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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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A Epidemia

23.11.20, os amorenses
A EPIDEMIA
 
O primeiro quartel do séc. XX foi marcado, em Portugal, e no resto do mundo, pela instabilidade económica, pelos conflitos sociais, pela guerra e, por uma pandemia, que apesar de ter começado nos EUA recebeu a designação de gripe espanhola. Ao longo de séculos as sociedades humanas estiveram periodicamente sujeitas a epidemias, mais ou menos devastadoras: gripe, tuberculose, varíola, tifo, cólera… A pneumónica foi a última pandemia numa era em que as vacinas, os antibióticos, os antivirais estavam prestes a dar luta à doenças e a aumentar a esperança de vida humana… mas enquanto não acontecia, morreram milhões.
 
Na Europa, a urbanização, a industrialização, a pobreza, a I Guerra Mundial constituíram um caldo de cultura para a pneumónica.
Entre tantas notícias a “epidemia” quase passa despercebida. É a falta de bens essenciais que faz manchetes: falta pão, leite…
Morte súbita, colapsos, síndrome de dificuldade respiratória aguda estes os sintomas aliados, ao facto, de os casos mais graves e mortais incidirem sobre a população jovem levaram a um crescente alarme social. Em Portugal, nas três vagas (Maio 1918-Maio 1819) terão morrido cerca de 100 000 pessoas levando Portugal a uma crise demográfica grave.
 
A imprensa da época, por incrível que pareça, não deu grande relevo à “epidemia”. Os jornais nacionais dedicaram pouco espaço a esta doença, mas as referências à sobrelotação dos hospitais, à escassez de medicamentos, à insalubridade, e ao elevadíssimo número de órfãos ajudam-nos a compreender a dimensão humana da tragédia.
 
Próxima de Lisboa, a Amora, não deixou de receber a visita da “senhora espanhola”. A Voz da Amora noticia, em Novembro de 1918, que a epidemia grassava com grande intensidade: “Os atacados [na freguesia de Amora] foram mais de 1000. E o obituário subiu felizmente só a 46 neste mês e meio de peste. Neste número estão incluídos grande número de tuberculosos.”
 
Vd.
Álvaro Sequeira, A influenza espanhola, in História da Medicina, Vol VIII,2001
Seixal, 1914-1918: o outro lado Da guerra – jornal da exposição, Ecomuseu Municipal do Seixal.