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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

ERMIDA DE SANTA MARTA NA FREGUESIA DE AMORA

04.08.25, os amorenses
ERMIDA DE SANTA MARTA NA FREGUESIA DE AMORA

Ermida de Santa Marta de Corroios 1.jfif

Estava situada na actual “fronteira”, entre as freguesias de Amora e Corroios, no local conhecido por Santa Marta de Corroios.
A sua primeira edificação remonta ao ano de 1565.
Era um imóvel com capela maneirista, de planta simples com fachada principal de empena triangular e com cobertura em telhado de duas águas.
Planta rectangular, simples, constituído por um corpo rectangular de volumetria de sentido horizontal. Edifício rebocado e pintado de cor branca, apresentando-se toda a cantaria exterior pintada de cor azul.
Fachada principal voltada a Oeste de pano único definido por cunhal e faixa pintada de cor azul imitando embasamento, terminando com pequeno friso.
Fachada posterior de um pano, com empena aberta por dois óculos ovais
.
O seu interior de nave única e capela-mor, separados por arco pleno numa estrutura em alvenaria, para colocação de duas portas. Janelas e portas em ferro forjado com gradeamento.
 
A romaria em honra de Santa Marta, realizava-se nos dias 28 à tarde e à noite e no dia seguinte, 29 de Julho, Dia de Santa Marta, cujos festejos para alem das cerimónias religiosas com missa cantada, sermão e procissão, se invocava a protecção para as donas de casa e contra febres e epidemias.
 
Durante os dias de festejos não faltavam os piqueniques, feitos à sombra das frondosas árvores existentes nos arredores da Capela, as vendas dos bons vinhos da região e dos genuínos bolinhos de Santa Marta, feitos segundo receita local, para além dos despiques musicais no coreto, montado temporariamente, entre as bandas de música da Amora e do Alfeite.
Estas grandes romarias registaram-se entre os séculos XVIII e XIX por estas bandas e juntavam pessoas de Almada, Amora, Arrentela e Caparica.
 
Em 16 de Outubro de 1922, um Auto de Arrolamento do Ministério da Justiça, levou uma comissão formada por elementos da Camara Municipal do Seixal, composta por António Mariano Lopes da Silva Barros, administrador deste concelho, Armando Nobre, chefe da repartição de finanças e José Xavier dos Santos, membro indicado pela respectiva camara municipal, a fim de se proceder ao arrolamento da Ermida de Santa Marta.
Procedeu-se ao arrolamento com a assistência do Regedor da Freguesia, Custodio Miguel Sobral, que informou esta comissão, das obras feitas há pouco tempo pelo cidadão Manuel Luís de Carvalho, a fim de ali promover uma festa religiosa e que todo o seu recheio se encontrava entregue ao fiel depositário Domingos dos Santos Costa, casado, proprietário, guarda rural e morador neste lugar.
 
O então administrador deste concelho, Sr. António Mariano Lopes da Silva Barros, enviou uma carroça, acompanhada de polícia, a Quinta da Princesa, buscar as imagens da ermida, tendo as mesmas sido levadas para a prisão concelhia, o que provocou grande polemica, pois, os crentes não viram com bons olhos, o facto dos santos se encontrarem “presos”.
 
Estas imagens, acabariam por ser vendidas a um antiquário de Lisboa, pela Comissão de Administração dos Bens das Igrejas de Lisboa, tendo Manuel Saraiva de Carvalho adquirido duas delas, a de São Sebastião e a de Santa Marta. Esta última viria a ser oferecida de novo, a filha do Sr. Joaquim Trindade, D. Maria Anunciação Trindade, que a guardou durante muito tempo.
 
A imagem de Santa Marta, apos receber restauro, voltaria a ser devolvida ao culto, desta vez na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça, acabando por se perder o seu paradeiro.
 
Na entrega ao Governo do edifício da Ermida, esta seria transformada em Escola Oficial do Ensino Primário durante o ano de 1923, onde o professor habitou a mesma.
 
O imóvel foi demolido em 24 de Maio de 2005, na sequência das obras de remodelação da rede viária e arranjos de espaços exteriores, no âmbito da implantação do Metropolitano Sul do Tejo
 
Fontes Utilizadas:
- Divisão de História da Camara Municipal de Almada
- Portal Nacional dos Municípios e Freguesias
- Ecomuseu Municipal

Visita da Familia Real ao filho D. Augusto de Bragança em Amora

04.08.25, os amorenses
VAGUEANDO PELA HISTÓRIA DE AMORA

D. Augusto de Braganca.jpg

Vagueando pela história de Amora, em paralelo com a história de Portugal, encontramos alguns aspectos e pessoas, que nos dizem que a nossa terra terá sido, vastas vezes visitada, por parte da Família Real Portuguesa, para além de outras individualidades importantes que, entretanto, tiveram Quintas, Propriedades ou Terrenos, em diferentes épocas do tempo, em Amora.
 
Hoje encontrámos mais um “pedaço da História de Amora”, que queremos partilhar com todos e que nos conta a visita do Rei D. Fernando II e sua segunda esposa, Elise Hensler (Condessa de Edla) ao oitavo filho do Rei e de D. Maria II, D. Augusto de Bragança, na sua propriedade em Amora, Palacio do Cheira Ventos e Quinta da Princesa, onde passaram o dia de 10 de Novembro de 1883.
 

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Fonte Utilizada: Diário Digital

A FAMILIA REAL PORTUGUESA EM AMORA

04.08.25, os amorenses

A FAMILIA REAL PORTUGUESA NA QUINTA DA PRINCESA EM AMORA

Diario Digital Almoco na Qta. da Princesa.jpg

Foi exactamente há 140 anos, no dia 24 de Dezembro de 1884, que a Família Real Portuguesa se reuniu, na Quinta da Princesa, propriedade do Infante D. Augusto de Bragança, para o Almoço de Natal familiar da Monarquia Portuguesa e amigos.
 
Presentes estiveram o Rei Consorte D. Fernando II, o Infante D. Augusto de Bragança, o Príncipe D. Carlos, a Condessa de Edla (Elise Hensler, segunda esposa do Rei D. Fernando II), o Marquês da Fronteira (D. José Maria Mascarenhas), o Conde de S. Thiago, o Barão de Kessler, D. António de Lencastre, João de Mello, Telles, Duvol Telles, Sequeira e Roeder.
 
Uma preciosidade, este pequeno recorte de jornal, encontrado no Diário Digital e que nos retrata a época natalícia da Família Real Portuguesa, passada há cento e quarenta anos nesta pequena aldeia que era a Amora na altura, rodeada pelo Rio Judeu, quintas e propriedades e que deixou vincada para a história, a passagem de D. Augusto de Bragança, cuja dedicação à sua propriedade, o Paço de Amora e o seu Palácio do Cheira Ventos, levou o nome de AMORA por esse mundo fora, com a produção de vinho e a sua Coudelaria com a criação de cavalos, dos quais recebeu alguns prémios em Exposições.
 
Fonte Utilizada: Diário DigitaL

A PRIMEIRA CAIXA POSTAL EM AMORA

03.08.25, os amorenses
1916 – CARTA ABERTA AO POVO D’AMORA
A PRIMEIRA CAIXA POSTAL EM ESPAÇO COMERCIAL EM AMORA

Carta abert ao povo de Amora de Carlos Fernandes.j

Hoje vamos falar do primeiro espaço comercial onde ficou instalada a Caixa Postal em Amora e do seu proprietário, o Sr. Manuel da Silva Abril, um marítimo amorense, que de alguma forma conseguiu o seu “pé-de-meia”, para abrir uma mercearia, que segundo ele afirma, ter sido a primeira em Amora. A mesma situava-se no Edifício da antiga sede da Sociedade Filarmónica Operária Amorense, na Marginal Silva Gomes.
 
Foi a 22 de novembro de 1916, que o Sr. Manuel da Silva Abril, editou e mandou imprimir, uma explicação ao povo amorense sobre a Caixa Postal, que o Ministro do Trabalho e Director Geral dos Correios e Telégrafos, decidira entregar-lhe, após ser retirada ao Sr. João da Cruz Mendes, um individuo e não um espaço comercial, que pelo que entendemos, manejava a função a seu belo prazer.
 
Encontrando-se o Sr. João da Cruz Mendes, que era o Pai do Director do Jornal “A VOZ D’AMORA”, Sr. Damião Valdez Mendes, sem tempo para a mesma, pois afirmava ter muitos afazeres, tentou junto do Ministro do Trabalho, que a mesma fosse entregue a um amigo, o Sr. António José Rafael, outro individuo e não um espaço comercial, alegando que desta forma não haveria a interrupção no correio.
 
O Ministro do Trabalho, António Maria da Silva e Director Geral dos Correios e Telégrafos, decidira o que era comum nas localidades como Amora, em que a Caixa Postal era entregue ao espaço comercial mais importante, um local publico, onde as pessoas se pudessem deslocar em qualquer dia da semana, mesmo ao Domingo e que o seu proprietário não era pessoa de se ausentar e deixar o negócio entregue a quem não soubesse ler e escrever e que o seu comportamento, moral e civil, era bom.
Enfim uma pessoa idónea, que oferecia todas as garantias de bem servir o publico e os Correios, mantendo actualizadas e em funcionamento as fórmulas de franquias.
 
Como nota, deixamos a informação que o jornal “A VOZ D’AMORA” iniciou a sua actividade a 5 de novembro de 1916, com o seu primeiro número. O Sr. Manuel da Silva Abril ainda pensou em colocar o seu texto neste mesmo número 1, mas achando que para a primeira edição do jornal e devido ao relacionamento do director do mesmo (filho) do Sr. João da Cruz Mendes, não lhe seria permitido a inclusão do seu texto e desta forma decidiu fazer a impressão do mesmo e distribuir pela população.
 
No seu número 2, de 17 de novembro de 1916, o jornal “A VOZ D’AMORA” inclui um artigo do Sr. João da Cruz Mendes, onde afirma politiquice, politiquice, empenhoca, empenhoca, querem abafar a razão e o direito. Sentindo-se injustiçado perante o Ministro do Trabalho que o exonerou da Caixa Postal, sem que a mesma fosse parar nas mãos do seu amigo o Sr. António José Rafael. No entanto no número 3, deste mesmo jornal, ainda o Sr. João da Cruz Mendes, faria referência ao assunto, que dizia tratar-se de uma injustiça por parte do Ministro António Maria da Silva.
 
Fontes utilizadas:
- Agradecimento Especial ao Amigo Carlos Fernandes, que nos fez chegar um documento importantíssimo para a investigação dos Correios em Amora e que devido ao mesmo, podemos acrescentar um pouco mais de história dos Correios em Amora, dos amorenses e da evolução que os mesmos deram a nossa terra, ao longo dos tempos.
- Wikipédia e Ecomuseu Municipal

A ESTAÇÃO DE CORREIOS EM AMORA

03.08.25, os amorenses
A ESTAÇÃO DE CORREIOS EM AMORA E A FAMILIA SOARES

Maria Lucinda Delgado Cubiça cs.jpg

Terá sido no início do Ano de 1961 e não em 1964 como dissemos no POST anterior, que a D. Lucinda iniciou a sua carreira em Amora, no mesmo local que dissemos anteriormente, ficando a mesma a funcionar na Estância do Sr. Arlindo Pedro, na porta ao lado, que fazia parte da mesma, através de uma passagem interior, enquanto a nova Estação de Correios na Rua 1° de maio, no Prédio do Sr. Júlio Dentinho, ao lado da Junta de Freguesia de Amora, ficava pronta e operacional, tendo sido inaugurada em 28 de maio de 1962. Anteriormente a esta data, os serviços funcionaram numa papelaria que existiu no mesmo local, ao lado da Estância do Sr. Arlindo Pedro, segundo alguns anciãos, habitualmente nossos colaboradores, na Papelaria da Fatinha, filha do Sr. Olímpio Pereira Nunes, que ao lado tinha uma serralharia, no mesmo local onde futuramente, iria funcionar a loja de motos de João Almeida.

Eduardo Augusto Soares cs.jpg

Para escrevermos sobre a Estação de Correios de Amora, teremos obrigatoriamente de falar do casal Soares, o Sr. Eduardo e a Sra. D. Maria Lucinda, a pessoa que veio chefiar a mesma e que o fez de uma forma tão dedicada que obteve o calor, a amizade e a simpatia do povo amorense, pela ajuda que prestava, pela sua bondade e pela confiança que de forma profissional e amigável, soube transmitir a todos os amorenses.
Sabemos que nasceu em Lisboa, na Freguesia da Graça, a 29 de abril de 1934 e que frequentou a Faculdade, não tendo terminado a mesma devido à falta de completar uma das cadeiras e também por ter decidido aproveitar a oportunidade de vir chefiar a estação dos CTT em Amora, concurso que ganhou a três outras colegas candidatas ao posto, sendo na altura funcionaria dos correios em Lisboa.
 
Vamos sair um pouco da nossa Amora e rumar a Novo Redondo (actual Sumbe), cidade do Litoral de Angola, Capital da Provincia do Cuanza Sul e acompanhar a viagem de um jovem angolano, que teve a oportunidade de viajar para Portugal, onde vinha conhecer a terra natal de seu Pai, a cidade de Espinho, no Ano de 1954.
 
Neste mesmo ano (1954) em Lisboa, conhece a D. Maria Lucinda e aqui começa um namoro que viria a seguir com o casamento, cinco anos depois, em 1959, na cidade de Évora, local onde a D. Lucinda morou a partir dos 12 anos e onde o Sr. Eduardo Soares jogou como Guarda Redes do Juventude Évora. Era também onde toda a família da D. Lucinda habitava e o casamento deu-se na Igreja de Santo Antão, na Praça do Geraldes em Évora a 08 de dezembro de 1959.
 
No início da década de 60, a morarem em Lisboa e após a D. Lucinda ter ganho o concurso para a chefia da Estação de Correios de Amora, localidade que não conheciam, decidem fazer uma visita à terra que viria a ser a sua, para onde vinham morar e constituir família.
As viagens nos barcos Cacilheiros e de Autocarro até Amora foi feito com alguma curiosidade, no entanto chegados ao local e após algum conhecimento próprio por vários locais da terra e alguma interação com os amorenses, o Sr. Eduardo comentou com sua esposa, “estas a ver Lucinda, uma terra bonita, de gente simpática, com um Rio e uma equipa de futebol”.
 
O casal Soares ficou deliciado com a nossa Amora e por aqui ficou, organizou a sua vida, constituíram família, tendo a D. Lucinda contribuído com o seu profissionalismo na área dos correios e telefones. O Sr. Eduardo trabalhava em Lisboa, era fiscal da Junta Nacional dos Vinhos e todos os dias passou a fazer o mesmo trajecto de Amora para Lisboa e no sentido contrário.
 
Em 1960 nasce o primeiro filho do casal, o Eduardo Cubiça, em Lisboa, na Freguesia de São Jorge de Arroios, bem conhecido de todos os amorenses, em especial de todos os que nasceram na década de 60 em Amora e que lidaram com esta família bem conhecida na nossa terra.
O Eduardo e sua irmã Manuela, nascida a 19.12.1965, embora tenham nascido em Lisboa, na Freguesia de São Jorge de Arroios, sempre foram amorenses, por consideração própria e pelos amorenses, pois foi aqui que cresceram, aqui andaram na escola e aprenderam a vida, que os lançou como professores e hoje com as suas carreiras ao serviço do Ministério da Educação.
 
Após muitos anos sem nos vermos, e querendo saber algo mais sobre os seus pais e a relação com a Estação de Correios de Amora, liguei ao meu amigo Eduardo Cubiça e durante alguns minutos de conversa, o Eduardo possibilitou-nos a oportunidade de adicionar mais um capítulo da história da nossa terra, a Estação de Correios de Amora.
 
CURIOSIDADES FAMILIARES
O nome Cubiça e que o Eduardo adoptou e pelo qual é conhecido, era o nome do seu Avô Materno, natural de Moura, no Distrito de Beja. Segundo Eduardo, um homem inteligente, que veio para Lisboa tirar o curso da “AEG Telefunken” de Técnico de Rádios, uma profissão importante para uma época em que cada casa portuguesa, tinha um rádio e que foi por muitos anos, o aproximar das pessoas à vida real no país em diversas vertentes.
 
Os netos do casal Eduardo e Lucinda Soares, filhos de Eduardo Cubiça, receberam o nome do bisavô, sendo Cubiça Soares, uma surpresa que Dora, a esposa do Eduardo, lhe proporcionou com muita felicidade, aquando do primeiro filho do casal.
 
Todos os amorenses, adeptos do Amora Futebol Clube, conhecem a intensidade que o Socio Eduardo Cubiça, SEMPRE aplica no seu apoio ao clube da nossa terra, em todos os seus jogos. O seu grito de apoio, muitas vezes feito a uma só voz, faz-se ouvir pelo mundo inteiro, através dos jogos televisionados do nosso Amora FC, que eu testemunho aqui no Canada.
 
Actualmente, a Família de Eduardo Soares e a Família da Manuela Guerreiro, Pais e Filhos, TODOS, são Sócios do Amora Futebol Clube e o apoio por parte dos mais novos, é algo que já existe de uma forma intensa e regular.
 
Agradecimento especial ao Eduardo Cubiça, pela sua colaboração neste POST e pela amizade ao longo dos anos. Esta é a forma de conseguirmos, que a nossa história seja escrita e deixada para os futuros amorenses, contada pelos filhos de pessoas que ajudaram a construir uma Amora melhor e capaz de servir o seu povo, acompanhando a evolução.
 
Fontes utilizadas:
O nosso obrigado a Tulio Soares e Ligia Pereira pelas suas memorias e colaborações com “As Raízes de Amora”.
Livro “AMORA um corpo imenso ainda sem alma” de Manuel Matias

OS CORREIOS EM PORTUGAL

03.08.25, os amorenses
BREVE INTRODUÇÃO SOBRE OS CORREIOS EM PORTUGAL
A MERCEARIA AMORENSE E OS CORREIOS EM AMORA

Carta Regia de 1520 de D. Manuel I para os Correio

Os correios em Portugal, celebraram no passado ano de 2020, quinhentos anos de atividade postal, depois da Carta Régia de 6 de novembro de 1520, emitida em Évora por D. Manuel I e que criava o Ofício de Correio-Mor, cargo entregue a Luís Homem, cavaleiro da Casa Real que por várias vezes, havia cumprido a missão de levar correspondência régia a diversas capitais europeias.
 
A Carta Régia detalhava em pormenor, um conjunto de obrigações e responsabilidades da organização e funcionamento deste serviço público, que funcionou até 1797.
Em 1606, Luís Gomes da Mata, um fidalgo importante, compra o Ofício de Correio Mor que ficou na família até 1797.
 
A 18 de Setembro de 1798 foi criado o serviço de MALA-POSTA para transporte de Correspondência, Passageiros e Mercadorias. O trajecto de Lisboa até Coimbra demorava cerca de 40 horas, com a pernoita numa estalagem, onde era servida uma ceia e onde se efectuava a muda de cavalos.
 
Na chegada aos locais de entrega do correio, eram afixados os destinatários das cartas ou encomendas postais. A partir de 1805 eram estes serviços dos Correios que davam os nomes às ruas e atribuíam os números das casas.
No início do Século XIX (1800-1900), inicia-se a distribuição domiciliaria de correio em Lisboa e arredores pelos “CARTEIROS” e em 1821 foram regulamentados e levados a pratica os MARCOS DE CORREIO na via pública.
 
Em meados do Século XIX, foi o Ministro Fontes Pereira de Melo, que efectuou uma verdadeira reforma nos serviços de correio do país, tornando o mesmo num verdadeiro serviço público. Em 1853 a MALA-POSTA é substituída pelo Comboio, após a inauguração da primeira linha férrea em 1853, era o início do COMBOIO CORREIO.
Com a evolução das linhas férreas que se seguiram por todo o país, os correios passaram a ser tratados em andamento, sendo distribuídos pelas estações da linha férrea e pelos serviços dos correios.
 
Os 500 anos de atividade postal, não são 500 anos dos CTT.
 
Esta sigla, CTT (Correios Telégrafos e Telefones), foi criada pela primeira vez em 1936, através da Portaria n. ° 8:517 de 28 de agosto de 1936, promulgada pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, Joaquim Jose Andrade e Silva Abranches.
Nos anos anteriores à criação dos CTT, os correios eram entregues nas estações ou em locais de comércio, previamente contactados para o efeito, em vários locais do país.
 
Pensamos que anteriormente aos anos 30 do Seculo XX, o correio era deixado na mercearia existente no Edificio da Antiga Sede da SFOA, na Marginal Silva Gomes, embora nao tenhamos nenhum documento a confirmar.
A proximidade com a Fábrica de Garrafas de Amora e todo o seu correio, bem como a utilização por parte dos trabalhadores Ingleses e Alemães, com a sua correspondencia, leva-nos a pensar que esse seria o local adequado.
 
Sabemos que em Amora e no inicio dos anos 30 do Século XX, o correio era recebido e enviado na Mercearia Amorense, na Rua dos Lobatos, do Sr. Luiz Henriques e de sua esposa a Sra. Armanda Henriques, no entanto a morte do Sr. Luiz Henriques trouxe alguns problemas à esposa, que ainda aguentou o negócio por algum tempo, mas viria a encerrar por vários motivos.
 
No início dos anos 30, esta mercearia foi alugada a outro comerciante, não conseguimos apurar informação concreta se o Correio continuou a funcionar na mesma mercearia ou se terá passado para outro local de comércio, na histórica Baixa Amorense.
Mais tarde e sem precisarmos o ano, o mesmo local de comercio pertencente à família Henriques, reabre de novo, desta vez como CAFÉ AMORENSE, com Manuel Henriques, o filho, à frente do negócio, com a Mãe a seu lado, ficando o local conhecido pelos amorenses pelo café do Manuel da Armanda.
 
OS CORREIOS EM AMORA
Foi em1964, ano em que finalmente os CTT, decidem colocar uma funcionária a receber e a enviar correio em Amora, ficando a mesma a funcionar na Estância do Sr. Arlindo, na porta ao lado, que fazia parte da mesma através de uma passagem interior, de um espaço para o outro, enquanto a nova Estação de Correios na Rua 1° de maio, no Prédio do Sr. Júlio Dentinho, ao lado da Junta de Freguesia ficava pronta e operacional para funcionar.
(Continua em breve)
Fontes e Imagens, CTT e Blog Restos de Colecção

A FAMILIA RASTEIRO E A SUA QUINTA

03.08.25, os amorenses
A FAMILIA RASTEIRO DE AMORA DE CIMA E A SUA QUINTA

Familia Rasteiro cs.jpg

Porque a história só conhece o que alguém contou, vamos hoje falar de uma quinta e de uma família amorense, “A Quinta e a Família do Rasteiro”, na Amora de Cima.
 
Quem foi o “Rasteiro”?
Foi o último a usar este nome, pois todos os filhos e esposa, foram registados com o nome de família Ribeiro. Os familiares ainda vivos não sabem a razão desta decisão, por parte dos Avós, no entanto todos eles eram e são conhecidos por Rasteiros.

Embora não tenhamos conseguido a localidade e data de nascimento do Sr. Joaquim Ribeiro Rasteiro, pensamos que terá sido por volta da última década do Seculo XIX, que este Fazendeiro, natural da Região de Viseu, vem para a Amora, onde conhece a sua companheira de vida, Lucrécia de Ascensão Ribeiro, de famílias amorenses.

O casamento realizou-se na Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, em Amora de Cima, local onde Joaquim Ribeiro Rasteiro adquiriu os terrenos de uma quinta, edificando aquela que foi conhecida pela Grande Quinta do Rasteiro.
Situava-se na Amora de Cima junto ao Cruzeiro, cuja entrada ficava na Azinhaga que ligava Amora de Cima com a Amora de Baixo e que se encontrava entre as Quintas do Rasteiro e a Quinta do Sr. Manuel Ovelheira, hoje conhecida por Rua Carlos da Costa Lima.

Esta quinta, acompanhou o Século XX até a sua venda e urbanização. A produção agrícola e bovina eram o suporte da família Rasteiro, o leite, o vinho, o azeite, a fruta, as hortaliças e outros, sempre fizeram parte da produção da quinta, cujos proprietários nunca faltaram com a ajuda aos mais necessitados, em tempos e anos difíceis e de fome.
 
Homem de muito respeito, honesto, trabalhador e educado, do tempo da Monarquia, Joaquim Ribeiro Rasteiro manteve os seus valores pela vida fora, passando-os aos filhos e netos, sendo habitual o convite para participar na vida deste concelho, exactamente pelos valores que lhe eram reconhecidos, bem como o seu filho Lazário de Ascensão Ribeiro.
 
Com sua esposa, Lucrécia de Ascensão Ribeiro, constituiu família e tiveram seis filhos, sendo o primeiro José de Ascensão Ribeiro, que faleceu muito novo, com 22 anos, devido a tuberculose. Segundo Maria Ribeiro, um dos netos do casal, “nunca conheci outra roupa na minha Avó, que não fosse “o luto”, devido a morte do meu Tio José.
 
O segundo filho foi Lazário de Ascensão Ribeiro, podemos afirmar que foi o filho que seguiu as pisadas de seu Pai, pois dedicou toda a sua vida à Quinta da Família Rasteiro, tendo sido o último agricultor da mesma e aquele que mais tempo lhe dedicou.
Casou com a Sra. Madalena da Silva Ribeiro e ambos tiveram dois filhos, nascidos na quinta de seus avos, José Joaquim da Silva Ribeiro, conhecido pelos amorenses por “ZECA”, nasceu a 4 de Maio de 1938 e João da Silva Ribeiro conhecido pelo João Rasteiro, atleta do Amora FC e treinador das camadas jovens durante muitos anos, nascido a 29 de Marco de 1948 e falecido a 10 de Setembro de 2012, ambos nascidos na quinta de seus Avós, onde os Pais habitavam.
 
O terceiro filho foi Joaquim de Ascensão Ribeiro, trabalhou toda a sua vida na Fábrica de Cortiça Queimado e Pampolim, até à reforma. Casou com a Sra. Nazaré Ribeiro e tiveram uma filha de nome Leonor.
 
O quarto filho foi finalmente uma rapariga, uma espera muito longa da D. Lucrécia, que há muito queria ter uma menina, que se viria a chamar Margarida de Ascensão Ribeiro.
Margarida casou e teve um filho, o Armindo Ribeiro Gonçalves, moravam fora da Quinta do Rasteiro e trabalhava em costura na sua casa, assim como outras mulheres, em Amora, que condicionadas pela saúde, numa altura em que a tuberculose atacou de novo e levou a Margarida, uma Mãe jovem que deixou um esposo e um filho, que acabaria por ser educado pelo Pai e Avó Paterna, no Correr de Água.
 
O quinto filho volta a ser outra rapariga, Cristina de Ascensão Ribeiro, nascida a 11de Abril de 1920, que viria a ser a Mãe de Maria Ribeiro, para nós a D. Irlanda, uma nossa Amiga desde sempre, Amiga de minha Mãe e de outras famílias que viviam na Amora de Cima e que ao longo dos anos, tem vindo a colaborar com “As Raízes de Amora”, nas memorias do nosso passado, em especial em Amora de Cima, onde nascemos e crescemos.
Cristina de Ascensão Ribeiro ainda trabalhou embora por pouco tempo, na Creche da Mundet, mas a sua dedicação à família, levam-na a ficar em casa, na quinta.
A Idade avançada dos pais e a sua própria família tinham necessidade que ficasse na mesma e assim o fez, até os Pais e ela própria falecerem na Quinta do Rasteiro. Casou com João do Campo Ribeiro.
 
O sexto e último filho foi Jaime Cesário Ribeiro, nasceu em Amora de Cima, na quinta de seu Pai, a Quinta do Rasteiro, no dia 21 de Fevereiro de 1923. Obteve o segundo grau de escolaridade. Casou com a D. Irlanda Ribeiro e ambos tiveram um filho, o Jaime Ribeiro.
Foi durante muitos anos funcionário dos escritórios da Mundet em Amora. Despediu-se para se envolver num negócio de cortiça que não correu bem.
 
A sua seriedade, levou-o a aceitar um convite para os escritórios da “Citroen” em Mangualde, no entanto e devido à idade avançada de seus Pais, e a pedido dos mesmos, pede mais tarde a mudança para os escritórios da firma em Lisboa, onde ficou até à sua reforma. Jaime Ribeiro sempre foi uma pessoa boa, ajudando familiares e amigos.
 
Nos dias de hoje a família Ribeiro, de Amora de Cima, mantem ainda dois familiares na Citroen, João Manuel Ribeiro Lopes, filho de Maria Ribeiro, está na firma desde os seus 18 anos e o filho e Ruben Miguel Pires Lopes.
Durante a sua vida, contribuiu com as colectividades da nossa terra, tendo participado nas direções das mesmas.
Jaime Cesário Ribeiro foi presidente do Amora Futebol Clube nos anos de 1956 e 1959.
 
Durante a urbanização do espaço da quinta, foi Jaime Ribeiro quem se encarregou da resolução da mesma por parte da família, onde participou em reuniões da Camara Municipal. Apos a venda da quinta, a mesma passou a chamar-se Quinta da Galequinha.
 
O Sr. Joaquim Ribeiro Rasteiro tem uma rua em Amora com o seu nome, no espaco da sua Quinta do Rasteiro, hoje Quinta da Galeguinha.
Neste ano de 2025, os herdeiros do nome de família Ribeiro, estão espalhados por vários locais do Pais e do mundo, novas gerações se formam, mas estamos certos de que o nome RASTEIRO, não ficará esquecido pelas novas gerações e pelo povo de Amora, a nossa terra.
Um agradecimento muito especial a Maria Ribeiro e ao António José Ribeiro, pela ajuda prestada com todas as informações, que nos ajudou na construção do texto bem como fotografias de família.

Avenida Marcos Portugal

03.08.25, os amorenses
AVENIDAS, RUAS, TRAVESSAS, PÁTIOS E BÊCOS DE AMORA
OS NOMES E SUAS HISTÓRIAS AO LONGO DOS SÉCULOS

Marcos_Portugal_EMCN_Escola de Música do Conserva

 

Temos vindo ao longo dos anos, a escrever sobre os espaços da nossa cidade, avenidas, ruas, travessas, pátios e bêcos e a história por trás dos seus nomes.
Uma das maiores artérias da nossa cidade é a Avenida Marcos Portugal, que tem o seu início na Rua 1° de Maio e final na Rua 25 de Abril, mas quem foi Marcos Portugal?
 
Nasceu em Lisboa a 24 de Março de 1762 e faleceu a 17 de Fevereiro de 1830, com 67 anos no Rio de Janeiro, no Brasil. Foi um compositor e organista de música erudita, ópera e música sacra, famoso no seu tempo e conhecido por toda a Europa.
Aos 20 anos era organista e compositor da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa e em 1784 foi nomeado maestro do Teatro do Salitre, para o qual escreveu farsas, elogios e entremezes, além de modinhas.
 
A corte encarregou-o de obras religiosas para o Palácio Real de Queluz, bem como outras capelas utilizadas pela Família Real.
Em 1792 e graças à fama angariada na Corte, consegue um patrocínio para ir a Itália, onde permaneceu com interrupções até 1800, compondo várias operas em estilo italiano, muito bem recebidas e encenadas em vários palcos deste país, como o La Scala em Milão, La Pergola e Pallacorda de Florença e San Moisé em Veneza.
 
Foram mais de vinte obras repartidas por Óperas Bufas e Farsas. Marcos Portugal compôs durante a sua carreira mais de 40 óperas.
De regresso a Portugal em 1800, foi nomeado mestre de música do Seminário da Patriarcal e maestro do Teatro de São Carlos de Lisboa, para o qual compôs várias óperas.
 
Em 1807, com a chegada das tropas napoleónicas, a Família Real Portuguesa mudou-se para o Rio de Janeiro, mas Marcos Portugal ficou em Lisboa, chegando a compor uma segunda versão de “Demofoonte” a pedido de Junot, levada à cena no Teatro de São Carlos, para comemorar o aniversário de Napoleão Bonaparte a 15 de Agosto de 1808.
 
Em 1811 Marcos Portugal viajou para o Rio de Janeiro, a pedido expresso do Príncipe Regente D. João, sendo recebido como uma celebridade, nomeado compositor oficial da Corte e Mestre de Música de Suas Altezas Reais, os Infantes.
Trazia na bagagem «seus punhos e bofes de renda, com os seus sapatos de fivela de prata e as suas perucas empoadas, a sua ambição e a sua vaidade.»
 
Construído à imagem do Teatro de São Carlos, em Lisboa, foi inaugurado no Rio de Janeiro, em 1813, o Teatro Real de São João, onde foram encenadas várias de suas óperas. Nessa época escrevia essencialmente obras religiosas com duas excepções conhecidas: a farsa A saloia namorada (1812) e a serenata L'augùrio di felicità para comemorar o casamento de D. Pedro com D. Leopoldina, a 7 de Novembro de 1817. Tinha uma posição privilegiada na Corte, sendo professor de música do príncipe Pedro, futuro Pedro I do Brasil e Pedro IV de Portugal.
Vítima de dois ataques apopléticos, Marcos Portugal não acompanhou D. João VI quando a corte voltou a Portugal em 1821. Com a saúde a deteriorar-se, permaneceu no Rio de Janeiro, onde um terceiro ataque, em 1830f foi fatal.
Morreu relativamente esquecido no dia 17 de Fevereiro de 1830, no Rio de Janeiro.
De acordo com o Artigo 6. § 4.º, da primeira Constituição do Brasil (1824) morreu brasileiro.
 
Marcos Portugal foi um dos mais prolíficos compositores portugueses de todos os tempos. A sua extensa obra encontra-se distribuída por vários arquivos em Portugal, Brasil, Itália, França, Inglaterra, Espanha, Bélgica e Estados Unidos da América. Cultivou os géneros religioso (missas, motetes, hinos, vésperas, matinas) e teatral (farsas, entremezes, óperas bufas e sérias). Compôs muitas obras sacras, entre as quais mais de 20 peças para os seis órgãos da Basílica de Mafra.
 
Fontes Utilizadas:
Biblioteca Nacional Digital
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