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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

A Voz d'Amora Página 3

11.11.20, os amorenses

Provavelmente o primeiro jornal da nossa terra

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Amora , 28 de Junho de 1969 A Voz d'Amora

Página 3
 
AMORENSES DE HOJE
 
João Guilherme de Carvalho Duarte
 
Nasceram na residência de seus pais , Guilherme Gomes Duarte e D. Maria da Soledade Carvalho Duarte , situada no então denominado Largo do Aterro , hoje Alameda Dr. Oliveira Salazar , em Amora , a 26 de Março de 1902 .
 
Frequentou com 5 anos de idade , a única Escola local , regida pelo Professor Primário Custódio Rodrigues Costa .
Em 1908 , contando portanto , apenas 6 anos , fixaram seus Pais residência em Lisboa , pelo que frequentou ali o antigo Colégio Ernesto de Carvalho , a S. Bento , onde completou a Instrução Primária (2º. Grau) .
 
Interrompe os estudos leciais para regressar com a familia a Amora em 1915 , ingressando no escritório fabril da Companhia das Fábricas de Garrafas na Amora , onde até 1920 , sob a direcção dos chefes daquele escritório , o súbdito alemão George Kumb e o distinto autodidacta amorense Damião Valdez Mendes , pratica contabilidade industrial .
 
Voltando para Lisboa em 1921 , é atraído pelo Ensino Técnico Comercial , matriculando-se na Escola Comercial de Ferreira Borges no curso de 1922/25 e fundando , com alguns condiscípulos a Associação Académica daquela Escola , que o elege , sucessivamente , em 1924 e 1925 para os 2º. e 3º. Congressos das Escolas Técnicas de Portugal .
No segundo Congresso , realizado na cidade de Coimbra em Junho de 1924 , intervém na discussão das principais teses aprovadas por aclamação :
« Esperanto , Língua Internacional » « Assistência Médica aos Alunos das Escolas Técnicas » e « Bolsas de Estudo » , apresentadas respectivamente , pelos Congressistas Arnaldo Rodrigues , de Lisboa , Hernâni Cavadinho , do Porto , e Jaime Nascimento de Almeida , de Coimbra .
 
É eleito , neste Congresso , para a Federação Académica Comercial e Industrial , onde por vezes exerceu as funções de Presidente , evidenciando-se , como dirigente , em vários conflitos académicos , nas tumultuosas agitações sociais daquela época .
No 3º. Congresso , realizado na cidade do Porto , em Junho de 1925 , é aprovado por aclamação o Relatório da Federação Académica , em que notavelmente colaborou , intervindo na defesa da tese « Relações Académicas Internacionais » elaborada em conjunto com o seu ilustre colega Arnaldo Júlio Vieira , tese que também foi aprovada por aclamação , sendo reeleito para a Federação Académica Comercial e Industrial .
 
O exercício das suas funções de dirigente académico , exigiu frequentes contactos com as mais categorizadas individualidades da vida política daquele tempo , desde o Chefe do Estado , Presidente Teixeira Gomes , aos Chefes do Governo , Drs. Álvaro de Castro e José Domingues dos Santos , aos Ministros Helder Ribeiro , Plínio Silva , Sá Cardoso , Nuno Simões , Pires Monteiro , e aos Deputados Pedro Pitta , Carvalho da Silva , João Camoezas , Jorge Nunes , etc., etc. .
 
No segundo lustro dos anos vinte , dedica-se a diversas actividades comerciais , ocupando-se principalmente , dos negócios da Sociedade que fundou com o seu Tio Manuel Luis de Carvalho e seu Primo co-irmão Manuel Saraiva de Carvalho , denominada Sociedade Salineira e Agricola Lda. , importante Firma que exercia a exploração de grandes salinas , exportações de sal , lavoura e criação de gados.
 
Interveio em relevantes casos profissionais de técnico de contas , em colaboração com o famoso contabilista Augusto José da Cruz , entre os quais , num pleito comercial suscitado na Firma Alexandre de Mendonça Alves Lda. , de que era então , sócio principal o distinto jornalista e Director do Jornal « O Século» , João Pereira da Rosa . Resultaram daquela colaboração as melhores relações de amizade com Augusto José da Cruz e com o Engº. Agrónomo Duarte de Almeida Toscano , os quais lhe apresentaram no principio do ano de 1939 , com os mais veementes pedidos de patrocínio , o Sr. Horácio Filipe dos Santos Viana , sócio-gerente de uma empresa de construções metálicas denominada « A Construtora Moderna Ldª.» , que se encontrava então na mais grave , deplorável e angustiosa situação comercial .
 
Acedendo àqueles pedidos que o contabilista Augusto Cruz consideravam irremediavelmente perdido , e aos implorativos rogos em convulsivo pranto do Sr. Horácio Viana , ingressou na referida Construtora Moderna , cujo estado caótico , sob todos os aspectos , exigiu , desde logo , a mais absorvente e exaustiva de todas as actividades a que , até ali , se tinha dedicado .
 
OS EFEITOS DE TAL INTERVENÇÃO NA CONSTRUTORA MODERNA Ldª. , ENCONTRAM-SE DEVIDA E EXUBERANTEMENTE DOCUMENTADOS NOS ELEMENTOS QUE ESTÃO PATENTES NAS SEDES DO AMORA FUTEBOL CLUBE E DA SOCIEDADE FILARMÓNICA OPERÁRIA AMORENSE .