Avenida Marcos Portugal
03.08.25, os amorenses
AVENIDAS, RUAS, TRAVESSAS, PÁTIOS E BÊCOS DE AMORA
OS NOMES E SUAS HISTÓRIAS AO LONGO DOS SÉCULOS

Temos vindo ao longo dos anos, a escrever sobre os espaços da nossa cidade, avenidas, ruas, travessas, pátios e bêcos e a história por trás dos seus nomes.
Uma das maiores artérias da nossa cidade é a Avenida Marcos Portugal, que tem o seu início na Rua 1° de Maio e final na Rua 25 de Abril, mas quem foi Marcos Portugal?
Nasceu em Lisboa a 24 de Março de 1762 e faleceu a 17 de Fevereiro de 1830, com 67 anos no Rio de Janeiro, no Brasil. Foi um compositor e organista de música erudita, ópera e música sacra, famoso no seu tempo e conhecido por toda a Europa.
Aos 20 anos era organista e compositor da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa e em 1784 foi nomeado maestro do Teatro do Salitre, para o qual escreveu farsas, elogios e entremezes, além de modinhas.
A corte encarregou-o de obras religiosas para o Palácio Real de Queluz, bem como outras capelas utilizadas pela Família Real.
Em 1792 e graças à fama angariada na Corte, consegue um patrocínio para ir a Itália, onde permaneceu com interrupções até 1800, compondo várias operas em estilo italiano, muito bem recebidas e encenadas em vários palcos deste país, como o La Scala em Milão, La Pergola e Pallacorda de Florença e San Moisé em Veneza.
Foram mais de vinte obras repartidas por Óperas Bufas e Farsas. Marcos Portugal compôs durante a sua carreira mais de 40 óperas.
De regresso a Portugal em 1800, foi nomeado mestre de música do Seminário da Patriarcal e maestro do Teatro de São Carlos de Lisboa, para o qual compôs várias óperas.
Em 1807, com a chegada das tropas napoleónicas, a Família Real Portuguesa mudou-se para o Rio de Janeiro, mas Marcos Portugal ficou em Lisboa, chegando a compor uma segunda versão de “Demofoonte” a pedido de Junot, levada à cena no Teatro de São Carlos, para comemorar o aniversário de Napoleão Bonaparte a 15 de Agosto de 1808.
Em 1811 Marcos Portugal viajou para o Rio de Janeiro, a pedido expresso do Príncipe Regente D. João, sendo recebido como uma celebridade, nomeado compositor oficial da Corte e Mestre de Música de Suas Altezas Reais, os Infantes.
Trazia na bagagem «seus punhos e bofes de renda, com os seus sapatos de fivela de prata e as suas perucas empoadas, a sua ambição e a sua vaidade.»
Construído à imagem do Teatro de São Carlos, em Lisboa, foi inaugurado no Rio de Janeiro, em 1813, o Teatro Real de São João, onde foram encenadas várias de suas óperas. Nessa época escrevia essencialmente obras religiosas com duas excepções conhecidas: a farsa A saloia namorada (1812) e a serenata L'augùrio di felicità para comemorar o casamento de D. Pedro com D. Leopoldina, a 7 de Novembro de 1817. Tinha uma posição privilegiada na Corte, sendo professor de música do príncipe Pedro, futuro Pedro I do Brasil e Pedro IV de Portugal.
Vítima de dois ataques apopléticos, Marcos Portugal não acompanhou D. João VI quando a corte voltou a Portugal em 1821. Com a saúde a deteriorar-se, permaneceu no Rio de Janeiro, onde um terceiro ataque, em 1830f foi fatal.
Morreu relativamente esquecido no dia 17 de Fevereiro de 1830, no Rio de Janeiro.
De acordo com o Artigo 6. § 4.º, da primeira Constituição do Brasil (1824) morreu brasileiro.
Marcos Portugal foi um dos mais prolíficos compositores portugueses de todos os tempos. A sua extensa obra encontra-se distribuída por vários arquivos em Portugal, Brasil, Itália, França, Inglaterra, Espanha, Bélgica e Estados Unidos da América. Cultivou os géneros religioso (missas, motetes, hinos, vésperas, matinas) e teatral (farsas, entremezes, óperas bufas e sérias). Compôs muitas obras sacras, entre as quais mais de 20 peças para os seis órgãos da Basílica de Mafra.
Fontes Utilizadas:
Biblioteca Nacional Digital
Wikipédia