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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

A Marcha Popular de Amora em 1940

30.11.20, os amorenses

A MARCHA POPULAR DE AMORA EM 1940 

Largo do Cruzeiro na Amora de Cima Inicio dos Anos 
Arco da Marcha no Largo do Cruzeiro na Amora de Cima Inicio dos Anos 50 Sec XX - foto Maria da Conceicao Lousada

A 28 de Junho de 1940, entre o São João e o São Pedro, desfilou pelas ruas de Amora uma marcha popular, que foi organizada pela
"Sociedade Filarmónica Operária Amorense".
 

Sob a direção do senhor António Pedroso e ensaiada pelo senhor Baptista Cunha, era esta marcha constituída por vinte e dois pares de rapazes e raparigas, que, segurando arcos artisticamente engalanados, deram às ruas de Amora um colorido, que os mais velhos ainda hoje não esquecem. 

A marcha, que foi ensaiada no pátio da Quinta da Vinha Grande, saiu da SFOA por volta das 21 horas, foi dar a volta à correnteza dos alemães, dirigindo-se para os lados da Medideira e Amora de Cima, até chegar ao Adro da Igreja.

Grupo de Rapazes e Raparigas que fizeram parte da Grupo de Rapazes e Raparigas que fizeram parte da Marcha de Amora organizada em 1940 - foto Messias

 

 Os arcos, muito bonitos, enfeitados com festões e balões de papel de seda, destacavam entre outros motivos os seguintes:
Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, Coreto da Praça 5 de Outubro, Frontispício da SFOA e Palácio do Infante.
 

Os figurantes desta marcha popular dançavam e cantavam duas letras, uma da autoria de Amélio Baptista Cunha (sobrinho do ensaiador) e outra   do   capitão José   Gonçalves Louro.  Ambos os versos foram musicados pelo maestro Álvaro de Sousa.

Maestro Alvaro de Sousa, autor da Musica sa Marcha

 Maestro Alvaro de Sousa, autor da Musica da Marcha da Amora Anos 40 Sec XX - foto SFOA

Acompanhados por um grupo de músicos da SFOA, cerca de oito a dez músicos (um cavalinho), os figurantes com os seus arcos e balões iluminados, fizeram com que toda a gente viesse para a rua ou se assomasse às janelas e varandas para aplaudir, vibrantemente, a marcha à sua passagem. Interessante é referir igualmente que, um dos principais motivos aplicados nas blusas brancas, dos trajes das raparigas era exatamente as folhas de amoreira e as amoras, numa alusão ao próprio nome da Terra. 

Dizia na época o jornal "A voz do Seixal" que, "do alto das escadarias da Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, foi bonito de se ver o conjunto dos marchantes, subindo à Amora de Cima." 

Já em 1 de outubro de 1940, cerca de três meses mais tarde, o mesmo jornal escrevia: "Por convites que lhe foram dirigidos, a marcha Amorense tem feito várias exibições no nosso concelho e no concelho vizinho de Almada.

Brevemente fará a sua exibição na Exposição do Mundo Português, fazendo-se acompanhar de uma excursão de habitantes desta risonha localidade." 

Diz-nos   hoje Joaquim   "Jota", também ele nessa altura marchante, que nos dois ou três anos seguintes ainda houve marcha, mas que já não foi tão grandioso como da primeira vez. Refere, igualmente, que este grupo   de   rapazes   e   raparigas, os figurantes da marcha popular, foram mais tarde ter com o senhor António Pedroso (ensaiador), para formar um grupo dramático que se viria a chamar "Os Inquietos". 

Marcha Popular ensaiada por Joaquim Jota e Organiz

Marcha Popular ensaiada por Joaquim Jota e Organizada no Patronato de Amora CAPA - Foto da Familia de Joaquim Jota

Cerca de um quarto de século mais tarde, festas dos Santos Populares relativas ao ano de 1968, uma outra marcha saiu às ruas de Amora, também ela abrilhantada pelos jovens da Terra, mas, talvez porque os tempos eram outros, não teve tão grande impacto nos habitantes locais, como teve a dos anos 40. 

fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima e colaboração de Tulio Soares

Ao longo dos Anos em que se organizaram as marchas, várias foram as letras que foram compostas e desfiladas, deixamos algumas delas:

 1 - Marcha de Amora "A Minha Terra", de Amélio Baptista Cunha com Música de Álvaro de Sousa - 1940

I 
La vai Amora 
Cheia de alma e nobreza 
A cantar a e a sorrir 
Vai a mocidade aplaudir 
A bela raça Portuguesa 

II 
A nossa terra 
Que é grande e hospitaleira 
Já mais praticando o mal 
Honra o nosso Portugal 
E a sua Gloriosa Bandeira 

REFRAO 
De heróis cavaleiros 
A povo marítimo e rural 
Não esquecendo os garrafeiros 
Que deram nome a Portugal 

Cultiva hoje a cortiça 
Que o mundo todo cobiça 
P’la riqueza Nacional 

III 
É nosso berço 
E em tempos bem remotos 
Foi pousada de guerreiros 
Como atuais corticeiros 
Oferecemos os nossos votos 

IV 
Da tradição 
Nossos avos à proa e ré 
Foram honrados fragateiros 
Hoje somos corticeiros 
Dos Produtos e da Mundet 

REFRAO 

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 2 - Marcha de Amora 
Letra e música de Emilio Rebelo dedicado aos Amorenses 

I 
Quem quer ver a nova Amora 
Como é linda como e bela 
Va vê-la de lado a lado 
Va vê-la de lado a lado 
Veja bem como está bela 

II 
Já não vê aquela Amora 
Dos tempos que já lá vão 
Vê uma Amora moderna 
Vê uma Amora moderna 
Que lhe encanta o coração 

REFRÃO 
Amora Amora 
Que futuro será o teu 
Já não es aquela Amora 
Já não es aquela Amora 
Do Sião e do Judeu 

Amora Amora 
Das casas em correnteza 
Já não es aquela Amora 
Já não es aquela Amora 
Que traçou a natureza 

Amora Amora 
Quem te vê e quem te viu 
Já não es aquela Amora 
Já não es aquela Amora 
Pequenina junto ao Rio 

Amora Amora 
Cheia de graça e beleza 
No despertar d’outra aurora 
Caminhas pela vida fora 
Com princípios de grandeza 

III 
Amora nasceu campestre 
Logo assim foi um amor 
Hoje pra lembrar o campo 
Hoje pra lembrar o campo 
E uma linda flor 

IV 
Amora fez-se tão bela 
Que a brilhar foi um cristal 
Quem sabe o nome dela 
Quem sabe o nome dela 
Vai ser grande em Portugal 

REFRÃO