A Ordem do Carmo, proprietária na Freguesia de Amora
07.11.20, os amorenses
A Ordem do Carmo, proprietária na Freguesia de Amora
Domingo, 23 de Agosto de 2020

SENHORIOS DAS TERRAS DE AMORA ATÉ AO SÉCULO XIV
No início da monarquia portuguesa, D. Afonso Henriques doou a Vila e o Termo de Almada (onde então se incluía o atual território da freguesia de Amora) aos cruzados ingleses, que o ajudaram na conquista de Lisboa aos mouros; posteriormente D. Sancho I acabou por doar o mesmo território aos cavaleiros Espatários da Ordem de Santiago, sedeados no castelo de Alcácer do Sal e mais tarde em Palmela.
Já no reinado de D. Dinis, o rei Lavrador, que separou esta Ordem religiosa do mestrado de Castela, integrou o Termo de Almada nos bens da Coroa, dando em compensação à Ordem de Santiago as vilas de Almodôvar, Ourique e os castelos de Monchique e de Aljezur.

Simbolo da Ordem do Carmo
Mais tarde o Rei D. Fernando I viria a incluir estas terras da Margem Sul do Tejo nos bens com que dotou sua mulher a Rainha D. Leonor de Teles.
Por morte de D. Fernando I, parte destes bens, onde se incluía a zona ribeirinha de Amora, foram doados pela mesma rainha, ao então almoxarife das alfândegas do reino, o judeu David Negro, o que parece ter estado na origem do nome "Rio Judeu", braço do Tejo.
Na sequência das revoltas promovidas pelo Mestre de Avis, contra a então regente do reino D. Leonor de Teles e o Conde Andeiro (crise política de 1383/1385), o judeu David Negro acabaria por apoiar a facção da rainha.
No seguimento destas disputas do trono de Portugal, o judeu David Negro fugiu para Alenquer com os apoiantes de D. Leonor de Teles, onde a mesma se tinha visto obrigada a refugiar-se.
A fuga e o persistente apoio à rainha, viúva do rei D. Fernando I acabaram por fazer com que o judeu David Negro fosse declarado, pela facção fiel ao Mestre de Avis, como traidor à pátria e perdesse, entre outros, os bens que possuía nesta Margem Sul do Tejo.

fonte: timelinefy.com
D. João I, ainda como regente do reino, doou então esses bens ao seu leal amigo e distinto homem de armas D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável. No entanto David Negro, que era casado, ao fugir para Alenquer, deixou a família em Lisboa. Sua mulher, ao ter conhecimento sobre aquela doação feita a D. Nuno Álvares Pereira, por D. João Mestre de Avis, tentou embargá-la em nome dos filhos; seguiu-se um processo judicial longo, que só terminou em 1393, após nove anos, acabando a mulher de David Negro por conseguir recuperar os bens que seu marido tinha possuído no Termo de Almada, onde se incluía uma boa parte do território ribeirinho da freguesia de Amora.

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Mais tarde, segundo a tradição, o Condestável comprou então à mulher do almoxarife judeu David Negro (entretanto já falecido) os referidos bens, para os juntar aos que já possuía nestes domínios da "Outra Banda".
fontes: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima
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