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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

A "Mundet & C.ª Lda.", em Amora (2)

07.11.20, os amorenses
A "Mundet & C.ª Lda.", em Amora (2)
 
Domingo, 30 de Agosto de 2020

Mundet Amora Edificio 5.jpg

A AMPLIAÇÃO DA FÁBRICA DE AMORA EM FINAIS DOS ANOS 30

 
Por volta de 1938, quando a indústria corticeira atravessava um bom momento e para a "Mundet & Ca. Lda." entrou Joseph Mundet, decide a empresa ampliar as suas instalações de Amora.
Foi nesta altura, que a administração da fábrica adquiriu a designada Quinta dos Pintos, que, para além de uma ampla e bonita casa residencial, possuía vastas terras, no sítio denominado Trás-das-Hortas, situado a norte do primitivo núcleo da fábrica existente em Amora. Sobre esta família Pinto, em que um dos últimos proprietários foi Antero Pinto (segundo alguns dos mais idosos de Amora), sabe-se que terá arranjado fortuna além-mar, encontrando-se desde há muito nesta freguesia. Desta velha quinta ainda alguns recordam os belos pomares e hortas, assim como os dois grandes poços com cobertura metálica ali existentes, abastecedores do tanque e de todo o sistema de rega.
Após a compra da referida propriedade, rapidamente surgiriam novas dependências e pavilhões industriais, onde uma crescente produção faria aumentar o número de empregados, que já em meados da década de 40, chegou a ultrapassar a ordem do milhar.
Nesta época, quando a sirene apitava ao meio-dia para almoço ou à tarde para a saída, era impressionante a avalanche de gente, que desembocava da estreita "Rua Mundet", e o alarido das conversas, que entoavam durante algum tempo, em toda a área circundante.
Diz-nos Joaquim "Jota" que "nestes tempos, os sócios gerentes da fábrica, Joaquim de Sousa e Luís Gubert, moravam ambos no Seixal. Na fábrica de Amora quem superintendia era encarregado geral, o senhor Francisco Marques, que tinha como ajudante Ilídio Soares. Para além deste cargo de chefia, cada uma das secções, desde a escolha à embalagem, tinha um subencarregado".
Final do Dia de Trabalho - 1951 fonte: Jornal Tibuna do Povo
Diz igualmente Jota que "uma das alturas em que se registou grande prosperidade na "Mundet de Amora", foi no período compreendido entre 1940/1945, quando se produziram grandes quantidades de boias para a indústria pesqueira soviética, na altura vendidas por intermédio de Inglaterra. Por cada boia, designada por "melão", devido ao seu formato e tamanho, ganhava-se um cruzado, havendo quem fizesse, de empreitada, 400 por dia".
 
Segundo anúncio da própria "Mundet e C.ª Lda.", feito na revista "Turismo", ano de 1944, nesta data a empresa produzia no conjunto das suas diferentes fábricas, localizadas no Seixal, Amora, Montijo, Ponte-de-Sor e Mora, os seguintes artigos: "Rolhas de todos os formatos, discos para cápsulas, tapetes de banho, lãs para almofadas e "édredons", palmilhas e solas para sapatos, cintos de salvação, bóias para pesca, folhas para juntas de motores, papel bolinado para boquilhas, casquilhos para fiação, buchas de caça, aglomerados para frigoríficos e outros isolamentos, lambris para paredes, mosaicos para pavimento (parquet), "napperons" de fantasia para mesa, raspa, pó, serradura, granulados, etc."
Segundo Manuel de Oliveira Rebelo, em Retalhos da Minha Terra publicado em 1959:
 
"... O capital da firma viria a ser elevado para quarenta mil contos em 30 de Junho de 1949, ficando nesta altura como sócios Joseph Mundet Júnior, Luís Gubert y Capella, Joaquim de Sousa, José Maria Genis y Arolas, António Iglésias Cruz, Luís Gubert y Mundet e D. Teresa Gubert Gomes".
Nestes tempos, apesar da empresa se encontrar ainda em expansão, a vida laboral para quantos nela trabalhavam não era fácil. Diz-nos Idalino Lira, também ele broquista na antiga "Mundet de Amora", que: "era muito pouco o dinheiro que se ganhava e muito frequentes os acidentes de Trabalho. Nesse tempo, no posto de socorros da fábrica encontrava-se normalmente de serviço o enfermeiro Júlio Ramalhete, que acudia nas mazelas menos graves, sendo outras situações mais complicadas encaminhadas normalmente para a clínica do Dr. Elvas, na Cova da Piedade."
pode consultar a fonte aqui: https://www.arquivoportoslisboasetubalsesimbra.pt/arquivo/viewer?id=55442&FileID=26875
A respeito dos desastres no trabalho, refere em 1951 o jornal Tribuna do Povo: "Em 20 de Setembro último Timóteo Páscoa cortou um dedo na máquina de espaldar da fábrica Mundet em Amora (...); no mesmo dia Carlos Rego caldeireiro partiu um braço quando ligava um fardo de cortiça. Alguns dias depois a menina Maria Inácia de Amora de Cima, viria a cortar também os tendões de um dos seus dedos. A 21 de Novembro, José António Figueiredo fraturou um braço e no dia seguinte Joaquim Cândido do Correr de Água, queimou-se na caldeira de cozer."
 
fontes: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima e Jornal Tribuna do Povo