Quem assim descreveu os acontecimentos daquele fatídico dia 1 de Novembro de 1755 foi Domingos Lobato Quinteiro, juiz da Igreja de Amora*.
Uma das igrejas que ficou por terra foi precisamente a de Nossa Senhora de Monte Sião. Presumo que a primeira imagem da Santa tenha sido destruída nesta ocasião pelo que irei citar quem a pôde apreciar no início do séc. XVIII:
“É esta Sagrada efígie dobrada de talha de madeira É esta Sagrada efigie obrada de talha de madeira incorruptível, de escultura perfeitíssima, & muyto antiga; mas a grande devoção dos que a servem, a adorna de ricas roupas, […]. Está sentada em uma cadeira obrada da mesma matéria, de sorte que se reconhece ser tudo uma só peça. Tem a mão esquerda sobre o braço da cadeira, & sobre o braço o Menino Jesus, & na mão direita um ceptro, como insígnia de Rainha soberana, que é do céu, & da terra. Porém como a adornam de roupas, tudo isto fica encoberto com ellas, & só aparece o Menino e o ceptro. A sua altura serão uns quatro para cinco palmos [cerca de um metro]; é muito linda e tem os olhos verdes […].
[…]E no nosso Portugal, vemos a Senhora de Vila Velha, de Fronteira, que é obrada desta mesma forma […] como a Senhora de Monte Sião o ser tão antiga é a causa de não se poderem descobrir as notícias da sua origem, nem haver tradições dela.” - Santuário Mariano e História das Imagens Milagrosas, 1707
Ora, Frei Agostinho de Santa Maria refere também as imagens de outras santas existentes em Espanha, todas elas teriam semelhanças com a primitiva Senhora de Monte Sião. Todas remontam ao final da Idade Média. 300 anos nos separam da publicação do Santuário Mariano, de todas as imagens nele referidas como sendo semelhantes à Sª de Monte Sião (Senhora de Valvierne, Senhora de Nieva; Senhora da Penha de França, Castela a Velha) apenas consegui localizar a de Nossa Senhora de Atocha (Madrid), uma imagem esculpida em madeira que a seu tempo foi polícroma, representando a virgem sentada segurando o ceptro e o Menino é, pois, a Senhora de Atocha que ilustra esta minha nota.
· Cf. Boletim Municipal 195, 1995, p 10.