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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

Custódio Miguel Borja

11.11.20, os amorenses
Uma história que vale a pena contar

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Custódio Miguel Borja é, nos dias de hoje, um desconhecido na sua terra. Nem mesmo a rua com o seu nome lhe assegura a notoriedade que uma vida dedicada à marinha, à administração pública, à diplomacia… lhe poderia ter garantido, pelo menos, na Amora natal. A sua memória foi varrida da cidade e mesmo a sua rua continua a ser mais conhecida por “rua Direita”. Como se pode ter esquecido tão completamente esta personalidade multifacetada?
 
O Conselheiro Custódio Borja foi um homem da sua época. Viveu numa época em que os países europeus disputavam os seus impérios em África. Nessa base ele destacou-se na administração colonial. Os territórios ultramarinos eram no séc. XIX fonte de riqueza e prestígio. Vivia-se na expectativa da Conferência de Berlim. Portugal iludia-se com a apresentação do Mapa Cor-de-Rosa, mas esse mapa colidia com os interesses britânicos e o ultimatum inglês de 1890, obrigou Portugal a desistir do Mapa Cor-de-Rosa” cedendo às exigências britânicas e colocando a monarquia debaixo de fogo cerrado. O governo demitiu-se. No Parlamento, nos jornais, na rua as criticas multiplicam-se. Por exemplo, na sessão de 15 de janeiro, o Deputado Dias Ferreira declara:
“Se eu fosse membro do governo, só depois da esquadra inglesa entrar de morrões acesos nas águas do Tejo, e intimar o bombardeamento de Lisboa, ou depois de ocupar violentamente S. Vicente, Lourenço Marques ou qualquer outra região portuguesa, é que cederia, porque cedia à força, contra a qual não há resistência.
 
A nação portuguesa tem que ceder à força, mas não pode nem deve ceder ao medo.”
Já António José de Almeida [que haveria de ser, anos mais tarde, o sexto presidente da República) escrevia:
“A 11 de janeiro, o Ultimatum do inglês; e o rei que até aí era um simples larápio, passou a ser, na boca das folhas revolucionárias, um grande gatuno; ele que até aí possuía uma inteligência medíocre, passou a ser simplesmente um bruto; ele que até aí exibia, no seu descoco de pedante, uma educação deficiente, passou a ser um pacóvio (…)”.
 
Os ânimos, desta nação de brandos costumes, exaltaram-se por momentos num fervor nacionalista e colonialista a que ninguém escapava nem sequer Custódio Miguel Borja. Hoje, o seu passado colonial pesa indiscutivelmente o que é algo injusto pois, ele parece-me um personagem bem interessante envolto em algumas polémicas e, em 1904, no desastre do Vau do Pembe, mas apesar disso, um homem que teve um percurso excepcional e que merece mais atenção.
Eis, o que se escrevia em 1884, na Revista Occidente, sobre Custódio Borja: