A Construção do Patronato de Amora
A CONSTRUÇÃO DO PATRONATO

O Patronato de Amora no inicio dos Anos 50 - foto Tribuna do Povo
Segundo texto do jornal Tribuna do Povo: "Em princípios do ano de 1951 organizou-se em Amora uma Comissão dinamizada pelo pároco Manuel Marques, com o objetivo de edificar e manter um patronato, em que as crianças fossem recolhidas e alimentadas, enquanto não pudessem estar junto dos pais.
Angariados os fundos necessários para a compra do terreno, que custou vinte escudos o metro quadrado, logo na Primavera seguinte se começaram a fazer os blocos para a primeira fase. (...)
As obras foram-se alargando e desenvolvendo. A primitiva Comissão do Patronato deu lugar à nova comissão do Centro de Assistência Paroquial de Amora.
Nesta data, ano de 1951, (...) O primeiro corpo do edifício estava concluído e quase pronto a funcionar. Logo que estivesse mobilado iria iniciar propriamente a sua função de educação e recreio das crianças, até a idade dos quinze anos.
Nesta grandiosa obra já se tinham gasto mais de trezentos contos, tendo em conta o valor atribuído às ofertas de materiais, mão-de-obra e transportes. É interessante frisar que só em mão-de-obra oferecida ao Patronato e até novembro de 1953, foram cerca de 3600 horas de trabalho não incluindo, os pedreiros, carpinteiros, pintores e eletricistas das firmas "Mundet" e "Produtos Corticeiros"."
Esta importante obra de assistência social, promovida pela igreja local, impulsionada pelo seu pároco de então, reverendo Manuel Marques, viria a constituir motivo em torno do qual se agregou a grande maioria dos habitantes da Freguesia de Amora.
Padre Manuel Marques paroco de Amora 1948 - foto Messias
A primitiva comissão não poupou esforços para angariar ofertas, em géneros ou dinheiro, junto das muitas quintas da região, das fábricas, dos comerciantes e do povo em geral.
Cada entidade ou pessoa dava consoante as suas posses, chegando-se a organizar cortejos de ofertas, com carroças que, vindas dos Foros e de outras regiões da freguesia, traziam até à Igreja Paroquial as oferendas, que posteriormente eram leiloadas.
Para esta obra, as direções das fábricas "Mundet" e "Produtos Corticeiros", contribuíram na altura com respectivamente dez e cinco contos, o que nesse tempo era uma quantia muito apreciável.
Igualmente, para angariar dinheiros para esta obra social, se realizaram algumas festas na "Sociedade Filarmónica Operária Amorense", como foi o caso daquela que se realizou, em agosto de 1952, com grande número de artistas de renome nacional, acompanhados pela orquestra "Casino".
Com projeto efetuado gratuitamente pelos técnicos João Andrade Sousa e Miguel Pestana, compreendia esta obra do Patronato um amplo salão, onde as crianças aprendiam e ocupavam os seus tempos livres, uma cozinha (onde as Cozinheiras D. Maria dos Anjos e D. Estrudes preparavam a comida) e instalações sanitárias.
Equipa de Hoquei em Patins no Ringue do Patronato de Amora (C.A.P.A.) anos 50's
foto: As Raizes de Amora"
No exterior um ringue de patinagem permitia a prática desportiva, nomeadamente o hóquei em patins e a Patinagem artística.
As obras destas primitivas instalações terminaram no ano de 1954, tendo as mesmas permanecido em suas nobres funções até princípios dos anos 80, altura em que no tempo do padre Pedro Cerântola se reconstruiu no mesmo local o novo "Centro de Assistência Paroquial de Amora".
fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima
