A Fábrica da Cera do Cabo da Marinha
A FÁBRICA DA CERA DO CABO DA MARINHA EM AMORA

Numa entrevista dada ao jornal Tribuna do Povo, no ano de 1952, pelo então presidente da junta de freguesia de Amora, Senhor José Pedro Fradique, refere-se, entre outras coisas, o seguinte: "No campo industrial destacam-se dentro da freguesia, na manipulação de cortiças, as firmas "Mundet e C.", Lda." e "Produtos Corticeiros Portugueses, Lda."; existe também a "Fábrica dos Têxteis Artificiais"; em pólvora e outros explosivos, a "Sociedade Africana da Pólvora" e a "Sociedade Portuguesa de Explosivos, Lda."; em resinagem, "A União Resineira Portuguesa" e em produtos químicos, a "Quicor, Lda.""
Também numa referência feita, mais tarde, pelo mesmo senhor presidente da junta de freguesia de Amora ao Jornal Tribuna do Povo, 1 de Setembro de 1957, se refere como existindo, nesta data, em Amora, para além de outras indústrias: "A fábrica de cera Quicor."

Por outro lado, já a 18 de Novembro de 1962 o mesmo jornal refere em notícia alargada que: "com a firma "Mundet e C." Lda." e mais tarde os "Produtos Corticeiros", voltou à Amora nova era de prosperidade, a que se seguiu a instalação das indústrias de explosivos "SPEL", de tecidos "Fátea", de resinas "Socer", de cera "Quicor", (actualmente encerrada), de plásticos "Unisotra" e de turismo "Muxito"."
Tendo em conta as três citações anteriores, ficamos pelo menos a saber que esta fábrica de cera esteve em laboração essencialmente durante a década de 50 do século passado, uma vez que em inventários do princípio dos anos 40, relativos à indústria do concelho do Seixal, não é a mesma ainda referenciada e por outro lado no princípio dos anos 60 já se encontrava encerrada, como refere esta última citação.
Existe, contudo, grande falta de informação acerca deste estabelecimento fabril, que se instalou num edifício ainda hoje existente no Cabo da Marinha, ao lado dos "Estaleiros Venamar" e antigamente em frente das velhas instalações da "Sociedade Portuguesa de Explosivos, Lda.".

É provável aliás que a "Quicor, Lda." se tenha instalado aqui já depois de 1948, data em que ocorreu o grande acidente na "Fábrica da Pólvora", porque na altura do desastre não há qualquer informação ou notícia referente à presença desta indústria.