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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Festas dos Santos Populares nos Anos 30-40

29.11.20, os amorenses

AS FESTAS DOS "SANTOS POPULARES" EM AMORA, ANOS 30/40

Antonio Trindade proprietario em Amora com familia

Antonio Trindade proprietario em Amora com familiares e amigos Ano de 1927 - foto da Familia Trindade

De acordo com os testemunhos recolhidos junto dos mais velhos nascidos em Amora, ficámos a saber que, há cerca de oitenta/noventa anos, as festas dos "Santos Populares" feitas nesta freguesia eram muito animadas. 

Nessa altura, em que a pobreza era muita e em que não havia dinheiro para gastar, o povo divertia-se como podia e à sua maneira, estabelecendo-se entre os poucos habitantes residentes laços profundos de amizade   e   de solidariedade, que ainda hoje são recordados pelos mais idosos com nostalgia. 

Os maiores arraiais montados no tempo dos "Santos Populares" nesta freguesia eram os de Amora de Baixo, embora mesmo dentro desta zona ribeirinha existissem vários locais de animação. 

Segundo Alfredo Duarte Alminhas, um desses arraiais era feito na Avenida Silva Gomes, no terreiro ao lado da antiga escola dos Alemães. Também nos diz Pastora Lira que, apesar de haver arraial junto à capela de Nossa Senhora da Piedade, na Fonte de Cima, os maiores arraiais, eram os que se faziam no Largo das Lobatas e no Largo do Chafariz, (hoje Manuel da Costa) em frente da padaria do "Galego". 

A armação dos arraiais, para além das varas, era feita essencialmente com o entrelaçar de plantas silvestres, que se iam buscar ao mato, onde se incluíam as urzes e o medronheiro. Nalguns Casos Utilizavam-se igualmente folhas de palmeiras, das que existiam plantadas junto de algumas, importantes, propriedades. 

No centro dos arraiais eram, nalguns casos, feitos autênticos altares ou tronos, onde se colocava a imagem do Santo festejado, o Santo António, o São João ou o São Pedro. 

Os tronos eram normalmente muito bem ornamentados   com flores   e   devidamente   iluminados com velas de várias cores, o   que transmitia um carácter solene e religioso às festividades. 

Conta-nos Joaquim "Jota" que num dos anos desta década de trinta, se fez um trono a Santo António muito bonito, em que existia uma bilha, da qual escorria água, como se de uma cascata se tratasse. 

"Outro   motivo   fundamental destes   arraiais, diz-nos, igualmente, Joaquim "Jota" "eram as grandes fogueiras, para as quais se carregavam as lenhas de véspera.  

Largado o fogo ao escurecer, estavam   acesas durante toda a noite. Os mais novos, rapazes e raparigas, saltavam sobre as labaredas, e à volta estava o povo, muitas vezes de mãos dadas, fazendo o baile e cantando o "Vai de roda, cantem todos!..."." 

A música, de improviso, era abrilhantada por tocadores de harmónica, de gaita-de-beiços, de viola ou de guitarra portuguesa. 

As mulheres, de saias a arrastar pelo chão, encarregavam-se de fazer cafeteiras de café, nas brasas, que da fogueira se retiravam. 

Neste tempo não havia exploração de bares, porque simplesmente não havia praticamente dinheiro para comprar nada. 

No Santo António, à meia-noite, e depois de muito se ter bailado, fazia-se então a queima das alcachofras. No São João, pela noite dentro, desfilava a "Marcha das Canas". Neste cortejo participavam sobretudo rapazes e raparigas, aos pares, cada qual com uma cana verde na mão, que era apanhada nos valados das quintas. Muitas das canas levavam também balões de papel de seda pendurados, alguns iluminados com velas no seu interior e todos os participantes iam cantando os refrães das marchas populares. 

Diz-nos Joaquim "Jota" que a "Marcha das Canas" ia muitas vezes à courela do Senhor José Marques, para lá da Quinta da Medideira, já a caminho do Cabo da Marinha, onde havia um tanque de rega com água, que muitos utilizavam para lavar a cara e ganhar ânimo, para continuar o bailarico até de madrugada. 

fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima