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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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O Estaleiro Venâncios em Amora (2)

08.11.20, os amorenses
O Estaleiro Venâncios em Amora (2)
 

Estaleiros no Cabo da Marinha.jpg

O primeiro barco construído no primitivo estaleiro da praia das Lobatas, em Amora de Baixo, viria a ser um palhabote, tipo de cargueiro pequeno munido de vela e motor, ao qual foi dada a designação de Maria Beleza, nome da esposa do proprietário para quem foi efetuada a obra.
Especializando-se cada vez mais, no desenho e construção de embarcações de recreio, Álvaro Venâncio adquire grande prestigio pelos traçados originais que atribui a cada uma das novas unidades projetadas.
Macete de Calafate - fonte Ecomuseu Municipal
Entre os iates que Álvaro Venâncio produziu nas décadas de quarenta e cinquenta salientam-se nomes como “Espadarte”, “Mar Alto”, “Ste. Anne”, “Kalu”, “Salvé Rainha”, “Bom Futuro” e “Neptuno”.
Em notícia publicada pelo jornal “voz do Seixal”, datada de 01 de Setembro de 1946, pode-se ler: “Nos vários ramos de atividades industriais encontra-se o estaleiro naval de Álvaro Venâncio, donde já saiu, em menos de três anos, mais de cinquenta embarcações de pequena e grande tonelagem. Entre os iates ali construídos, construiu-se o moderníssimo “Neptuno” e o magnifico “Ste. Anne” propriedade do ilustre Capitão do Estado Maior do Exército, Sr. Pereira Coutinho, mui digno ajudante do chefe de Estado Maior do Exército, Sr. General Barros Rodrigues.
foto Nelson Cruz - fonte OMNIA Ecomuseu Municipal
Estes iates são verdadeiros modelos de embarcações de recreio e para o seu construtor o orgulho da sua arte. Quanto ao “Neptuno”, este iate ainda hoje e uma referência em termos de desenho náutico, encontrando-se atualmente atracado na doca de Vila Real de Sto. António. No caso da lancha de recreio “Mar Alto”, concebida para o engenheiro Alves da Silva, proprietário dos “Pasteis de Belém”, serviu a mesma para fazer a campanha turística << Abril em Portugal>> em que a diva do fado, Amália Rodrigues, foi a principal protagonista.
Para além das embarcações de recreio, no antigo estaleiro situado na Avenida Marginal Silva Gomes, também se construíram e repararam embarcações de carga, como são exemplo as fragatas e os varinos.
CARACTERISTICAS DO NOVO ESTALEIRO
Para garantir a acessibilidade ao novo estaleiro, agora situado no Cabo da Marinha, igualmente freguesia de Amora, foi necessário antes de mais dragar o seu canal de acesso e a sua bacia de manobra.foto
foto Antonio Martins fonte OMNIA Ecomuseu Municipal
Com uma área de cerca de 22 mil m², o novo estaleiro inicia as suas atividades no ano de 1983, passando a dedicar-se especialmente a construção e reparação naval de navios em aço, alumínio e fibra, sem nunca abandonar, no entanto, os tradicionais trabalhos em madeira.
Este moderno estaleiro passa agora a possuir, entre outras, as seguintes secções: caldeiraria, mecânica, eletricidade, decapagem, pintura soldadura, carpintaria naval e civil. Para além de um plano inclinado com uma carreira de 200 metros de extensão, possui um cais acostável em Betão e um cais flutuante, o primeiro com 70 e o segundo com 100 metros de comprimento. Possuiu igualmente uma doca flutuante e variados equipamentos de elevação até 40 toneladas, gruas terrestres, moveis e fixas, grua flutuante, equipamento auxiliar de dragagem e todo o equipamento indispensável a grande diversidade de situações associados a construção naval.
A secção de metalomecânica localizada em área coberta de 60x15 metros, está equipada com ponte rolante, tornos, mandriladoras, serrotes mecânicos, prensa hidráulica, calandra, pantógrafos, quinadeiras, guilhotina, fresas e limadores.
A secção de carpintaria instalada numa área coberta de 50x20 metros, está equipada com as mais modernas maquinas de transformação de madeiras, onde se incluem serras circulares, maquinas universais, garlopas, desengrossadeiras e tupia entre outras.
fonte OMNIA Ecomuseu Municipal
Na área da construção naval em madeira, a “Venamar” continua ainda hoje a ter ao seu serviço dois carpinteiros de machado e um calafate, que garantem o restauro de embarcações muito especiais, algumas velhas relíquias do património náutico do Tejo.
Quanto a instalações auxiliares, a empresa que conta atualmente com cerca de 60 trabalhadores, possui para além dos escritórios e gabinetes técnicos, outros equipamentos de apoio, como são exemplo os lavabos, os vestiários e o refeitório.
ALGUNS DOS TRABALHOS E PROJECTOS EM QUE A VENAMAR SE ORGULHA DE TER PARTICIPADO
 
Reparando barcos até 2.500 toneladas no seu plano inclinado até 600 toneladas na sua doca flutuante, a “Venamar” vem garantido ao longo dos últimos anos, a manutenção da frota relativa a uma vasta gama de empresas de transportes fluviais, como e o caso da “Transtejo” (catamarãs), da “Soflusa” (catamarãs do Barreiro), da “Transado” (frota de Setúbal), “APRAM” (Administração dos Portos da Madeira), e da “Transmaçor” (Transportes Marítimos dos Açores).
 
A “Venamar” orgulha-se igualmente de ter sido o estaleiro que durante a construção da Ponte Vasco da Gama, fez cerca de 90% das reparações do equipamento marítimo internacional, que esteve ao serviço da construção da obra, assim como de todo o equipamento naval que esteve ao serviço da construção do Porto Marítimo de Sines.
 
Foram e são actualmente clientes da “Venamar” empresas como a “Somague Marítima”, “Companhia Portuguesa de Trabalhos Portuários”, a “SPD” (firma Holandesa sediada em Alcochete pertencente ao grupo internacional BOSCALLIS) e a empresa Holandesa “Van-Seumer”, especializada em desafundamentos de embarcações.
 
Entre os Barcos de recreio de grande porte que já reparou, a “Venamar” tem no seu Historial o veleiro tritone da Família Onassis.
No que refere a construcao profissional, que tem sido ministrado nas suas instalacoes, no Ano de 2003, foi criada uma escola de formação náutica para cursos de marinharia, nomeadamente os cursos de “patrão local” e “patrão de costa e alto mar”.
Também atualmente a “Venamar” se encontra a promover, através do Instituto Internacional de Línguas, um curso geral de reparações naval, dirigido a rapazes e raparigas, que passa pela aprendizagem de diferentes técnicas no domínio do aço, do alumínio, da madeira ou de fibras.
 
fontes: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima
e Ecomuseu Municipal