma fábrica, com o mesmo equipamento e com o mesmo pessoal, onde se encontrava a Sra. D. Miquelina Miranda Vieira.
Durante estes anos 50 do Século XX, depois da compra do Bairro por parte de Jaime Gomes Duarte, algumas destas casas foram vendidas ou alugadas para estabelecimentos comerciais, como foram o caso da Fancaria de Albano Sebastião, da Farmácia de Manuel Rego de Almeida ou da Mercearia do Tomás das Loiças.
No início do Seculo XXI, são já poucos os residentes destas casas, onde se encontram alguns Octogenários e Nonagenários como a D. Miquelina e D. Perpétua dos Santos, respetivamente.
A Sra. D. Miquelina Miranda Vieira foi a última a sair da Correnteza dos Alemães, em 2004, tendo regressado a sua terra natal, Coina, para casa do seu único filho vivo, vindo a falecer alguns meses depois, em 23 de Setembro de 2004, com 86 anos de idade, de doença.
Fontes Utilizadas:
- Livro “Amora Memórias e Vivências D’Outrora, Editado em 2006 pelo Prof. Manuel Lima
- Jorge Silva (Neto da Sra. D. Miquelina)