Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

O Bispo Humanista

10.11.20, os amorenses
O Bispo Humanista

D. Belchior Beliago.jpg

Quem era D. Belchior Beliago?

Filho de João Alvares Beliago e de Catarina Alvares de Coura, era o terceiro de sete filhos*, desta família ligada ao comércio e à administração central (o pai era Vereador do Senado da Câmara do Porto, em 1501). Aos doze anos partiu, com uma bolsa dada por D. João III, para estudar filosofia e teologia na Universidade de Paris. Ao regressar a Portugal, tornou-se lente na Universidade de Coimbra. Foi Bispo auxiliar e titular do Porto (1535-36), foi também cónego da Sé de Lisboa e Bispo de Fez.
 
Em 1545 manda edificar, em Sesimbra, uma casa solarenga. A casa do Bispo localizava-se na rua principal - rua Direita - e ainda hoje existe.
Em 1548 apresentou a sua oração de sapiência (a tese) Astorum Cognitio, onde se assume como humanista interessado nos conhecimentos que as descobertas proporcionaram. Publicou vários livros um dos quais em 1549, em Coimbra, o Logica Aristotelis ab Eruditissimi Hominibus Couversa, dedicado ao seu mecenas D. João III (foto de capa).
Logica Ãristotelis - Belchior Beliago - BNL
Entretanto, embora tivesse sido convidado para proferir a oração inaugural do ano lectivo de 1548, nem tudo corria bem na Universidade de Coimbra. George Buchanon, Diogo de Teive e o Mestre João Costa consideravam-no um académico algo conservador e infernizaram-lhe a vida com chistes maldosos sob a forma de poemas, como era uso na época. Quanto em 1550 foram acusados de heterodoxia - luteranismo-, pela Inquisição, culparam Belchior Beliago, a quem chamavam de “Belial, pela sua extrema malvadez”, de os ter acusado. Porém, sabe-se, hoje, pela leitura dos processos que não foi isso que aconteceu, D. Belchior Beliago tentou até desculpá-los perante a inquisição.
Em 1555 é ele que profere a oração fúnebre do Infante D. Luís, Duque de Beja, filho de D. Manuel I.
D. Belchior Beliago, o Bispo académico e humanista morreu na Amora em 1579** tendo sido sepultado na Igreja de Nossa Srª de Monte Sião. Da Quinta dos Foros de Amora, ficou apenas registada na toponímia “Poço do Bispo” ou, “Paço do Bispo” ou ainda, “azinhaga do Bispo”. Existe, nos Foros de Amora, uma rua com a designação de Quinta do Poço do Bispo, mas este prestigiado académico, humanista e homem da igreja caiu no esquecimento na terra que escolheu para viver.
 
  • alguns autores indicam como ano de nascimento 1526 porém, atendendo a que em 1535-36 o encontramos já como Bispo do Porto, terá nascido no principio do séc. XVI.
** relativamente ao ano da morte existem divergências sendo por vezes referida a data de 1569 pois, encontrei referências a uma procuração de 1570, passada a Guiomar Dias Beliago para receber os bens de seu irmão D. Belchior. Contudo, optei por manter como data da morte o ano de 1579 porque o humanista, Pedro Sanches, ao escrever sobre Beliago (c.1580) o faz como se tivesse ocorrido recentemente:
“ Quis, Beliage, tuum non defleat, optime Praesul,/Interitum? Cui praeduras iniecit acerba/Parca manus? ah quanta bonis iactura Camaenis!»
*** Curiosamente, em 1644, Francisco Beliago deixa em testamento aos Religiosos de S. Domingos a sua “quinta do Rocio da Mora termo de vila de Almada que herdei de minha sobrinha Ana Beliago, que foi de meu tio o Bispo D. Belchior Beliago” [vd. Mendes, Rui; A sul do esteiro..., inn Actas do 1º Encontro sobre o Património de Almada e Seixal, 2012].
 

4 comentários

Comentar post