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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

A Voz d'Amora Página 1

11.11.20, os amorenses

Provavelmente o primeiro jornal da nossa terra

A Voz d'Amora Titulo.jpg

Página 1

Fundado em 05 de Novembro de 1916 em Amora
 
O Raizes de Amora tem em seu poder , o NÚMERO ÚNICO deste jornal , que foi editado em 28 de Junho de 1969 , cinquenta e três anos depois da sua primeira edição , que data de 05 de Novembro de 1916 . Este número único , foi especialmente dedicado à homenagem prestada às Familias Amorenses , Carvalho e Gomes Duarte e foi seu editor Messias Soeiro , que na altura era o Presidente da Direcção da Sociedade Filarmónica Operária Amorense . Para esta homenagem , foi criada uma Comissão Promotora , da qual faziam parte Alfredo Silva , Guilherme O. Costa Almeida , Júlio Felisberto Ramalhete e Messias Soeiro . A distribuição foi gratuita e limitada aos sócios da Sociedade Filarmónica Operária Amorense , e do Amora Futebol Clube e aos convidados pelas respectivas Direcções .
 
Destacamos os dois titulos da 1ª. Página , «O "Alfa e o Omega" da Voz D'Amora » assinado por João Guilherme e « Porquê esta Homenagem » elaborado pela Comissão Promotora . Leia a trancrição do texto da página 1:
 
Amora , 28 de Junho de 1969 A Voz d'Amora
 
O "Alfa e o Omega " da Voz D'Amora
 

Manuel Saraiva de Carvalho 1.jpg

AO DINAMISMO QUE MANUEL SARAIVA DE CARVALHO SOUBE TRANSMITIR AOS SEUS COLABORADORES, DAMIÃO VALDEZ MENDES E LUIZ MARTINS , SE DEVE O APARECIMENTO EM 05 DE NOVEMBRO DE 1916 DO PRIMEIRO NÚMERO DE « A VOZ D'AMORA » .

DO ARTIGO DE FUNDO DAQUELE NÚMERO , INTITULADO «AO QUE VIMOS» , TRANSCREVEMOS O SEGUINTE :
 
« Como isto de programas é uma coisa velha e relha , em que ninguém acredita , pela simplíssima razão de nunca se cumprirem , nós resolvemos dizer ùnicamente que o nosso jornal visa apenas defender os interesses da nossa terra . Arredaremos , por completo , questões políticas ou religiosas , estando mesmo pouco resolvidos a não entrar em polémicas desde que elas baixem da discussão serena ao INSULTO OU À INSÍDIA , norma infelizmente , de grande parte da Imprensa Portuguesa . Quando nos atacarem de luva calçada , responderemos , serenamente , também . Quando entenderem que a melhor lógica é o palavrão e a melhor dialéctica a da calúnia , a caravana passa e não dá ouvidos . Se nesta luta que vamos encetar pela nossa terra , formos vencidos , curvamo-nos . Contra a maré não há que remar . Se , porém , alguma coisa conseguirmos , como esperamos , nada queremos , porque nos basta a alegria de ver a nossa terra próspera e desenvolvida ! E agora , avante AMORA !»
Mais de três anos depois , em 28 de Dezembro de 1919 , publicou-se o último número de «AVoz D'Amora» , e o seu activo fundador e proprietário MANUEL SARAIVA DE CARVALHO , mostra-se nele ladeado por dois distintos colaboradores : o seu primo co-irmão MÁRIO GOMES DE CARVALHO também dilecto filho da Amora e o seu grande amigo de sempre em ostensivas provas de invulgar dedicação , JOÃO CALIXTO GRILO , seixalense dos mais ilustres .
No artigo de fundo daquele número , sob o título «NATAL JORNALISTICO» , transparece uma mal disfarçada tristeza , envolta numa anunciada «recolha a bastidores» , visto se prever a chegada de um novo periódico , ao qual é oferecido apoio , propriedade do conhecido jornalista político Ribeiro de Carvalho .
Embora se acentue no mesmo artigo que tal retirada , é apenas sinal de fadiga e que não há morte inglória , o facto é que o meio século que nos separa da data de saída do último número é tempo mais do que suficiente para se confirmar o fim .
 
E « A VOZ D'AMORA » QUE FINDOU PORTANTO A SUA MISSÃO HÁ QUASE 50 ANOS É APENAS UMA SAUDOSA TESTEMUNHA DO PASSADO , QUE COMPARECE NA HOMENAGEM PRESTADA A AMORENSES OSTENTANDO A SUA DIVISA SEM MÁCULA :
 
PELA ORDEM ! PELA TRADIÇÃO ! PELA NOSSA TERRA !

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 Porquê esta Homenagem ?
 
A cultura e o recreio populares mereceram sempre o carinho e o apoio dos beneméritos que , para além dos egoísmos , infelizmente vulgares em todos os tempos , lhes dedicam os seus generosos esforços , impulsionando-os com entusiasmo , e quantas vezes , com sacrifícios que atingem os limites do estoicismo e da abnegação .
 
Guilherme Gomes Duarte - amorense de eleição - descendente de uma das mais dignas e notáveis famílias amorenses , num rasgo de valorosa iniciativa , proporcionou aos seus conterrâneos a primeira sede e instalações da Sociedade Filarmónica Operária Amorense , fundadas em 28 de Junho de 1898 , tendo presidido ao lançamento da primeira pedra sua esposa , D. Maria da Soledade Carvalho Duarte , senhora de excelsas virtudes , também natural da Amora e descendente da Família Carvalho , uma das mais antigas e distintas famílias de amorenses .
 
João Guilherme de Carvalho Duarte - filho primogénito daquele ilustre casal de beneméritos , e sua prima co-irmã , D. Branca Saraiva de Carvalho , também descendente da Familia Carvalho , ambos nascidos na Amora , seguindo a senda gloriosa de seus maiores , realizaram os anseios dos seus conterrâneos , construindo na sua terra natal um belo edifício devidamente equipado para espectáculos de cinema e teatro , que é a sede actual da Sociedade Filarmónica Operária Amorense .
 
Àquela respeitabilíssima e bondosa senhora D. Branca , devem ainda os amorenses outras doações importantes de terrenos destinados à sede do Amora Futebol Clube e à cantina escolar . Por tão valiosas e altruistas benemerências , está , portanto , plenamente justificada a homenagem integrada no programa das comemorações da data da fundação da Sociedade Filarmónica Operária Amorense , que é prestada às ilustres Famílias Carvalho e Gomes Duarte , nas pessoas dos seus actuais descendentes , em devido , indeclinável e merecido preito de gratidão , de todos os Amorenses .
 

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Na sessão solene de inauguração da actual sede da Sociedade Filarmónica Operária Amorense , presidida pelo Exmº. Governador Civil de Setúbal , Sr. Doutor Miguel Rodrigues Bastos , foram homenageados os beneméritos D. Branca Saraiva de Carvalho e João Guilherme de Carvalho Duarte , ladeando as fotos dos homenageados , o Presidente da Sessão , o irmão de D. Branca , Manuel Saraiva de Carvalho , a filha de João Guilherme , D. Maria Guilhermina Patrony de Carvalho Duarte e o Presidente da Direcção da S. F. O. A. , Júlio Felisberto Ramalhete .