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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

A "Casa do Povo de Amora Fundada em 1934 (1)

17.02.21, os amorenses

A "CASA DO POVO DE AMORA" FUNDADA EM 1934 

A "Casa do Povo de Amora" foi fundada, em Corroios, a 6 de maio de 1934, tendo em conta que nessa altura Corroios, era um dos lugares da

1 - Primeiro Simbolo da Casa do Povo de Amora.jpg

freguesia de Amora. Tendo sido a freguesia de Corroios restaurada a 7 de abril de 1976, alguns anos mais tarde (1985) passou, então, esta mesma Associação a designar-se definitivamente por "Casa do Povo de Corroios". 

A ANTECESSORA "ASSOCIAÇÃO DE BENEFICÊNCIA FÚNEBRE DE CORROIOS" 

A "Associação de Beneficência Fúnebre de Corroios", popularmente designada por "Casa da Carreta", foi fundada a 23 de abril de 1922, com o fim de ajudar as famílias pobres deste lugar a efetuar os funerais dos seus entes queridos. 

Neste tempo, o cemitério mais próximo localizava-se em Amora, a uns bons quilómetros de Corroios, sendo os defuntos transportados ao longo das estradas, em pesados caixões e a custo de braços. Foi então que um grupo de homens bons, entre os quais Alfredo Alexandre, José Canuto da Glória e Tomás António de Matos, constituídos em comissão, angariaram fundos para a compra de uma carreta funerária, a qual passaria a constituir razão fulcral para a criação da "A.B.F.C.".  
Esta associação, em que se distinguiram, como dirigentes, Cândido Prudêncio da Costa, Josué   Bernardo de Oliveira e Manuel Saraiva de Carvalho, viria a perdurar até 1934, tendo construído a sua sede, no ano de 1928, numa parcela de terreno da Quinta do Conde de Aveiras, sita em Corroios, e oferecida pelo seu proprietário e benfeitor, António Marques Pequeno. Desta construção primitiva fazia parte apenas um salão, um vestíbulo, um gabinete de Direção e um anexo para guardar a carreta. 

3 - Inauguracao do Edificio da Ass. Benficiencia d

OS ESTATUTOS DA "A.B.F.C." E A UTILIZAÇÃO DA CARRETA 

 Os estatutos da "Associação de Beneficência Fúnebre de Corroios" foram aprovados a 17 de outubro de 1925. No seu 1.º artigo eram referidos como fins: a cedência gratuita da carreta para os sócios que falecessem e a atribuição de subsídio às suas famílias para despesas de luto; a cedência gratuita da carreta fúnebre a qualquer pessoa estranha à Associação falecida neste lugar de Corroios, desde que se provasse a sua indigência, com atestado da Junta de Freguesia; assim como a cedência da carreta fúnebre à família de qualquer pessoa que não fosse filiada nesta Associação, mediante um donativo para o seu cofre social. 

No que diz respeito à admissão de sócios, esta Associação admitia como sócios todas as pessoas maiores, de ambos os sexos, nacionais e estrangeiros, necessitando os menores e mulheres casadas de autorização de seus pais e maridos. 

Todo o indivíduo, para poder ser admitido como sócio, deveria vir precedido de boa reputação, não ter mais de setenta anos, não ser desordeiro, nem se entregar ao vício de embriaguez. Constituía dever de todos os sócios o cumprimento dos estatutos, o pagamento de uma joia e das quotas mensais de 1 escudo, assim como acompanhar os consócios falecidos à sua última morada. 

A carreta fúnebre, de cor preta e em madeira, consistia essencialmente num estrado, suportado por um eixo no qual rolavam duas rodas de raios, semelhantes às dos carros de tração animal. Sobre este estrado era colocado o caixão coberto por pano apropriado. À frente possuía um varal comprido, terminando em cruzeta, servindo a mesma de suporte às pegas, onde dois homens, um de cada lado, puxavam ou empurravam. Lateralmente, existiam algumas alças, onde os populares acompanhantes poderiam ajudar, no caso de surgir alguma subida mais íngreme. 

Na deslocação ao cemitério de Amora era inclusivamente comum fazer uma pequena paragem numa antiga taberna existente no Alto da Cruz de Pau, onde se matava a sede, depois de vencida a ladeira do "Muxito". 

Pela sua persistência, força física e espiritual, distinguiram-se na ajuda ao transporte dos falecidos de Corroios alguns homens desta localidade, entre os quais os conhecidos por "Titã", "Curto", "Manuel Charneca" e "Américo Charneca". 

A história desta carreta prolongar-se-ia por largo período de vida da Casa do Povo de Amora, que a partir de 1934 veio suceder à "A.B.F.C.", terminando apenas em fevereiro de 1960, quando foi finalmente posta de parte e vendida por 150 escudos a um negociante de ferro-velho de nome Bento, existente nessa época, junto de Corroios, à direita de quem desce do Laranjeiro. 

O NASCIMENTO DA "CASA DO POVO DE AMORA", SEDEADA EM CORROIOS 

Como ficou referido anteriormente, a "Casa do Povo de Amora" acaba por nascer com base e a partir da "Associação de Beneficência Fúnebre de Corroios", quando a Direção desta última entende por bem aderir ao decreto-lei que cria as Casas do Povo em Portugal. Dois sócios entusiásticos, Josué Bernardo de Oliveira e António Pereira Coelho, vêem na nova legislação tudo quanto desejam para o futuro da sua coletividade. Consultam Manuel Saraiva de Carvalho, na qualidade de Presidente da Assembleia-Geral, que também apoia tal decisão, acabando por serem aprovados, em janeiro de 1934, os novos estatutos referentes à então designada "Casa do Povo de Amora". O alvará seria concedido mais tarde, a 7 de abril de 1934, pelo Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social, Pedro Teotónio Pereira. 

Regendo os seus estatutos pelo Decreto-lei n.º 23.051, passaram a ser fins e objetivo para a recém-criada "Casa do Povo de Amora":  
1.º -A criação de instituições destinadas a assegurar aos sócios, proteção e auxílio no caso de doença, desemprego, inabilidade ou velhice;  
2.º -A promoção do ensino aos adultos e às crianças, incluindo a prática de desporto e a utilização do cinema educativo;  
3.º - A cooperação nas obras de utilidade comum, comunicações, serviços, higiene pública ou outras equivalentes." 

A FESTA DE INAUGURAÇÃO A 6 DE MAIO 

A "Casa do Povo de Amora", sedeada em Corroios é a primeira a ser instituída em todo o Distrito de Setúbal, foi solenemente inaugurada a
6 de 
maio de 1934. 

4 - Inauguracao da Sede da Casa do Povo de Amora 1

Estiveram presentes nesta cerimónia e a presidi-la, entre outras individualidades, o Dr. António Maria do Amaral Pyrrait, representante de Sua Excelência o Senhor Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social, o Dr. Mário Cães Esteves, Governador Civil do Distrito de Setúbal, e o Excelentíssimo Senhor Leopoldino Gonçalves   de Almeida, presidente   da   Câmara Municipal do Seixal. Participaram igualmente nas cerimónias os alunos da Escola Primária de Corroios e a banda da "Sociedade Filarmónica Operária Amorense que executou os hinos da "Maria da Fonte" e a "Portuguesa". 

Nesta sessão inaugural usaram da palavra vários oradores, levantando-se entusiásticas vivas a Portugal, à Casa do Povo e a suas Exas. Os Senhores Presidentes da República e do Conselho de Ministros. 

Nesta data, a Casa do Povo tinha 215 sócios efetivos, 22 sócios beneméritos e 35 sócios protetores, num total de 272. Destes últimos faziam parte algumas empresas, como é o caso da "Mundet e Companhia, Lda." e da "Sociedade Portuguesa de Explosivos, Lda.", assim como algumas casas agrícolas, incluindo-se neste último grupo a "Sociedade Agrícola da Quinta da Princesa", a "Sociedade Agrícola da Quinta da Carapinha", a "Casa Palmela" e os "Herdeiros da Quinta da Atalaia". 

Por seu turno, os primeiros Corpos Gerentes desta Casa do Povo, aprovados em Assembleia-Geral extraordinária de 17 de maio de 1934, foram os seguintes:  

6 - Manuel Saraiva de Carvalho.jpg

Presidente da Assembleia-Geral - Manuel Saraiva de Carvalho 
Vice-Presidente - José dos Santos Ferreira  
Secretário - Benjamim Valente da Fonseca  
Presidente da Direção - António Pereira Coelho  
Tesoureiro - Josué Bernardo Oliveira  
Secretário - Francisco Marques Coelho 

Só um ano mais tarde, a 14 de julho de 1935, foi inaugurado o Livro de Honra e a Bandeira desta instituição, estando presente na cerimónia o Senhor Diretor da Previdência Social, Dr. Pimenta da Gama, que teve a honra de proceder ao seu içamento. Nesta mesma data, houve grandes festejos, fazendo parte dos mesmos um beberete, oferecido pelo Senhor Presidente da Assembleia Geral, Manuel Saraiva de Carvalho, nas suas instalações da Quinta da Água, e um arraial com baile, que durou até às tantas, no edifício sede da Associação em festa.  

Fonte: "Amora Memórias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima