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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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Escravos e Senhores na Amora Seiscentista

01.02.21, os amorenses

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No século XVII viveriam na freguesia da Amora umas centenas de pessoas. Famílias nobres (militares, juristas, administração pública), camponeses, pescadores, marinheiros e escravos. É sobre os escravos, sobre os quais se sabe tão pouco, que gostaria de partilhar convosco algumas reflexões, informações e hipóteses.

Calcula-se que, em 1550, 10% da população de Lisboa era negra. Nos anos seguintes os escravos não param de chegar e muitos deles foram comprados para trabalhar nas zonas rurais, nas quintas,  neste sentido não é surpreendente a existência de escravos nas terras de Amora. Desconhecemos quantos escravos existiam e, qual a sua proporção numa comunidade de poucas centenas de indivíduos, a escassez de registos deixa antever uma realidade subterrânea a que os registos paroquiais não permitem aceder razão pela qual,  a pesquisa documental e os levantamentos arqueológicos que permitam estudar os vestígios da população adquirem particular relevância.

Os escravos eram convertidos ao cristianismo figurando, por isso, nos registos paroquiais. Nesses registos paroquiais surgem batismos, óbitos e casamentos de (pelo menos) alguns desses escravos. Creio que na maioria dos casos se ocupavam das tarefas agrícolas, mas  seriam os “de casa”, aqueles que estariam mais integrados a constar destes registos que deixam transparecer uma hierarquia entre os escravos estabelecida pela sua maior ou menor proximidade ao senhor. Na morte, como na vida, os escravos partilhavam com a restante comunidade um lugar na igreja, um lugar adjacente e marginal.

Os registos paroquiais, do século XVII, permitem saber os nomes de alguns desses escravos, as suas ligações familares e o nome dos seus senhores:

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Fonte: Arquivos Paroquiais da Freguesia de Amora (Arquivo Distrital Setúbal)