A Quinta da Atalaia em Amora, um lugar com História (4)
07.11.20, os amorenses
A Quinta da Atalaia em Amora, um lugar com História (4)
Quarta Feira, 26 de Agosto de 2020

AS CAPTAÇÕES DE ÁGUA
Com o objetivo de captar águas do subsolo para abastecimento da navegação que acostava ao porto de Lisboa, incluindo marinha mercante, mas também marinha de guerra e navios de passageiros, em 1940 surge a exploração de águas denominada por "Sociedade da Quinta da Atalaia, Lda". Esta empresa, quando se formou, abriu dois furos com cerca de 60 metros de profundidade na zona baixa da Quinta e construiu em zona elevada três depósitos cilíndricos, assentes no solo, com capacidade total para 2100 toneladas de água, o que equivale a 2 milhões e 100 mil litros.
Com portinho próprio para expedição, eram as águas encaminhadas dos depósitos para o cais por gravidade, através de tubagem com cerca de 30 centímetros de diâmetro, e controladas por válvulas.
De início, anos 40 e 50, a água era levada da Quinta da Atalaia para o porto de Lisboa em fragatas e varinos, barcos de madeira e à vela, devidamente preparados com depósitos nos seus porões.
Mais tarde, estes barcos tradicionais foram substituídos por barcaças em ferro com motor incorporado e também por batelões rebocados, cujos depósitos chegavam a ter capacidades na ordem das 400 toneladas de água. Já nos anos 80, a firma "M. J. Pereira, Lda." da Quinta da Atalaia associa-se a uma outra exploração de águas do mesmo tipo existente nos terrenos anexos da Barroca de Amora, a "Lisbon Fresh Water Supply, Lda.", formando-se uma nova empresa conhecida por "Aguanave".
Nos cais de Lisboa, a água de excelente qualidade era bombeada de dentro das barcaças para dentro dos reservatórios dos grandes navios mercantes ou de turismo, como são exemplo o "Funchal" ou o "Queen Elizabeth II", servindo não só para beber, mas também para utilizar nas cozinhas, casas de banho e caldeiras.
Depois de uma recessão na procura destas águas por parte do porto de Lisboa, tendo em conta que muitas embarcações passaram a fazer dessalinização da água do mar, em meados dos anos 90, todo o sistema de abastecimento do precioso líquido relativo ao Porto de Lisboa acabaria por ser desativado, passando estas captações a servir apenas as necessidades inerentes à própria dinâmica da Quinta.

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fonte: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima
fonte: dre.pt
foto: ecomuseu municipal
fonte: dre.pt
foto: ecomuseu municipal