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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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Escolas e Educação em Amora (2)

06.11.20, os amorenses
ESCOLAS E EDUCAÇÃO EM AMORA (2)
 
Segunda Feira, 7 de setembro de 2020
A "ESCOLA VELHA" INSTALADA EM 1912, NO EDIFÍCIO ONDE MOROU O CONSELHEIRO CUSTÓDIO MIGUEL BORJA
 
Segundo registo existente na atual Delegação Escolar do Concelho, a 23 de Dezembro de 1912, após a instalação da 1.ª República em Portugal, começou a ser utilizado como edifício escolar, na freguesia de Amora, uma nobre casa particular, até então pertencente àquele que foi uma das mais notáveis e distintas figuras históricas do município.
Acerca desta personalidade local, proprietário do antigo edifício onde se viria a instalar a chamada "Escola Velha de Amora", escreveu Manuel de Oliveira Rebelo em Retalhos da Minha Terra, no ano de 1959:
Conselheiro Custodio Borja
"O conselheiro Custódio Miguel Borja nasceu em Amora, a 25 de Dezembro de 1849 e foi o mais ilustre dos filhos do Concelho do Seixal.
Cursou a Politécnica, especializou-se na arma de artilharia e foi oficial de marinha distinto, governador das nossas províncias de São Tomé, Macau, Timor e Angola, ministro plenipotenciário no Japão, China e Sião, sócio efetivo da Sociedade de Geografia de Lisboa e correspondente das de Paris e Porto, deputado, jornalista e comendador da Ordem da Conceição. Foi ainda ajudante de ordens dos reis D. Luís, D. Carlos e D. Manuel e comissário da República, em 1910.
Faleceu o ilustre amorense, em 21 de Novembro de 1911."
 
Tendo em conta que a "Escola Velha" iniciou as suas funções ainda no ano de 1912, ou seja, cerca de um ano depois da morte do distinto conselheiro amorense, tudo leva a crer que a própria família de Custódio Miguel Borja, se tenha desligado da histórica casa solarenga, situada naquela que no princípio do século XX, era designada por Rua Direita de Amora.
Ainda hoje é possível constatar que se tratava de um belo edifício, no qual se sobrepõem três pisos, rés-do-chão, 1.º andar e sótão com mansardas.
Nos alçados exteriores, destaca-se o grande número de janelas de apreciável dimensão, com capeamentos em pedra calcária e alguns pequenos varandins, tal como o telheiro de entrada, guarnecidos de decorações em ferro forjado.
No topo das paredes ergue-se interessante remate de ameias a toda a volta do edifício, que transmite à construção um certo carácter fortificado ou acastelado, tudo levando a crer que associado com o próprio gosto e carreira militar do seu primitivo proprietário.

No portão de entrada é possível ver, em destaque, sobre uma coroa de louro, a data de 1908, certamente altura em que o edifício em causa foi construído ou sofreu obras de remodelação.
Este edifício, particular e não concebido originalmente para escola, viria certamente, no início da 1.ª República, a ser readaptado às suas novas funções.
Edificio da Escola Velha de Amora
Hoje sabe-se, segundo registos existentes na Delegação Escolar do Concelho, que, para além de possuir na altura, residência para professores, equipada com quartos e serviços de cozinha, esta antiga escola de Amora contava no 1.º andar com duas salas pequenas, de 26 e 29 m2 e no rés-do-chão com uma, um pouco maior, de 36 m2.
Inicialmente e durante ainda algumas décadas, apesar de ter sido uma casa distinta, não possuía a mesma, casa de banho, água canalizada ou energia eléctrica.
 
fonte: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima
fotos: ecomuseu municipal