ERMIDA DE SANTA MARTA NA FREGUESIA DE AMORA
04.08.25, os amorenses
ERMIDA DE SANTA MARTA NA FREGUESIA DE AMORA

Estava situada na actual “fronteira”, entre as freguesias de Amora e Corroios, no local conhecido por Santa Marta de Corroios.
A sua primeira edificação remonta ao ano de 1565.
Era um imóvel com capela maneirista, de planta simples com fachada principal de empena triangular e com cobertura em telhado de duas águas.
Planta rectangular, simples, constituído por um corpo rectangular de volumetria de sentido horizontal. Edifício rebocado e pintado de cor branca, apresentando-se toda a cantaria exterior pintada de cor azul.
Fachada principal voltada a Oeste de pano único definido por cunhal e faixa pintada de cor azul imitando embasamento, terminando com pequeno friso.
Fachada posterior de um pano, com empena aberta por dois óculos ovais
.
O seu interior de nave única e capela-mor, separados por arco pleno numa estrutura em alvenaria, para colocação de duas portas. Janelas e portas em ferro forjado com gradeamento.
A romaria em honra de Santa Marta, realizava-se nos dias 28 à tarde e à noite e no dia seguinte, 29 de Julho, Dia de Santa Marta, cujos festejos para alem das cerimónias religiosas com missa cantada, sermão e procissão, se invocava a protecção para as donas de casa e contra febres e epidemias.
Durante os dias de festejos não faltavam os piqueniques, feitos à sombra das frondosas árvores existentes nos arredores da Capela, as vendas dos bons vinhos da região e dos genuínos bolinhos de Santa Marta, feitos segundo receita local, para além dos despiques musicais no coreto, montado temporariamente, entre as bandas de música da Amora e do Alfeite.
Estas grandes romarias registaram-se entre os séculos XVIII e XIX por estas bandas e juntavam pessoas de Almada, Amora, Arrentela e Caparica.
Em 16 de Outubro de 1922, um Auto de Arrolamento do Ministério da Justiça, levou uma comissão formada por elementos da Camara Municipal do Seixal, composta por António Mariano Lopes da Silva Barros, administrador deste concelho, Armando Nobre, chefe da repartição de finanças e José Xavier dos Santos, membro indicado pela respectiva camara municipal, a fim de se proceder ao arrolamento da Ermida de Santa Marta.
Procedeu-se ao arrolamento com a assistência do Regedor da Freguesia, Custodio Miguel Sobral, que informou esta comissão, das obras feitas há pouco tempo pelo cidadão Manuel Luís de Carvalho, a fim de ali promover uma festa religiosa e que todo o seu recheio se encontrava entregue ao fiel depositário Domingos dos Santos Costa, casado, proprietário, guarda rural e morador neste lugar.
O então administrador deste concelho, Sr. António Mariano Lopes da Silva Barros, enviou uma carroça, acompanhada de polícia, a Quinta da Princesa, buscar as imagens da ermida, tendo as mesmas sido levadas para a prisão concelhia, o que provocou grande polemica, pois, os crentes não viram com bons olhos, o facto dos santos se encontrarem “presos”.
Estas imagens, acabariam por ser vendidas a um antiquário de Lisboa, pela Comissão de Administração dos Bens das Igrejas de Lisboa, tendo Manuel Saraiva de Carvalho adquirido duas delas, a de São Sebastião e a de Santa Marta. Esta última viria a ser oferecida de novo, a filha do Sr. Joaquim Trindade, D. Maria Anunciação Trindade, que a guardou durante muito tempo.
A imagem de Santa Marta, apos receber restauro, voltaria a ser devolvida ao culto, desta vez na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça, acabando por se perder o seu paradeiro.
Na entrega ao Governo do edifício da Ermida, esta seria transformada em Escola Oficial do Ensino Primário durante o ano de 1923, onde o professor habitou a mesma.
O imóvel foi demolido em 24 de Maio de 2005, na sequência das obras de remodelação da rede viária e arranjos de espaços exteriores, no âmbito da implantação do Metropolitano Sul do Tejo
Fontes Utilizadas:
- Divisão de História da Camara Municipal de Almada
- Portal Nacional dos Municípios e Freguesias
- Ecomuseu Municipal