Era assim que era conhecida, popularmente, uma velha fábrica de lanifícios instalada, ao que parece, no princípio do século XX, na Quinta do Rosinha, próximo de onde hoje se situa o polo da biblioteca municipal de Amora.
A referência mais antiga, que se conhece, a esta pequena indústria têxtil de Amora é a que faz Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues no seu Dicionário Histórico e corográfico datado de 1904, quando diz que "há, em Amora, uma fábrica de lanifícios dos senhores Rosado e Rosinha", e mais não adianta.
Já em 1908 Alberto Pimentel, em Estremadura Portuguesa, refere relativamente à Outra Banda o seguinte: "Hoje, além desta fábrica, (Companhia de Vidros), há, em Amora, uma de tecidos, "Firma Rosado e Rosinha", que produz xailes de lã e seda."
Por outro lado, a 4 de Maio de 1916, numa relação que fez sobre as fábricas existentes no concelho, a Administração deste município referia que, para além da "Fábrica de Lanifícios de Arrentela", com 600 operários, existia igualmente a "Fábrica de Lanifícios de Amora", com 50 operários. Tratava-se certamente da mesma unidade têxtil anteriormente referida.
Também, num ofício datado de 15 de Agosto de 1919, dirigido pelo Chefe da Repartição das Finanças do concelho do Seixal ao senhor Administrador deste mesmo município, se informava que, da matriz industrial existente neste território concelhio, constavam 12 fábricas, sendo referida, entre elas, a de "António Cruz", que laborava em tecidos e estava localizada em Amora.
Através deste último documento, verifica-se que nesta data a "Fábrica de Lanifícios de Amora" já não é designada por "Rosado e Rosinha", levando-nos a crer que poderá, entretanto ter mudado de proprietário.
Falando com algumas das pessoas mais idosas de Amora, verificámos que são muitos os que ainda se recordam de ouvir falar a seus pais e avós desta fábrica, mas ninguém se lembra de a ver a funcionar. Parece, pois, que a mesma terá terminado a sua laboração em princípios ou meados dos anos 20.
Diz-nos Joaquim "Jota", hoje com 85 anos (em 2005), que a sua mãe, Heliodora de Jesus Alminhas, ainda trabalhou na referida fábrica, onde aprendeu o ofício de cerzideira. Igualmente, com base na recolha oral, concluímos que o edifício principal, desta antiga indústria têxtil seria um pavilhão, o mesmo em que posteriormente se instalou a "Empalhação de Vimes dos Trindades" e mais tarde a "Cooperativa Progresso e União Amorense".
Esta fábrica produziria xailes de forma quadrada, para serem depois dobrados em triângulo, utilizados sobre os ombros ou mesmo na cabeça, pelas mulheres de então. Eram uma peça de agasalho, particularmente utilizada no Inverno e quase sempre tingida em tons escuros.
Para além do edifício principal, com orientação norte-sul, onde certamente se encontrariam os teares, a fábrica tinha outras infraestruturas, incluindo o edifício das caldeiras, situado em anexo e a poente do primeiro. Para abastecer este sector de aquecimento de águas, possivelmente para lavagem de lãs ou tingimento dos tecidos, existia um poço e um enorme tanque de água, que muitos ainda se recordam de ver.
Espaço usado para a Adega, Talho e Frutaria da Cooperativa Progresso e União Amorense
Deste conjunto fabril, a construção que mais se destacava era a chaminé, em tijolo vermelho maciço, que ainda se manteve por mais alguns anos, mesmo depois de parar a produção.
Segundo Idalino Lira, a data provável da demolição da chaminé deve ter sido o ano de 1926, altura em que ele, com 12 anos, assistiu à sua derrocada.
Apesar de não se saber ao certo por que fechou esta fábrica, é, no entanto, sabido que a quinta onde a mesma se instalou inicialmente foi pertença durante muito tempo da família "Rosinha", designação que manteve até à atualidade.
Esta Familia Rosinha tinha terras e quinta nos Foros de Amora também e eram familia do Sr, Manuel Espingardão e sua filha Manuela, ambos funcionários da Cooperativa Progresso e Uniao Amorense P.U.A. .
fonte: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima e Tulio Soares fotos: Google Maps