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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

O Comércio Tradicional e de Porta-a-Porta dos Anos 30 aos Anos 50 do Século XX (1)

07.11.20, os amorenses
O Comércio Tradicional e de Porta-a-Porta dos Anos 30 aos Anos 50 do Século XX (1)
 
Sexta Feira, 21 de Agosto de 2020

Vendedora de Leite.jpg

(segundo memórias recolhidas em 2006 junto das gentes de Amora)

OS PEIXEIROS
Os peixeiros mais antigos, que são recordados como vendendo porta-a-porta, o peixe proveniente da Fonte da Telha ou de Sesimbra eram:

De Amora:
Álvaro da "Gata" da Fonte de Cima;
João Tavares, cuja alcunha era "O Trouxa";
Artur "Maluco";
Ti Germano, irmão do “braço curto” e Pai da Morena, mais tarde com loja na rua de entrada para o Largo do Rosinha.

Dos Foros:
Ti Zé da "Russa", que ao vender o peixe aos seus clientes, escrevia nas ombreiras das portas uma contagem só sua, que ninguem percebia e que constava de traços , x e zeros, que ao fim da semana contava e recebia das pessoas, pois naquela altura recebia-se à semana.
Dizem que era um Homem de grande confiança, nunca se enganando nem para o seu lado nem para o lado do cliente.

Todos eles ainda vendiam ou com burros, ou com carroças, nalguns casos apregoando pelas ruas, de mão na boca, o carapau ou a sardinha fresquinha trazida do mar.
Mais tarde o Joaquim "Caramelo" e o "Braço Curto" passariam a vender o peixe, primeiro com motorizadas e mais tarde com carrinhas.
Às vezes, quando havia muito pescado (época de Verão), chegava-se a vendê-lo nos portões das fábricas, à saída do trabalho.
 
O HOMEM DA CARNE
 
Apesar de ser muito pouca a carne que nesta época se comprava na Amora, pois nestes tempos recuados muitas pessoas tinham capoeiras próprias e de uma maneira geral a carne era um alimento muito caro para as poucas possibilidades dos habitantes locais, são recordados neste ramo de negócio: o Ti Manuel Soares", que com carroça vinha das Paivas; o Ti Miguel das "Fissuras" (vísceras dos animais que se aproveitam para a alimentação), que vendia especialmente miudezas de porco transportadas à cabeça e trazidas do matadouro da Torre da Marinha.
O primeiro talho de Amora só haveria de surgir já nos anos 50, localizando-se ao pé do coreto, sendo mais tarde propriedade do senhor "Caetano".
 
OS PADEIROS
 
A vender pão de porta em porta hoje são lembrados apenas o Américo "Padeirinho", Manuel Simões e João Guerrilha. Contudo, na Amora e neste intervalo de tempo, sempre houve várias padarias, sendo desta época as padarias de José Rodrigues Alonso, mais conhecido por "Zé Galego", esta já nao existente, no Largo Manuel da Costa; João Dias de Oliveira, mais conhecido por João "Padeiro", no Largo dos Lobatos; João Gomes da Costa, na Rua dos Operários, Fonte de Cima; a Padaria dos Trindades, que era também na antigamente designada Alameda Oliveira Salazar, junto da palmeira já nao existente.
Qualquer uma destas anteriores padarias tinha forno próprio, onde o pão era cozido a lenha.
Em tempos muito recuados existiu também um forno comunitário de cozer pão no sítio do Casalinho (entre Amora de Cima e a Quinta do Património) tratando-se neste caso de uma propriedade municipal. Era a Junta de Freguesia quem fazia uma escala de utilização, tendo cada família de marcar dia e hora em que pretendia utilizá-lo.
Cada utilizador levava lenha, farinha e fermento, amassando o pão no próprio local.
 
OS LEITEIROS
 
Embora antigamente não fosse hábito beber muito leite, pelo menos tanto como nos dias de hoje, venderam leite na Amora, durante esta época, essencialmente duas mulheres, a Tia Rosa do Leite e a "Mulher do Favas", que andavam de porta em porta de bilhas nas mãos.
Mais tarde apareceu o "Manuel Leiteiro", morador na Quinta da Mata, que já passou a utilizar uma bicicleta com armação própria para o transporte das bilhas.
VENDA DE FRUTAS E HORTALIÇAS
 
Vinha com carroça, dos lados de Fernão Ferro, vender hortaliças à Amora a Maria Fortunata. Por outro lado, com banca estabelecida, existiram também em tempos muito recuados a "Ti Serena", no Pátio do Quina, a "Ji Bombeira" (que era mulher de um bombeiro), na Travessa das Amoreiras e a "Ti Cigarra", no Largo dos Lobatos.
Já mais tarde existiu também um lugar de frutas, no Largo do Coreto, pertencente à senhora Deolinda.
 
fontes: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima