Cantina Escolar D. Berta Bastos Mendes
06.11.20, os amorenses
Cantina Escolar D. Berta Bastos Mendes inaugurada a 1 de Julho de 1957
Segunda Feira 05 de outubro de 2020
A CANTINA ESCOLAR INAUGURADA EM 1957
A primeira cantina escolar de Amora, de iniciativa da Comissão Nacional de Assistência e com o objetivo de ajudar a dar de comer às crianças mais pobres da terra, proporcionando-lhes uma refeição incompleta em dias de aulas, surge em Dezembro de 1956, instalada, inicialmente, na cave do "Centro de Assistência Paroquial de Amora" (CAPA).

Dona Berta Bastos Mendes filha de Amora
Não tendo as referidas instalações as condições mais adequadas, não demorou muito a surgir o edifício próprio, que, durante muitos anos, viria a funcionar como a cantina escolar oficial de Amora, conhecida pelo nome da sua benemérita D. Berta Bastos Mendes.
Transcrevendo uma notícia trazida a público pelo jornal Tribuna do Povo, de 16 de Fevereiro de 1979: "D. Berta, filha de um casal amorense, apesar de viver ausente desta terra, o seu amor a ela perdorou pela vida fora.

Dr. Emygdio Guilherme Garcia Mendes
Era sua intenção readquirir a casa onde nascera, para aí fundar uma obra social. Aconteceu todavia, que faleceu, antes de poder concretizar o seu sonho, em Fevereiro de 1955.
Seu marido, o Exmo. Sr. Emygdio Guilherme Mendes, porém, quis perpetuar a memória de sua esposa, entregando ao Ministério da Educação Nacional a importância de 250 mil escudos, para a manutenção de uma cantina escolar na Amora, com o nome de sua caritativa esposa Exma. Sra. D. Berta.
Seu marido, o Exmo. Sr. Emygdio Guilherme Mendes, porém, quis perpetuar a memória de sua esposa, entregando ao Ministério da Educação Nacional a importância de 250 mil escudos, para a manutenção de uma cantina escolar na Amora, com o nome de sua caritativa esposa Exma. Sra. D. Berta.

Benemérita amorense, D. Branca Saraiva de Carvalho
Foi necessário encontrar terreno apropriado e várias dificuldades se apresentaram, até que surgiu uma outra benemérita amorense, D. Branca Saraiva de Carvalho, que ofereceu o melhor terreno de sua quinta para esse fim, em homenagem também à que fora sua companheira de infância.
A obra viria a ser inaugurada no dia 1 de Julho de 1957, tendo toda a população de Amora se reunido para assistir à entusiástica e solene cerimónia presidida pelo então Ministro da Educação, Exmo. Sr. Professor Engenheiro Francisco Leite Pinto".
Esta obra, apesar de posteriormente mantida, durante longos anos, com a ajuda do donativo concedido pelo esposo de D. Berta Mendes, viria a ser custeada pelo Estado, tal como inequivocamente se podia ler na placa descerrada no dia da sua inauguração:
Esta cantina escolar mandada construir pelo governo de Salazar, em terreno doado pela Sr. D. Branca Saraiva de Carvalho, foi solenemente inaugurada pelo Professor Engenheiro Francisco P. Leite Pinto, Ministro da Educação Nacional, dos mais ilustres, ficando a sua manutenção assegurada com o donativo de 250 mil escudos, pelo benemérito Dr. Emygdio Guilherme Garcia Mendes"

Professor Engenheiro Francisco P. Leite Pinto, Ministro da Educação Nacional e Dr. Emygdio G. Garcia Mendes
No próprio dia da inauguração e segundo notícia do mesmo jornal Tribuna do Povo, datada do dia 14 de Julho de 1957: "Um extenso cortejo, de mais de uma centena de automóveis, dirigiu-se então à sede da freguesia de Amora, que se encontrava com aspecto festivo, embandeirada e com colchas nas janelas e muitos dísticos, entre os quais se destaca o seguinte: "Srs. Ministro da Educação Nacional, Dr. Emygdio G. Garcia Mendes, D. Branca Saraiva de Carvalho, em nome das crianças pobres de Amora, bem hajam!""
A inauguração da cantina escolar foi efetuada cerca das 11 horas: "Aguardava os ilustres visitantes enorme multidão. Dentro do recinto da cantina encontravam-se as crianças das escolas com os senhores professores D. Maria Mercês Vieira Jorge, D. Maria de Jesus dos Reis, D. Cesaltina Mónica Rodrigues Lino, D. Maria da Conceição Martins Costa, José Duarte Jorge e Teodomiro Dias Martins Costa.

Placa comemorativa da Inauguração
Marcaram presença a Direção e a banda da Sociedade Filarmónica Operária Amorense, bombeiros da Mundet, jogadores equipados do Amora Futebol Clube, hoquistas do Centro de Assistência Paroquial de Amora, representantes da União Recreativa Amorense, Clube Recreativo da Cruz de Pau, Museu Evocativo Particular Vitória e Casa do Povo. (...)
A menina Margarida Vasques Mendes de Aragão Teixeira, neta do benemérito, descerrou a lápide da denominação da cantina, D. Berta Bastos Mendes. Sua Exa. o Sr. Ministro cortou a fita e abriu o portão de entrada, enquanto a multidão irrompia numa interminável ovação. O Reverendo Prior proferiu a bênção ritual e aspergiu o edifício.
Seguiu-se a visita atenta a todas as dependências, duas salas de jantar, com oito longas mesas cada, com lotação para 192 crianças, cozinha, dispensa, casa de banho e arrecadação de lenha."
Segundo informações recolhidas junto de D. Maria da Piedade (74 anos), antiga funcionária na "Escola Velha de Amora", nestes tempos recuados, os alunos que usufruíam da cantina escolar eram exclusivamente aqueles, mesmo mais necessitados, que em casa nada tinham para comer. Era ela própria quem conduzia as crianças nos trajetos entre a escola e o refeitório, onde era servido o almoço.
A refeição era fundamentalmente constituída por sopa, quase sempre de grão ou feijão e sempre cozinhada em fogão de lenha. Os géneros para a sua confecção encontravam-se arrumados em tulhas, no interior da dispensa.
A cozinheira, D. Helena Ferreira, hoje com 65 anos (2004), adquiria muitas vezes as hortaliças nas quintas da região e ia aos talhos pedir ossos recheados de tutano para ajudar a temperar a sopa.

Para além da sopa, servia-se com regularidade um quarto de pão escuro a cada aluno, só nalguns dias acompanhados de um pouco de queijo enlatado, proveniente dos Estados Unidos da América e distribuído gratuitamente pela "Caritas Portuguesa".
Também a detestada colherada de óleo de fígado de bacalhau era dada, em tempo próprio, como prevenção e combate ao raquitismo.
- D. Helena Ferreira

Cantina Escolar de Amora a funcionar como Escola
Mais tarde, primeira metade da década de 80, este serviço terminou e o edifício relativo à cantina escolar, possuidor de duas salas, uma com 70 m2 e outra com 44 m2, viria a ser remodelado e transformado num edifício escolar, funcionando como uma extensão da Escola Básica do 1.º ciclo, n.º 1 de Amora.
Já na década de 90, com a construção de raiz de novos edifícios escolares na freguesia de Amora, passariam de novo as referidas instalações a ter ainda outra reutilização.

Sede da Delegação Escolar
Foi exatamente a 24 de Abril de 1993 que a Delegação Escolar do Seixal até então sedeada no edifício da "Escola Velha" da Rua Conselheiro Custódio Miguel Borja mudou os seus serviços para o edifício da antiga cantina escolar, mais uma vez readaptado para novas funções. Nesta data era Delegada Escolar a professora Augusta Rodrigues, que manteve as mesmas funções até próximo dos nossos dias e nos viria a fornecer importantes informações e documentos sobre este assunto.
Muito recentemente, uma das salas da antiga cantina escolar passou também a servir de instalação provisória para a "Casa do Educador", uma associação de professores, na sua maioria aposentados ou em vias de aposentação, com objetivos pedagógicos e culturais.
fonte: “Memórias e Vivencias D’Outrora” do Prof. Manuel Lima e Jornal Tribuna do Povo