A ESTAÇÃO DE CORREIOS EM AMORA E A FAMILIA SOARES
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Terá sido no início do Ano de 1961 e não em 1964 como dissemos no POST anterior, que a D. Lucinda iniciou a sua carreira em Amora, no mesmo local que dissemos anteriormente, ficando a mesma a funcionar na Estância do Sr. Arlindo Pedro, na porta ao lado, que fazia parte da mesma, através de uma passagem interior, enquanto a nova Estação de Correios na Rua 1° de maio, no Prédio do Sr. Júlio Dentinho, ao lado da Junta de Freguesia de Amora, ficava pronta e operacional, tendo sido inaugurada em 28 de maio de 1962. Anteriormente a esta data, os serviços funcionaram numa papelaria que existiu no mesmo local, ao lado da Estância do Sr. Arlindo Pedro, segundo alguns anciãos, habitualmente nossos colaboradores, na Papelaria da Fatinha, filha do Sr. Olímpio Pereira Nunes, que ao lado tinha uma serralharia, no mesmo local onde futuramente, iria funcionar a loja de motos de João Almeida.
Para escrevermos sobre a Estação de Correios de Amora, teremos obrigatoriamente de falar do casal Soares, o Sr. Eduardo e a Sra. D. Maria Lucinda, a pessoa que veio chefiar a mesma e que o fez de uma forma tão dedicada que obteve o calor, a amizade e a simpatia do povo amorense, pela ajuda que prestava, pela sua bondade e pela confiança que de forma profissional e amigável, soube transmitir a todos os amorenses.
Sabemos que nasceu em Lisboa, na Freguesia da Graça, a 29 de abril de 1934 e que frequentou a Faculdade, não tendo terminado a mesma devido à falta de completar uma das cadeiras e também por ter decidido aproveitar a oportunidade de vir chefiar a estação dos CTT em Amora, concurso que ganhou a três outras colegas candidatas ao posto, sendo na altura funcionaria dos correios em Lisboa.
Vamos sair um pouco da nossa Amora e rumar a Novo Redondo (actual Sumbe), cidade do Litoral de Angola, Capital da Provincia do Cuanza Sul e acompanhar a viagem de um jovem angolano, que teve a oportunidade de viajar para Portugal, onde vinha conhecer a terra natal de seu Pai, a cidade de Espinho, no Ano de 1954.
Neste mesmo ano (1954) em Lisboa, conhece a D. Maria Lucinda e aqui começa um namoro que viria a seguir com o casamento, cinco anos depois, em 1959, na cidade de Évora, local onde a D. Lucinda morou a partir dos 12 anos e onde o Sr. Eduardo Soares jogou como Guarda Redes do Juventude Évora. Era também onde toda a família da D. Lucinda habitava e o casamento deu-se na Igreja de Santo Antão, na Praça do Geraldes em Évora a 08 de dezembro de 1959.
No início da década de 60, a morarem em Lisboa e após a D. Lucinda ter ganho o concurso para a chefia da Estação de Correios de Amora, localidade que não conheciam, decidem fazer uma visita à terra que viria a ser a sua, para onde vinham morar e constituir família.
As viagens nos barcos Cacilheiros e de Autocarro até Amora foi feito com alguma curiosidade, no entanto chegados ao local e após algum conhecimento próprio por vários locais da terra e alguma interação com os amorenses, o Sr. Eduardo comentou com sua esposa, “estas a ver Lucinda, uma terra bonita, de gente simpática, com um Rio e uma equipa de futebol”.
O casal Soares ficou deliciado com a nossa Amora e por aqui ficou, organizou a sua vida, constituíram família, tendo a D. Lucinda contribuído com o seu profissionalismo na área dos correios e telefones. O Sr. Eduardo trabalhava em Lisboa, era fiscal da Junta Nacional dos Vinhos e todos os dias passou a fazer o mesmo trajecto de Amora para Lisboa e no sentido contrário.
Em 1960 nasce o primeiro filho do casal, o Eduardo Cubiça, em Lisboa, na Freguesia de São Jorge de Arroios, bem conhecido de todos os amorenses, em especial de todos os que nasceram na década de 60 em Amora e que lidaram com esta família bem conhecida na nossa terra.
O Eduardo e sua irmã Manuela, nascida a 19.12.1965, embora tenham nascido em Lisboa, na Freguesia de São Jorge de Arroios, sempre foram amorenses, por consideração própria e pelos amorenses, pois foi aqui que cresceram, aqui andaram na escola e aprenderam a vida, que os lançou como professores e hoje com as suas carreiras ao serviço do Ministério da Educação.
Após muitos anos sem nos vermos, e querendo saber algo mais sobre os seus pais e a relação com a Estação de Correios de Amora, liguei ao meu amigo Eduardo Cubiça e durante alguns minutos de conversa, o Eduardo possibilitou-nos a oportunidade de adicionar mais um capítulo da história da nossa terra, a Estação de Correios de Amora.
O nome Cubiça e que o Eduardo adoptou e pelo qual é conhecido, era o nome do seu Avô Materno, natural de Moura, no Distrito de Beja. Segundo Eduardo, um homem inteligente, que veio para Lisboa tirar o curso da “AEG Telefunken” de Técnico de Rádios, uma profissão importante para uma época em que cada casa portuguesa, tinha um rádio e que foi por muitos anos, o aproximar das pessoas à vida real no país em diversas vertentes.
Os netos do casal Eduardo e Lucinda Soares, filhos de Eduardo Cubiça, receberam o nome do bisavô, sendo Cubiça Soares, uma surpresa que Dora, a esposa do Eduardo, lhe proporcionou com muita felicidade, aquando do primeiro filho do casal.
Todos os amorenses, adeptos do Amora Futebol Clube, conhecem a intensidade que o Socio Eduardo Cubiça, SEMPRE aplica no seu apoio ao clube da nossa terra, em todos os seus jogos. O seu grito de apoio, muitas vezes feito a uma só voz, faz-se ouvir pelo mundo inteiro, através dos jogos televisionados do nosso Amora FC, que eu testemunho aqui no Canada.
Actualmente, a Família de Eduardo Soares e a Família da Manuela Guerreiro, Pais e Filhos, TODOS, são Sócios do Amora Futebol Clube e o apoio por parte dos mais novos, é algo que já existe de uma forma intensa e regular.
Agradecimento especial ao Eduardo Cubiça, pela sua colaboração neste POST e pela amizade ao longo dos anos. Esta é a forma de conseguirmos, que a nossa história seja escrita e deixada para os futuros amorenses, contada pelos filhos de pessoas que ajudaram a construir uma Amora melhor e capaz de servir o seu povo, acompanhando a evolução.
O nosso obrigado a Tulio Soares e Ligia Pereira pelas suas memorias e colaborações com “As Raízes de Amora”.
Livro “AMORA um corpo imenso ainda sem alma” de Manuel Matias