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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

Amora no tempo e no espaço (1)

06.11.20, os amorenses
Amora no tempo e no espaço (1)
 
Quinta Feira, 24 de setembro de 2020
O TERRITÓRIO DA FREGUESIA AO LONGO DOS SÉCULOS
 
Amora, atualmente uma das seis freguesias do concelho do Seixal, encontra-se integrada na Área Metropolitana de Lisboa, Margem Sul do Estuário do Tejo,Distrito e Diocese de Setúbal, na designada "Outra Banda". Fazendo fronteira terrestre a poente com a freguesia de Corroios, a nascente com Seixal, Arrentela e Fernão Ferro e a sul com o próprio concelho de Sesimbra, Amora é hoje atravessada por importantes eixos rodoviários (Autoestrada do Sul e E.N. n.° 10), usufruindo igualmente de uma estação ferroviária, situada entre a Cruz de Pau e os foros de Amora, que lhe facilita os acessos a Lisboa, assim como ao Sul do país. Mas, nem sempre foi assim.
 
Segundo o Dicionário Geográfico da autoria do Padre Luís Cardoso, memórias de 1736, nessa época Amora era "Lugar e freguesia na província da Estremadura, patriarcado de Lisboa, comarca de Setúbal, (e pertencia ao) Termo da vila de Almada."
Constava então apenas "toda a freguesia, de cento e sessenta e dois fogos".
Nesta primeira metade do século XVIII, diz-nos igualmente a mesma fonte, que: "está fundado este lugar (Amora de Cima e Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião)
Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião na Amora de Cima
sobre um monte, do qual se descobrem algumas povoações, como são a cidade de Lisboa, as vilas e castelos de Almada e Sesimbra. (...) Continuando, algumas linhas depois, "cerca meia freguesia um braço do rio Tejo salgado, que corre do nascente ao poente, e da banda do norte; (...) metem-se 'neste braço de mar dois rios de água doce, que servem de margens à freguesia: o da parte nascente se chama o rio Judeu e o do poente de Corroios."
Miradouro da Amora de Cima
Também no primeiro quartel deste mesmo século XVIII, Frei Martinho de Santa Maria no seu Santuário Mariano escreve: "a igreja deste lugar da Amora se vê situada em um outeiro, que se levanta com mais eminência, aos que lhe ficam em roda, porque não se levantam muito, e nas faldas deste monte se vê outra aldeia, a que dizem Amora Nova (mais tarde - Amora de Baixo). É este monte muito agradável e delicioso, não só pelos largos horizontes que dele se descobrem, como pela deliciosa vista do Tejo; (...)"
Um pouco mais tarde, 1758 escreve o vigário de Amora, Sebastião Roíz Rogado na resposta que deu ao "Inquérito Pombalino": "Amora é lugar no Termo de Almada, e esta vila, comarca de Setúbal, patriarcado de Lisboa, e freguesia da província do Alentejo, mas em toda esta o governo tanto espiritual, como civil, militar ou económico pertence à província da Estremadura (...) Consta esta freguesia de duzentos e vinte e nove fogos, em que há oitocentos e quarenta e sete pessoas de comunhão e quarenta e quatro menores.
Está situada num plano, em cima de um monte, donde se descobre não só a maior e a mais nobre parte da freguesia, como são o lugar chamado da Fonte da Prata, o lugar chamado da Quinta dos Lobatos, o rio judeu, o lugar da Torre, que já é da freguesia da Arrentela, mas também o lugar e freguesia de Arrentela, o lugar e freguesia do Seixal, e as muitas quintas e fazendas que medeiam entre estes lugares e freguesias; mediando entre tudo um braço de mar salgado, (...); do mesmo monte se vê também a vila do Barreiro, distante meia légua por mar, (...). (...). A vila de Almada sua capital, (do Termo), em distância de uma légua grande, por terra; a nobilíssima cidade e corte de Lisboa ficam a uma distância de três léguas por mar, e tudo o mais que a vista não pode compreender até Vila Franca de Xira, ficando toda esta belíssima perspectiva para a parte da nascente e norte deste lugar.
Há mais, pertencente a esta freguesia (de Amora), três pequenos lugares, que ficam para a parte do poente e norte do lugar, o primeiro chama-se Cheira- Ventos, que antigamente se chamava Amora Velha, então constava de muitos moradores (...) e é tradição deste lugar ser a primeira povoação desta freguesia, que deu o nome a este lugar de Amora; o lugar do Rossio que se chama o Rossio de Amora, que consta de quatro quintas (...); o lugar do Talaminho, que consta de dez fogos."
Amora Velha
Como se pode verificar pelas citações feitas anteriormente, no início e em meados do século XVIII, altura em que ainda não tinha sido criado este concelho, Amora era uma das freguesias do Termo de Almada, acontecendo aliás o mesmo com Arrentela, Seixal e Corroios.
Amora de Baixo - Vista Parcial
Em toda esta região, essencialmente ocupada por propriedades agrícolas e por áreas florestadas, o número de fogos e de habitantes residentes era então muito reduzido.
Só a 6 de Novembro de 1836, a "Reforma Administrativa do Liberalismo", levada a cabo no reinado de D. Maria II, instituiu o município do Seixal.
Nessa mesma data, a freguesia de Amora, que passou a englobar também o antigo território da entretanto extinta freguesia de Corroios, tornou-se a maior das quatro freguesias do recém-criado concelho.
Em meados do século XIX, quando a área do município do Seixal era sensivelmente a mesma (cerca de 93,6 km2), a freguesia de Amora tinha uma área de 48,8 km2, ligeiramente mais de metade da área de todo o território concelhio, a freguesia de Arrentela 22,1 km2, a freguesia de Aldeia de Paio Pires 20,2 km2 e a freguesia do Seixal 2,4 km2.
Moinho de Maré da Raposa em Amora
Relativamente ao território desta antiga freguesia de Amora, que englobava todo o território municipal situado a poente do rio Judeu, pode ser lido na "Corografia Moderna do Reino de Portugal" datada de 1876 e da autoria de João Maria Baptista o seguinte: "Está situado o lugar de Amora (a igreja paroquial está em Amora de Cima que fica muito próximo de Amora de Baixo, constituindo por assim dizer um só "L") junto a um esteiro do Tejo, onde vem entrar o rio Judeu. Dista do Seixal dois quilómetros para sudoeste.
Moinho de Maré da Raposa em Amora
Compreende esta freguesia os lugares de Amora de Cima, Amora de Baixo, Foros do Paço do Bispo e Corroios; Fonte de Cima, Lobatos, Casalinho, Cruz de Pau, Paço do Bispo, Charnequinha, Cheira- Ventos, Talaminho, Santa Marta de Corroios, Casa de Pau e Vale de Milhaço; e as Quintas da Medideira, da Cova, do Braz, do Troca, do Património, Inglesinhas ou Inglesinho, Barroca, Atalaia, da Loba, da Princesa, do Castelo, d'Argena, da Agua, São Pedro, Marialva, do Contrabandista, da Mata, do Nisa, de Carapinha, São Nicolau, Brasileiro, Rouxinol, Borba, Varejeira, do Conde."
Neste mesmo documento escrevia-se igualmente que a antiga freguesia de Nossa Senhora do Monte Sião (única desta invocação em Portugal) era nessa altura priorado.
Já no último quartel do século XIX, no seu Dicionário Geográfico Portugal Antigo e Moderno Pinho Leal escreve relativamente à freguesia de Amora: "Pertence à província da Estremadura, comarca de Almada e concelho do Seixal, localiza-se a 18 quilómetros a sul de Lisboa e tem 310 fogos (...) está situada próximo da margem esquerda do Tejo, em linda paisagem, muito fértil e saudável. Como fica em uma elevação, dela se descobre Lisboa, Almada, Sesimbra e outras povoações menores.
 
fonte e fotos: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima
fotos: ecomuseu municipal