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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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A FÁBRICA DAS “BOQUILHAS DIEGO” NA CRUZ DE PAU

20.03.23, os amorenses

Inicialmente a laborar em Lisboa antes da II Guerra Mundial (1939 – 1945), a Fábrica das Boquilhas “Diego”, viria a ser transferida para a Cruz de Pau, após a compra do terreno de uma pequena quinta, a poente da Rua Infante D. Augusto, por parte do seu proprietário José Diogo Ribeiro. 

Tudo terá tido o seu início quando José Diogo Ribeiro era simplesmente importador da marca de boquilhas alemãs “Deners”, colocando as mesmas no mercado nacional, no entanto com o início da II Guerra Mundial, a última encomenda foi deitada ao mar, mesmo antes de ter chegado a Lisboa, não havendo mais a comercialização desta marca, contou-nos D. Henriqueta Ribeiro. 

De forma a poder satisfazer a sua clientela e porque em Portugal, não existia na época qualquer fabrico deste producto, José Diogo Ribeiro decide produzir as boquilhas e filtros até então importados.  

No início da firma em Lisboa e mais tarde na Cruz de Pau, por volta de 1947, José Diogo Ribeiro usou uns tornos mecânicos comprados em segunda mão na Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata, que tinham sido utilizadas na produção de invólucros de munições e terão sido adaptados para satisfazer as necessidades.  

Inicia desta forma este pequeno industrial e sua esposa, uma fabricação única no país.  
Talvez por influência do seu próprio nome, José Diogo Ribeiro, cria então a nova marca de “BOQUILHAS DIEGO”. 

Durante a II Guerra Mundial, por não haver baquelite, o material mais usado no fabrico das boquilhas foi a Madeira de Buxo, que após ser torneada e polida, era pintada de preto.  

Conforme nos contou a Senhora D. Henriqueta Ribeiro, antiga proprietária da Fábrica, nas oficinas da Cruz de Pau laboravam seis rapazes e doze raparigas, eles nos tornos mecânicos e elas na confecção dos filtros, que após serem colocados nas boquilhas, tinham como objectivo a retenção do alcatrão e da nicotina e eram confeccionados à base de papel plissado (papel de filtro) cortado em máquina própria à medida do desejado. 

A produção era relativamente grande tendo em conta a sua exclusividade a nível nacional.  
As boquilhas eram vendidas para todas as tabacarias do país, tendo a empresa um caixeiro viajante que andava de norte a sul, com uma carrinha, pelos mais diferentes lugares de Portugal, onde a cidade do Porto tinha lugar de destaque. 

Havia também um stand da própria Fábrica na Feira Popular de Lisboa, onde uma funcionária se encontrava a tempo inteiro. 

As “Boquilhas Diego” tinham vários tamanhos, comprimentos e modelos, mas todos redondos. Algumas mais dispendiosas, tinham a rectaguarda, parte que era colocada nos lábios, feita de uma liga metálica à base de prata e alumínio, igualmente produzida no local, numa pequena fundição em anexo à fábrica, onde operários especializados efectuavam estes trabalhos.  

Apesar de todo o sucesso económico, a fábrica acabaria por encerrar inesperadamente em 1951, pouco tempo depois da morte do seu proprietário, José Diogo Ribeiro, após um grave acidente numa deslocação à Serra da Arrábida. 

Fontes utilizadas:  
- Livro “Amora Memórias e Vivências D’Outrora”  
- Fotos: Google Earth