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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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A Fábrica dos Vidros de Amora (1)

06.11.20, os amorenses
A FÁBRICA DOS VIDROS DE AMORA (1)
 
Raizes de Amora 13 de outubro de 2020

Fabrica de Vidros de Amora 1.jpg

O Inquérito Industrial de 1890 permite-nos saber que a Empresa da Fábrica de Vidros da Amora, foi Fundada em 1888 e foi constituída por José Lourenço da Silva Gomes, Justino Guedes e os irmãos James e William Gilman. No Ano seguinte á sua fundação, 1889, transformou­-se em sociedade anónima, tendo como principal acionista António Centeno (Jurista, deputado do Partido Progressista entre 1884 e 1910, jornalista, proprietário do Diário Popular e homem de negócios, ligado sobretudo ao sector da energia, tendo sido administrador da Companhia do Gás e depois das Companhias Reunidas do Gás e da Electricidade, durante 56 anos desde a fundação até à sua morte, em 1947).

Grupo de trabalhadores da fábrica de garrafas de

   Fábrica de vidros da Amora

Em 1890, construiu um forno contínuo a gás do sistema Siemens, dotou a fábrica de 12 máquinas de produção de gás pobre e 2 máquinas a vapor de 4 c/v cada uma, elevando para 8 mil a produção diária de garrafas em contraponto às 2.400 anteriores.
Esteve na origem da indústria portuguesa do vidro de embalagem. Fabricava garrafas para vinho, cerveja, gasosa e águas minerais, garrafões e frascos. Tal produção sustentava­-se sobretudo na exportação do vinho, que registou um forte crescimento a partir de 1885.
Na FVA, o sulfato de soda, o manganês, a areia, o barro e a pedra calcária eram nacionais. O pessoal técnico tal como a tecnologia era estrangeira; o carvão que alimentava as caldeiras e o forno a gás pobre era importado de Inglaterra; produziam para o mercado nacional (centrado em Lisboa e no Porto), onde a competição com produtos congéneres nacionais ou estrangeiros lhes reduzia em muito a capacidade de obterem grandes lucros. A FVA, em 1892, ganhou a medalha de ouro na Exposição Industrial Portuguesa realizada no Porto. Contudo, nesse mesmo Ano, a empresa viu-se em dificuldades para escoar a sua produção de garrafas pretas, pois o mercado interno era diminuto e a absorção pelos exportadores de vinho comprometida com a pauta de 1892.
Esta pauta isentava de direitos alfandegários as garrafas que fossem re exportadas (75% das garrafas anualmente consumidas no país) favorecendo a utilização das garrafas estrangeiras. Apesar desta cedência do governo, a empresa resistiu e singrou. Em 1895 a administração propos a distribuição de um dividendo de 8% sobre o capital realizado de 1891-1898, a fabrica dando de 8% sobre o capital realizado e de 1891–1898, a fábrica teve um crescimento médio da produção de 14,8% .
 
O êxito da empresa despertou o interesse do grupo Burnay, que ambicionando deter o monopólio do setor vidreiro, comprou a fábrica (1902).
A nova gerência introduziu as máquinas semi­-automáticas Boucher de soprar e moldar garrafas, uma revolução na técnica de fabrico, mas que terá funcionado com problemas.
O relativo falhanço da FVA sob a direcção do grupo Burnay levou os antigos acionistas José da Silva Gomes e António Centeno a reabrirem, em 1904, a primitiva fábrica de vidros sob a designação Empresa da Fábrica de Vidros nas Lobatas. As duas empresas coexistiam lado a lado, mas concorrentes num mesmo mercado, fundiram-­se, em 1909.
Ambas continuaram a manter a sua produção autónoma e sem percalços até ao início da I Guerra Mundial. A FVA viveu tempos de tal modo conturbados que encerrou a laboração. Logo no início da guerra (verão de 1914) a fábrica parou, porque o preço do carvão subira e «situação era de um grande stock e de pequenas vendas».
 
O mercado da garrafaria encontrava­se deprimido. Em 1917, o grupo Burnay vendeu os 50% de capital que detinha na sociedade. Em finais de 1918, os conflitos laborais agudizaram­-se, a fábrica paralisou recorrendo à intervenção policial e à dispersão dos operários por outras fábricas de vidro do país . Em 1919, contava com 700 trabalhadores. No pós­ guerra não recuperou a antiga importância e, em 1925 estava em franco declínio, em virtude de as vendas terem diminuído mais de 90%.
Dois anos depois, os seus bens de equipamento, avaliados em 1.500 contos, estavam em leilão.
 
fonte: Cidade Transformações Sociais e Territorialização da Indústria - Capitulo V

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