A antiga "União Recreativa Amorense" na Amora de Cima (1)
A ANTIGA "UNIÃO RECREATIVA AMORENSE" NA AMORA DE CIMA

Lamentamos nao apresentar uma foto da fachada da sede deste clube, se algum amorense tiver esta foto e queira partilhar com todos agradecemos, assim como agradecemos aos mais antigos que conheçam os nomes que faltam nas fotos.
Em cima: ............., Antero Lopes, ..............., ..................
Em baixo: Jose Trinta, ................., Ludgero Rodrigues e Candido da Conceição
Esta coletividade, hoje já não existente, foi fundada a 9 de julho de 1934, em Amora de Cima, na atual Rua 1.º de Maio, que antigamente se chamava "28 de maio" e praticamente no sítio onde hoje se situam as atuais instalações da Junta de Freguesia de Amora.
Quase em frente das escadinhas, que conduzem ao templo de Nossa Senhora do Monte Sião, esta coletividade, que inicialmente estava muito voltada para a prática do futebol, começou por se designar "União Futebol Clube Amorense".
Fundada, entre outros, por António Nunes Tiago, seu irmão Manuel Nunes Tiago e António Henriques Marques, tinham estes como principais objetivos a criação de uma nova equipa de futebol na freguesia, para além daquela que já existia, o prestigiado "Amora Futebol Clube".
A equipa do "União Futebol Clube Amorense" apresentar-se-ia pela primeira vez no campo do "Atlético Clube de Arrentela", chegando mesmo a disputar o Campeonato Distrital da segunda divisão.
No que refere a instalações desportivas, segundo recolha oral, nunca terá tido grandes disponibilidades financeiras que lhe permitissem suportar a construção de campo próprio, o que pretendeu levar a cabo, na Quinta do Serrado.
Nos primeiros anos de vida, para além do futebol, a coletividade manteve ainda outras atividades desportivas, como foi o caso do ciclismo ou do ténis de mesa.
Tendo em conta que o meio era pequeno e a freguesia de Amora, nesse tempo, muito pobre, tal facto não viria a permitir manter a equipa de futebol durante muitos anos.

Uma das equipas do UFCA que pensamos ser o equipamento camisola amarela e calção Branco. Foram descobertos nos destrocos do clube que ja tinha encerrado, uns equpamentos tipo FC Barreirense mas de cores Amarela e Vermelha. Camisola Amarela com riscas Vermelhas e calções Amarelos.
Ainda nos anos 40, acabou nesta Coletividade a prática do desporto rei, tendo a mesma passado a dedicar-se, quase exclusivamente, a atividades culturais e recreativas.
Em 1948, são feitas obras de restauro na sede social, inclusive no seu frontispício, para as quais se formou uma comissão de melhoramentos e onde se destacaram pelo seu trabalho Ludgero e Joaquim Alminhas.
Pelo menos no início dos anos 50, esta Associação já era conhecida por "União Recreativa Amorense", tendo, entre outras áreas, passado a ser o teatro uma das suas principais dinamizações.
Entre outras peças, levou à cena as seguintes: “Um erro judicial”, “Rosa do Adro”, “Expedicionário”, “Morte Civil” e a opereta “Meu rico S. João”.
No seu aniversário de 1950, à semelhança do que aconteceu em muitos anos anteriores, realizou-se uma sessão solene a que presidiu o senhor Presidente da C. M.S. excelentíssimo senhor Capitão Louro, secretariado pelos Presidentes da Junta de Freguesia e da Casa do Povo de Amora, respectivamente senhor José Pedro Fradique e Manuel de Carvalho. Estando igualmente presente na referida sessão o então pároco reverendo Manuel Marques.
Nos primeiros anos da década de cinquenta foi presidente da sua Direção, António de Oliveira Sousa de Almeida, em 1953 sucedeu-lhe José Manuel Vitorino e em 1955 Manuel Marques Patarra.
A 18 de Maio de 1952, foi feita, no salão de festas da Coletividade, uma memorável homenagem aos professores das escolas de Amora, na altura extremamente valorizados.
Neste período dos anos 50, notava-se por parte das sucessivas Direções uma certa preocupação em promover atividades essencialmente culturais e recreativas, que permitissem aos sócios ascender a novos horizontes e perspectivas.

A Banda da UNIÃO RECREATIVA AMORENSE actuando no palco da sua Sede
Para além das récitas e do teatro ensaiado por José Rosário Simões, cujo lucro era aplicado na melhoria das condições da sede social, a "União Recreativa Amorense" possuía uma biblioteca e promovia, com alguma regularidade, conferências e palestras, em que os convidados a intervir eram individualidades de reconhecida competência.
Na prática desportiva, o ténis de mesa, promovido através de campeonatos realizados no interior das instalações, foi também nesta época uma das atividades mais importantes.
Infelizmente, no princípio dos anos sessenta, as dificuldades financeiras que se verificaram, levaram a que, aos poucos, a Associação, nessa altura com cerca de trinta anos de existência, começasse a perder o fulgor de outros tempos.

Isabel Amora actuando no palco da URA em 1965 foto "Tribuna do Povo"
Em 1963, um dos seus sócios mais influentes de então, o senhor Cândido da Conceição, ainda luta pela sua reanimação cultural, tendo-se a Coletividade mantido até próximo do final dos anos 60, altura em que acaba por fechar as suas portas definitivamente.
Em agosto de 1968, noticiava-se no jornal Tribuna do Povo: "A Direção da União Recreativa Amorense, de Amora de Cima, organiza no próximo dia 15 à noite (Festa de Nossa Senhora do Monte Sião), uma "Soirée dançante", afim de arranjar fundos para fazer face aos elevados encargos, desta prestigiosa e antiga coletividade."
Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima
fotos: Ecomuseu Municipal e Rui Pedro