O Orago de Monte Sião
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Frei Agostinho de Santa Maria refere no capítulo que escreveu sobre o Santuário Mariano de Amora que se desconhece quem foi o fundador da “sua primeira casa”. De acordo com a tradição a imagem de Nossa Senhora de Monte Sião teria sido trazida por uns ricos homens que faziam a carreira da Índia e a teriam trazido do reino do Sião (actual Tailândia). Esses homens teriam também erigido uma ermida em sua honra. Porém, Frei Agostinho de Santa Maria acrescenta “… sem embargo de merecerem as tradições antigas algum crédito, eu me persuado não ter esta nenhuma probabilidade…”. De facto, Frei Agostinho de Santa Maria era um adepto confesso das imagens que apareciam milagrosamente em locais ocultos e eram reveladas por simples pastores.
Nas notas que tenho vindo a publicar ficou provado que existiu uma antiga ermida de Nossa Senhora de Amora, ligada à ordem de Santiago. De acordo com as Visitações a ermida e suas imagens eram já consideradas “antigas” em no início do séc. XVI o que as faria remontar a, pelo menos, 100 anos antes. Alguns ligam a ermida de Nossa Senhora da Amora ao Santo Condestável Nuno Alvares Pereira, poderá ela ser anterior ao Condestável, anterior ao séc. XIV?
E como se explicaria o original orago de “Monte Sião”?
A hipótese que gostaria de colocar é a de um culto antigo com raízes na Idade Média.
Agostinho de Santa Maria, ele própria, coloca a hipótese de que a imagem tivesse “aparecido” depois da conquista de Lisboa (1147) talvez no reinado de D. Sancho I, altura em que “…padeceu este Reyno, contágios e pestes muito grandes; com a mortandade de gente que então houve; que foi tão grande que ficaram lugares e povoações muito populosas totalmente desertas…” e seria esta uma explicação para que a origem da imagem tivesse caído no esquecimento. De resto, as imagens de São Brás e S. Sebastião que constam da relação que é feita nas Visitações que alguma forma confirmam esta possibilidade, trata-se de Santos protectores contra as pestes e outras doenças contagiosas.
Relativamente ao singular título “Monte Sião, Frei Agostinho, avança com uma explicação que do meu ponto de vista é excessivamente erudita.
E se simplesmente, alguns “ricos homens” ou, simples marinheiros que fossem devotos de Nossa Senhora de Amora lhe atribuíssem o milagre de regressar do reino do Sião (escapando a todos os riscos da viagem) e tivessem – quem sabe? – mandado fazer uma capela e, assim, a Nossa Senhora de Amora ter-se-ia transformado na Senhora de Monte Sião conhecida pelos seus milagres e venerada localmente e até na corte portuguesa?