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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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As Princesas da Quinta da Princesa

11.11.20, os amorenses

AS PRINCESAS DA QUINTA DA PRINCESA

Maria Francisca Benedita 1746-1829.jpeg Infanta D. Maria Francisca Benedita (1746-1829) fonte: Wikimedia Commons

Com uma história que remonta ao século XIV, a Quinta da Princesa ou da Infanta, situada na freguesia de Amora, relativamente próximo de Santa Marta de Corroios, deve o seu nome ao facto de ter tido como ilustres proprietárias duas formosas princesas. 

A INFANTA D. MARIA FRANCISCA BENEDITA 

Filha mais nova de El-Rei D. José e de D. Mariana Vitória, teve a infanta D. Maria Francisca Benedita três irmãs, D. Maria Ana, D. Maria Doroteia e D. Maria I. Foi esta última que, como primogénita, viria a suceder a seu pai no trono de Portugal. Maria Francisca Benedita, princesa da Beira e do Brasil, nasceu em Lisboa no ano de 1746 e veio a falecer na Ajuda, no ano de 1829, com 83 anos de idade.

Extremamente culta, esta princesa herdou de sua mãe, D. Mariana Vitória de Bourbon, filha de Filipe V de Espanha, o gosto pela música, pelo teatro e pelas artes plásticas. Aos 80 anos ainda tocava primorosamente piano, tendo feito parte da orquestra da Corte, nesta época uma das melhores da Europa.

Na área da pintura, executou, para a basílica da Estrela, mandada construir por sua irmã D. Maria I, os quadros intitulados "Coração de Jesus" e "Anjos Custódio e Rafael". 

Aos trinta anos de idade, casou com seu sobrinho, filho de D. Maria I, D. José, Príncipe do Brasil, que possuía apenas 16 anos de idade.

José_de_Bragança,_Príncipe_do_Brasil_(séc._XVI

Este casamento duraria, contudo, apenas doze anos, pois, em 1788, D. José viria a falecer. 

Foi particularmente a partir desta altura que D. Maria Francisca se passou a recolher com maior frequência na sua Quinta de Amora, da qual foi proprietária durante cerca de 79 anos, no período compreendido entre 1750 e 1829. Esta princesa, de grande generosidade e sensibilidade, ao que parece herdada pela parte materna, viria a fundar no ano de 1827 o Hospital e Asilo dos Inválidos Militares, na Quinta dos Bernardos, em Runa, a quem por testamento doou mais tarde a sua Quinta. 
No período de tempo em que a Quinta da Princesa pertenceu à Infanta D. Maria Francisca Benedita, aconteceram a nível nacional factos como: o catastrófico terramoto de 1755, a governação do Marquês de Pombal, as Invasões Francesas, a Independência do Brasil e a Revolução Liberal. 

Coche de D. Maria Francisca Benedita.jpg

A    INFANTA    D.    ISABEL    MARIA   DE BRAGANÇA 

1818 Isabel de Bragança by Zacarías González Ve Infanta D. Isabel Maria de Bragança (1801-1876) by Zacarías González Velázquez - fonte: gogmsite.net

Filha de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, teve a Infanta D. Isabel Maria de Bragança oito Irmãos, entre os quais D. Miguel e D. Pedro V, que viriam a ser monarcas de Portugal. 

A infanta D. Isabel Maria de Bragança, nascida em Queluz, no ano de 1801, faleceria em Benfica, no ano de 1876, com 74 anos de idade. 

Por doença de seu pai, D. João VI, foi nomeada por este para presidir a um conselho de regência em 1826, do qual faziam parte o Cardeal Patriarca, o Duque do Cadaval, o Conde das Antas e o Marquês de Velada. 

Por morte de seu pai, a 10 de março de 1926, ficou sendo regente de Portugal, em nome de seu irmão mais velho, D. Pedro IV, imperador do Brasil, num período de quase dois anos, enquanto não se resolvia a questão sucessória. 

Já em 1828 viria a transmitir o poder ao seu outro irmão, D. Miguel, como regente, após o que se alheou da política. 

Esta princesa, muito devota, viria a proteger variadas instituições religiosas e assistenciais. Entre outros atos, admitiu os membros das congregações religiosas ao magistério público, nas escolas de menores, protegeu as Irmãs de Caridade e subsidiou a Escola de Meninos, fundada pelo seu professor, o franciscano Frei Agostinho da Anunciação. 

Foi duas vezes a Roma para solicitar a sua Santidade, o papa, vários pedidos relacionados com a sua assistência social e religiosa, incluindo a aprovação para a fundação das Irmãs Hospitaleiras da 3.a Ordem de S. Francisco (Trinas). 

Quando da morte da Infanta, no ano de 1876, a Quinta da Princesa ou da Infanta foi doada ao Colégio dos Missionários Ingleses de S. Pedro e S. Paulo. 

Durante os 40 anos em que a Quinta da Princesa pertenceu à Infanta D. Isabel Maria de Bragança (1836-1876), reinados de D. Maria II e de D. Pedro V, aconteceram no nosso país factos como a inauguração das primeiras linhas telegráficas e dos caminhos-de-ferro nacionais, a fundação das escolas médicas, politécnicas e primeiros liceus portugueses, assim como o aparecimento   das   epidemias   de   cólera-morbo   e febre-amarela, o que teria certamente motivado uma maior utilização dos ares saudáveis que envolviam esta quinta da freguesia de Amora e da Margem Sul do Tejo. 

A propósito do topónimo atribuído a este recanto maravilhoso, situado nas margens do Esteiro de Corroios, privilegiado pela natureza, diríamos que em vez de Quinta da Princesa e em sintonia com a realidade histórica se poderia perfeitamente designar por Quinta das Infantas, ou ainda por Quinta dos Infantes, se pensarmos que foi igualmente pertença dos Infantes, D. Augusto, filho de D. Maria II e de D. Afonso, filho de D. Luís. Contudo, mais importante do que isso é a salvaguarda e preservação deste singular espaço, testemunho da nossa história local. 

fonte: "Memorias e Vivencias d'Outrora do Prof. Manuel Lima

Agradecemos a correção e algumas "pistas" adicionadas ao post por Rui Manuel Mesquita Mendes

"Já agora, corrigiria apenas um pequeno pormenor, que aliás já tinha chamado à atenção no artigo que fiz sobre esta e as outras «quintas das Infantes», como muito bem chamaram no texto, que é o facto da Infanta Dona Maria Francisca Benedita não ter sido proprietária da sua Quinta de Amora «durante cerca de 79 anos, no período compreendido entre 1750 e 1829»!

De resto veja-se que pouco sentido faria que ela já fosse aqui proprietária com apenas 4 anos, ou que não fosse mencionada sequer nas memórias paroquiais da Amora de 1758 como umas proprietárias do Rossio da Amora, como era este sítio mais conhecido então.
 
Atente-se que a propriedade e núcleo original da Quinta da Infanta e Princesa (que teria uma entrada mais próxima de Santa Marta) era a anteriormente chamada Quinta Grande do Rossio de Amora, a qual só veio a ser adquirida pela Infanta Dona Maria Francisca Benedita depois de 1790. Era esta a quinta «de Regalo» que a Infanta menciona no seu testamento feito em 1829 e que foi publicado por Alice Lázaro.
 
Esta quinta pertencia em 1758 e 1761 a um José Borges de Brito e estava vinculada a uma capela da Igreja da Amora fundada por um Cosme Antunes em 1593. Depois de adquirida pela Infanta Dona Maria Benedita, esta integrou em 1794 um outro núcleo ou quinta a sul da estrada, que pertencera até então ao Convento de São Domingos de Lisboa.
Os restantes núcleos da actual Quinta da Princesa foram quintas compradas em 1836 e 1838 pela Infanta Dona Isabel Maria."