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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

O Judeu David Negro

10.11.20, os amorenses
O Judeu David Negro
 
Sabemos algumas coisas sobre ele: era uma espécie de ministro das finanças; era muito rico: a sua família, os Yachia Negro, era muito influente; era casado com D. Cimfa (ou, Cinfa) de quem tinha, pelo menos, dois filhos (Gadelha (Gedaliah) Negro e Judas (Judah) Negro), morava em Vila-Nova de-Gibraltar (Judiaria de Lisboa), próximo da grande Sinagoga.
D. Fernando dou-lhe entre outras propriedades as do termo de Almada: os esteiros de Algenoa, Amora, Arrentela e de Corroios e as terras envolventes. Não era muito comum os judeus terem propriedades fundiárias, essa era normalmente uma forma de riqueza reservada aos nobres e à igreja, mas D. Fernando tinha dificuldades de tesouraria crónicas e…necessitava dos bons serviços do seu almoxarife e cortesão.
 
Imagino que o facto de ser judeu, rico e grande proprietário de terras não lhe granjeasse grandes amigos entre a nobreza portuguesa – que assim se via privada de privilégios (leia-se, rendimentos) que lhe estavam normalmente reservados talvez, por isso, após a morte de D. Fernando, David o Negro escolheu o partido de D. Beatriz de Castela (filha de D. Fernando, casada com D. João I de Castela) tendo sido acusado de traição e despojado dos seus bens que foram doados, logo em Março de 1384, ao Condestável D. Nuno Alvares Pereira. Após a vitória de D. João I, e a consequente manutenção da independência de Portugal, David o Negro manteve-se ao serviço dos reis de Castela tendo sido rabi-mor e homem de confiança do rei de Castela. Morreu, em Toledo, em Outubro de 1385.
 
É a este judeu, David Negro, proprietário das quintas e esteiros de Arrentela, Amora e Corroios que o rio Judeu deve o seu nome.
nota 1: na imagem foto da rua da Judiaria (Lisboa), onde David Negro tinha várias casas.
nota 2: sobre a família Yahia e a sua importância nas cortes peninsulares há um artigo interessante na Jewish Encyclopedia. Vd também, aqui.