A FAMILIA RASTEIRO E A SUA QUINTA
03.08.25, os amorenses
A FAMILIA RASTEIRO DE AMORA DE CIMA E A SUA QUINTA

Porque a história só conhece o que alguém contou, vamos hoje falar de uma quinta e de uma família amorense, “A Quinta e a Família do Rasteiro”, na Amora de Cima.
Quem foi o “Rasteiro”?
Foi o último a usar este nome, pois todos os filhos e esposa, foram registados com o nome de família Ribeiro. Os familiares ainda vivos não sabem a razão desta decisão, por parte dos Avós, no entanto todos eles eram e são conhecidos por Rasteiros.
Foi o último a usar este nome, pois todos os filhos e esposa, foram registados com o nome de família Ribeiro. Os familiares ainda vivos não sabem a razão desta decisão, por parte dos Avós, no entanto todos eles eram e são conhecidos por Rasteiros.
Embora não tenhamos conseguido a localidade e data de nascimento do Sr. Joaquim Ribeiro Rasteiro, pensamos que terá sido por volta da última década do Seculo XIX, que este Fazendeiro, natural da Região de Viseu, vem para a Amora, onde conhece a sua companheira de vida, Lucrécia de Ascensão Ribeiro, de famílias amorenses.
O casamento realizou-se na Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, em Amora de Cima, local onde Joaquim Ribeiro Rasteiro adquiriu os terrenos de uma quinta, edificando aquela que foi conhecida pela Grande Quinta do Rasteiro.
Situava-se na Amora de Cima junto ao Cruzeiro, cuja entrada ficava na Azinhaga que ligava Amora de Cima com a Amora de Baixo e que se encontrava entre as Quintas do Rasteiro e a Quinta do Sr. Manuel Ovelheira, hoje conhecida por Rua Carlos da Costa Lima.
Esta quinta, acompanhou o Século XX até a sua venda e urbanização. A produção agrícola e bovina eram o suporte da família Rasteiro, o leite, o vinho, o azeite, a fruta, as hortaliças e outros, sempre fizeram parte da produção da quinta, cujos proprietários nunca faltaram com a ajuda aos mais necessitados, em tempos e anos difíceis e de fome.
Homem de muito respeito, honesto, trabalhador e educado, do tempo da Monarquia, Joaquim Ribeiro Rasteiro manteve os seus valores pela vida fora, passando-os aos filhos e netos, sendo habitual o convite para participar na vida deste concelho, exactamente pelos valores que lhe eram reconhecidos, bem como o seu filho Lazário de Ascensão Ribeiro.
Com sua esposa, Lucrécia de Ascensão Ribeiro, constituiu família e tiveram seis filhos, sendo o primeiro José de Ascensão Ribeiro, que faleceu muito novo, com 22 anos, devido a tuberculose. Segundo Maria Ribeiro, um dos netos do casal, “nunca conheci outra roupa na minha Avó, que não fosse “o luto”, devido a morte do meu Tio José.
O segundo filho foi Lazário de Ascensão Ribeiro, podemos afirmar que foi o filho que seguiu as pisadas de seu Pai, pois dedicou toda a sua vida à Quinta da Família Rasteiro, tendo sido o último agricultor da mesma e aquele que mais tempo lhe dedicou.
Casou com a Sra. Madalena da Silva Ribeiro e ambos tiveram dois filhos, nascidos na quinta de seus avos, José Joaquim da Silva Ribeiro, conhecido pelos amorenses por “ZECA”, nasceu a 4 de Maio de 1938 e João da Silva Ribeiro conhecido pelo João Rasteiro, atleta do Amora FC e treinador das camadas jovens durante muitos anos, nascido a 29 de Marco de 1948 e falecido a 10 de Setembro de 2012, ambos nascidos na quinta de seus Avós, onde os Pais habitavam.
O terceiro filho foi Joaquim de Ascensão Ribeiro, trabalhou toda a sua vida na Fábrica de Cortiça Queimado e Pampolim, até à reforma. Casou com a Sra. Nazaré Ribeiro e tiveram uma filha de nome Leonor.
O quarto filho foi finalmente uma rapariga, uma espera muito longa da D. Lucrécia, que há muito queria ter uma menina, que se viria a chamar Margarida de Ascensão Ribeiro.
Margarida casou e teve um filho, o Armindo Ribeiro Gonçalves, moravam fora da Quinta do Rasteiro e trabalhava em costura na sua casa, assim como outras mulheres, em Amora, que condicionadas pela saúde, numa altura em que a tuberculose atacou de novo e levou a Margarida, uma Mãe jovem que deixou um esposo e um filho, que acabaria por ser educado pelo Pai e Avó Paterna, no Correr de Água.
O quinto filho volta a ser outra rapariga, Cristina de Ascensão Ribeiro, nascida a 11de Abril de 1920, que viria a ser a Mãe de Maria Ribeiro, para nós a D. Irlanda, uma nossa Amiga desde sempre, Amiga de minha Mãe e de outras famílias que viviam na Amora de Cima e que ao longo dos anos, tem vindo a colaborar com “As Raízes de Amora”, nas memorias do nosso passado, em especial em Amora de Cima, onde nascemos e crescemos.
Cristina de Ascensão Ribeiro ainda trabalhou embora por pouco tempo, na Creche da Mundet, mas a sua dedicação à família, levam-na a ficar em casa, na quinta.
A Idade avançada dos pais e a sua própria família tinham necessidade que ficasse na mesma e assim o fez, até os Pais e ela própria falecerem na Quinta do Rasteiro. Casou com João do Campo Ribeiro.
O sexto e último filho foi Jaime Cesário Ribeiro, nasceu em Amora de Cima, na quinta de seu Pai, a Quinta do Rasteiro, no dia 21 de Fevereiro de 1923. Obteve o segundo grau de escolaridade. Casou com a D. Irlanda Ribeiro e ambos tiveram um filho, o Jaime Ribeiro.
Foi durante muitos anos funcionário dos escritórios da Mundet em Amora. Despediu-se para se envolver num negócio de cortiça que não correu bem.
A sua seriedade, levou-o a aceitar um convite para os escritórios da “Citroen” em Mangualde, no entanto e devido à idade avançada de seus Pais, e a pedido dos mesmos, pede mais tarde a mudança para os escritórios da firma em Lisboa, onde ficou até à sua reforma. Jaime Ribeiro sempre foi uma pessoa boa, ajudando familiares e amigos.
Nos dias de hoje a família Ribeiro, de Amora de Cima, mantem ainda dois familiares na Citroen, João Manuel Ribeiro Lopes, filho de Maria Ribeiro, está na firma desde os seus 18 anos e o filho e Ruben Miguel Pires Lopes.
Durante a sua vida, contribuiu com as colectividades da nossa terra, tendo participado nas direções das mesmas.
Jaime Cesário Ribeiro foi presidente do Amora Futebol Clube nos anos de 1956 e 1959.
Durante a urbanização do espaço da quinta, foi Jaime Ribeiro quem se encarregou da resolução da mesma por parte da família, onde participou em reuniões da Camara Municipal. Apos a venda da quinta, a mesma passou a chamar-se Quinta da Galequinha.
O Sr. Joaquim Ribeiro Rasteiro tem uma rua em Amora com o seu nome, no espaco da sua Quinta do Rasteiro, hoje Quinta da Galeguinha.
Neste ano de 2025, os herdeiros do nome de família Ribeiro, estão espalhados por vários locais do Pais e do mundo, novas gerações se formam, mas estamos certos de que o nome RASTEIRO, não ficará esquecido pelas novas gerações e pelo povo de Amora, a nossa terra.
Um agradecimento muito especial a Maria Ribeiro e ao António José Ribeiro, pela ajuda prestada com todas as informações, que nos ajudou na construção do texto bem como fotografias de família.