A Marcha Popular de Amora em 1940
A MARCHA POPULAR DE AMORA EM 1940
Arco da Marcha no Largo do Cruzeiro na Amora de Cima Inicio dos Anos 50 Sec XX - foto Maria da Conceicao Lousada
A 28 de Junho de 1940, entre o São João e o São Pedro, desfilou pelas ruas de Amora uma marcha popular, que foi organizada pela
"Sociedade Filarmónica Operária Amorense".
Sob a direção do senhor António Pedroso e ensaiada pelo senhor Baptista Cunha, era esta marcha constituída por vinte e dois pares de rapazes e raparigas, que, segurando arcos artisticamente engalanados, deram às ruas de Amora um colorido, que os mais velhos ainda hoje não esquecem.
A marcha, que foi ensaiada no pátio da Quinta da Vinha Grande, saiu da SFOA por volta das 21 horas, foi dar a volta à correnteza dos alemães, dirigindo-se para os lados da Medideira e Amora de Cima, até chegar ao Adro da Igreja.
Grupo de Rapazes e Raparigas que fizeram parte da Marcha de Amora organizada em 1940 - foto Messias
Os arcos, muito bonitos, enfeitados com festões e balões de papel de seda, destacavam entre outros motivos os seguintes:
Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, Coreto da Praça 5 de Outubro, Frontispício da SFOA e Palácio do Infante.
Os figurantes desta marcha popular dançavam e cantavam duas letras, uma da autoria de Amélio Baptista Cunha (sobrinho do ensaiador) e outra do capitão José Gonçalves Louro. Ambos os versos foram musicados pelo maestro Álvaro de Sousa.

Maestro Alvaro de Sousa, autor da Musica da Marcha da Amora Anos 40 Sec XX - foto SFOA
Acompanhados por um grupo de músicos da SFOA, cerca de oito a dez músicos (um cavalinho), os figurantes com os seus arcos e balões iluminados, fizeram com que toda a gente viesse para a rua ou se assomasse às janelas e varandas para aplaudir, vibrantemente, a marcha à sua passagem. Interessante é referir igualmente que, um dos principais motivos aplicados nas blusas brancas, dos trajes das raparigas era exatamente as folhas de amoreira e as amoras, numa alusão ao próprio nome da Terra.
Dizia na época o jornal "A voz do Seixal" que, "do alto das escadarias da Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, foi bonito de se ver o conjunto dos marchantes, subindo à Amora de Cima."
Já em 1 de outubro de 1940, cerca de três meses mais tarde, o mesmo jornal escrevia: "Por convites que lhe foram dirigidos, a marcha Amorense tem feito várias exibições no nosso concelho e no concelho vizinho de Almada.
Brevemente fará a sua exibição na Exposição do Mundo Português, fazendo-se acompanhar de uma excursão de habitantes desta risonha localidade."
Diz-nos hoje Joaquim "Jota", também ele nessa altura marchante, que nos dois ou três anos seguintes ainda houve marcha, mas que já não foi tão grandioso como da primeira vez. Refere, igualmente, que este grupo de rapazes e raparigas, os figurantes da marcha popular, foram mais tarde ter com o senhor António Pedroso (ensaiador), para formar um grupo dramático que se viria a chamar "Os Inquietos".

Marcha Popular ensaiada por Joaquim Jota e Organizada no Patronato de Amora CAPA - Foto da Familia de Joaquim Jota
Cerca de um quarto de século mais tarde, festas dos Santos Populares relativas ao ano de 1968, uma outra marcha saiu às ruas de Amora, também ela abrilhantada pelos jovens da Terra, mas, talvez porque os tempos eram outros, não teve tão grande impacto nos habitantes locais, como teve a dos anos 40.
fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima e colaboração de Tulio Soares
Ao longo dos Anos em que se organizaram as marchas, várias foram as letras que foram compostas e desfiladas, deixamos algumas delas:
1 - Marcha de Amora "A Minha Terra", de Amélio Baptista Cunha com Música de Álvaro de Sousa - 1940
I
La vai Amora
Cheia de alma e nobreza
A cantar a e a sorrir
Vai a mocidade aplaudir
A bela raça Portuguesa
II
A nossa terra
Que é grande e hospitaleira
Já mais praticando o mal
Honra o nosso Portugal
E a sua Gloriosa Bandeira
REFRAO
De heróis cavaleiros
A povo marítimo e rural
Não esquecendo os garrafeiros
Que deram nome a Portugal
Cultiva hoje a cortiça
Que o mundo todo cobiça
P’la riqueza Nacional
III
É nosso berço
E em tempos bem remotos
Foi pousada de guerreiros
Como atuais corticeiros
Oferecemos os nossos votos
IV
Da tradição
Nossos avos à proa e ré
Foram honrados fragateiros
Hoje somos corticeiros
Dos Produtos e da Mundet
REFRAO
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2 - Marcha de Amora
Letra e música de Emilio Rebelo dedicado aos Amorenses
I
Quem quer ver a nova Amora
Como é linda como e bela
Va vê-la de lado a lado
Va vê-la de lado a lado
Veja bem como está bela
II
Já não vê aquela Amora
Dos tempos que já lá vão
Vê uma Amora moderna
Vê uma Amora moderna
Que lhe encanta o coração
REFRÃO
Amora Amora
Que futuro será o teu
Já não es aquela Amora
Já não es aquela Amora
Do Sião e do Judeu
Amora Amora
Das casas em correnteza
Já não es aquela Amora
Já não es aquela Amora
Que traçou a natureza
Amora Amora
Quem te vê e quem te viu
Já não es aquela Amora
Já não es aquela Amora
Pequenina junto ao Rio
Amora Amora
Cheia de graça e beleza
No despertar d’outra aurora
Caminhas pela vida fora
Com princípios de grandeza
III
Amora nasceu campestre
Logo assim foi um amor
Hoje pra lembrar o campo
Hoje pra lembrar o campo
E uma linda flor
IV
Amora fez-se tão bela
Que a brilhar foi um cristal
Quem sabe o nome dela
Quem sabe o nome dela
Vai ser grande em Portugal
REFRÃO