Minas de Ouro de Vale de Gatos
11.11.20, os amorenses
AS MINAS DE OURO DE VALE DE GATOS

A existência desta mina de ouro em Vale de Gatos é conhecida mas, o que sabemos realmente sobre a exploração do ouro aluvionar que ali ocorreu entre os sécs. I e II d. C.?
A riqueza aurífera do Tejo (aurifer Tagus) é tópico literário bem conhecido desde Catulo (84-52? a.C.), seguido por autores como Ovídio, Silo Itálico, Lucano, Séneca, Marcial e Juvenal, entre outros Plínio-o-Velho, que esteve na Hispânia como procurador imperial e conheceu muitos aspectos concretos da exploração dos recursos minerais, tendo acesso igualmente a assinalável volume de informação colhida em obras de autores locais, entre elas a de L. Cornelius Bocchus, refere que o ouro se recolhia em pepitas, obtidas no Tejo, ou através de poços, ou ainda desfazendo os montes (Plin. nat. 33,66).
A sul do Tejo, em Vale de Gatos (Amora) existem vestígios das galerias de exploração de areias do Pliocénico. As galerias foram executadas com picos de mineiro de ferro, cujas marcas são bem visíveis nas paredes e tectos, possuem pequenas dimensões, com alturas que raramente ultrapassam 1,0 m, sendo iluminadas por lucernas, colocadas em pequenos nichos escavados nas paredes, escurecidos pelo fumo. A técnica de exploração consistia, aparentemente, em seguir as passagens mais ricas de ouro, denunciadas por aspectos texturais dos depósitos.
De acordo com Maria José de Almeida, trata-se de um conjunto de galerias das quais foi possível referenciar seis núcleos, distribuídos por uma área superior a 2000 m2 e com acesso por poços verticais. Trabalhos de prospeção revelaram a existência de mais galerias para além das que foram objeto de intervenção arqueológica, tendo o sítio sido parcialmente destruído pela construção do complexo municipal de atletismo.
Vd.
João Luís Cardoso et allii - Alguns aspectos da mineração romana na Estremadura e Alto Alentejo,
Academia Portuguesa de História, 2011
Almeida, Maria José de Melo Henriques de - De Augusta Emerita a Olisipo por Ebora Uma leitura do território a partir da rede viária -, 2017
Vale, A. ; Monteiro, J. L. ; Sabrosa, A.– Complexo Mineiro de Vale dos Gatos, Cruz de Pau. Seixal. Relatório dos trabalhos arqueológicos (Maio de 1999).
