Amora Setecentista
11.11.20, os amorenses
Amora Setecentista

O Pe. Luís Cardoso, da Congregação do Oratório de Lisboa, publicou em 1747, um “Diccionário Geografico” onde descreve o Termo de Almada fazendo referência também à orografia, população, fauna, economia, lugares de culto, genealogia das famílias mais importantes e outras curiosidades. É uma fonte muito interessante apesar de algumas incorrecções.
Eis, como o Pe. Luís Cardoso descreve a Amora setecentista:
Amora
“Lugar, e Freguesia da Província da Estremadura, Patriarcado de Lisboa, Comarca de Setuval, Termo da Villa de Almada: consta toda a Freguesia de cento e sessenta e dous fogos. Está fundado este Lugar sobre um monte, do qual se descobrem algumas povoações, como são; a Cidade de Lisboa, as Villas, e Castelos de Almada e Cezimbra.
[…]
Cerca meia freguesia um braço do rio Tejo salgado, que corre do Nascente ao Poente, e da Banda do Norte por todo ele navegam barcos, e o frequentam mais de duzentos, e pode admitir muitos mais. Tem dois portos principais, um a que chamam Raposa, e outro Carrasco, onde se carrega lenhas, e madeiras que vem para a corte. Tem mais portos da quinta das Lobatas, da Prata, das Fermosas, do Minhoto, Cabo da Marinha, Barroca e, Alaminho. Metem-se neste braço de mar dous rios de água doce, que servem de margens à Freguesia: o da parte do Nascente se chama o rio Judeu, e o do Poente de Corroios.
Cria este braço de mar muito peixe e se fazem nelle muitas e boas pescarias livres de senhorios particulares, e só pagam o direito a El-Rey. Os peixes são; tainhas, fataças, negrões, muges, corvéus, corvinas, robalos, salmonetes, douradas, e muitos outros. Tem duas casas de moinhos, cada uma com cinco ou seis engenhos, que moem com água salgada do mesmo braço de mar.”
Tomo I. pp 454-456
Nota: Para fazer esta Nota socorri-me do Boletim Almada da História, 2005, fazendo algumas adaptações para tornar mais fácil a leitura. O Boletim pode ser consultado, aqui.