Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

O Estaleiro Venâncios em Amora (1)

08.11.20, os amorenses
O Estaleiro Venâncios em Amora (1)
Álvaro Lopes Venâncio foi o fundador do primeiro estaleiro em Amora de Baixo.
Álvaro Lopes Venâncio
Nascido em Pardilhó no Concelho de Estarreja, Distrito de Aveiro, Álvaro Venâncio inicia a sua carreira de construtor naval com apenas 11 anos, quando se torna aprendiz do estaleiro dos Mónicas, em Gafanha da Nazaré. Aqui aprende a sua profissão, no desempenho da construção de lugres bacalhoeiros em madeira, barcos que chegavam a ter 40 a 50 metros de comprimento.
Para além de carpinteiro naval, Álvaro Venâncio cedo descobre a sua vocação para o desenho náutico, tendo iniciado igualmente a arte do traço ainda muito jovem.
 
Após o casamento com Maria Olivia da Silva Valente, também ela filha de calafates de Pardilhó, Álvaro Venâncio e sua esposa vêm residir para a freguesia de Amora em 1930, onde começa por exercer a sua profissão no estaleiro do antigo mestre Joaquim da Fonseca, nesse tempo já situado na praia da Barroca.
 
Nestes primeiros anos, vivendo numa casa com quintal voltada para o Adro da Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião na Amora de Cima, começa aos fins de semana, debaixo de uma figueira, a construir uma embarcação de recreio, com um comprimento de cerca de 10 metros, a que daria o nome de “Espadarte”. Depois da obra acabada, foi uma carreta de bois quem a trouxe até junto da mare em Amora de Baixo, tendo sido esta a embarcação totalmente planificada, desenhada e executada por si.
 
No ano de 1932 funda o seu primeiro estaleiro, na Praia das Lobatas em Amora de Baixo, passando então a dedicar-se por sua própria conta a reparação naval de embarcações em madeira e também a construção de novas unidades que ele mesmo desenhava.
Álvaro Lopes Venâncio desde muito cedo envolveu os seus filhos na arte de Construção Naval. Os rapazes Joaquim e Sidónio Venâncio aprenderam os segredos das lides de bem construir uma embarcação. A filha Maria Luisa, foi encaminhada para o sector administrativo.
 
Segundo o jornal Tribuna do Povo de 08 de Agosto de 1965, “Um pavoroso incêndio devorou um barracão e colocou em perigo alguns barcos no estaleiro. Queimou-se muita ferramenta, a serra mecânica, o potente motor que puxava os barcos para a carreira.
Catástrofe para o proprietário e sua família, ardeu vasto patrimônio que retardara o funcionamento normal do estaleiro.
A população acudiu, os bombeiros foram chamados pelo Sr. Manuel Rego de Almeida, que vivia próximo do local do sinistro (proprietário da Farmácia de Amora e dos refrigerantes Confiança).
 
Os populares ajudaram a combater as chamas, vieram os bombeiros de Almada, Cacilhas, Mundet, e Siderurgia Nacional. Tratou-se de um descuido de um mendigo, que pernoitava no barracão e que só a custo foi retirado com vida. As chamas poderiam ter atingido os barcos e o seu gasóleo aí armazenado. Os prejuízos não cobertos por seguro foram muito avultados.
Segundo o jornal Tribuna do Povo de 28 de Marco de 1968, é nesta altura que é constituída a sociedade por cotas de responsabilidade limitada, designada por << Álvaro Lopes Venâncio e Filhos Lda. >> Esta indústria de construção e reparação de barcos em madeira, continuava a ter a sua sede no primitivo estaleiro localizado na Avenida Marginal Silva Gomes e um capital social de 250 mil escudos, repartido por Álvaro Venâncio 130.000 escudos e os filhos 40.000 escudos cada.
 
Já em finais dos anos oitenta, com o declínio das construções navais em madeira e com o assoreamento do Rio Judeu, Álvaro Venâncio aconselha os seus filhos a instalarem mais ajusante, no Cabo da Marinha, um novo estaleiro e uma nova empresa que se passaria a designar por << VENAMAR – Construções e Reparações Navais Lda. >> esta já mais vocacionada para a reparação de navios em aço e em alumínio, encontrava-se agora mais adaptada as novas exigências de mercado e permitia a docagem de unidades de maior porte.
 
Foi também na década de oitenta do século passado que esta empresa ofereceu a C.M.S. uma embarcação tradicional do Tejo, o hoje designado bote de fragata, << GAIVOTA >>, assim como alguns anos mais tarde o << BAIA DO SEIXAL >>, os quais após terem sido recuperados pela autarquia, foram postos ao serviço da comunidade através do Ecomuseu Municipal.
 
fontes: jornal “A Tribuna do Povo” e “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora”
do Prof. Manuel Lima