Custódio Miguel Borja é o mais conhecido membro desta família que se estabeleceu na Amora no início do séc. XVIII.
Em c. de 150 anos a família prosperou nesta região (Amora/Almada), proponho-vos seguir esta família até ao início do séc. XX.
Originário de Viseu, Casais do Monte, Francisco Lourenço casou, em 1729, com Joana Teresa, nascida na Amora. Sabendo que os casamentos eram, naquela época, uma questão de estratégia familiar que permitia alargar e reforçar redes de contactos e, ao mesmo tempo, assegurar a solidez do património e a descendência por isso admito que Francisco Lourenço pudesse ser considerado “um bom partido”. Na sua terra natal tinha sido lavrador e, ao instalar-se na região de Lisboa dedicou-se sobretudo à produção vinícola em fazenda sua "vinhas que granjeava e mandava grangear".
Em 1760, o filho deste casal, Francisco Borges Lourenço que casou com Rosa Maria de Jesus, deste casamento nasceram pelo menos sete filhos e filhas.
Ao longo dos anos, irá deixar cair o apelido Borges para o transformar em “de Borja”. Suponho que a devoção a São Francisco de Borja, um dos pilares dos jesuítas na Península Ibérica possa explicar esta transformação.
De Francisco de Borja sabemos que foi militar (Alferes primeiro, mais tarde,
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Sargento-mor) e que era um dos pilares da comunidade muito ligado à igreja. A escolha criteriosa dos padrinhos dos filhos mostra bem o cuidado que teve em fortalecer a sua “rede” social: Custódio (nascido em 1765) recebe o nome do seu padrinho de baptismo, Custódio José Bandeira, homem de bens avultados que lhe permitiram comprar a Quinta do Vinagre (Sintra), casar com a Morgada e conviver com a realeza; já a filha Doroteia, nascida em 1779, teve como madrinha Doroteia Bandeira, filha do mesmo Custódio Bandeira; por seu turno, Caetano Alberto Borja, nascido em 1772, teve como padrinho José Ribeiro Botelho, Cavaleiro da Ordem de Cristo e homem de considerável riqueza.
Os Borjas, aproximaram-se dos círculos da Corte pelo menos, desde D. João V, consolidando o seu poder. Francisco de Borja era um homem ambicioso que construiu uma teia de ligações com influência na justiça, na Igreja e no Paço. No entanto, os seus últimos anos não foram fáceis: Caetano que tinha sido sentenciado ao degredo andou a monte desde Junho de 1817; os filhos mais velhos, Doroteia e Custódio, desentenderam-se com ele por causa da herança as relações familiares esfriaram e tornaram-se conflituosas.
Teve uma vida excepcionalmente longa para a sua época, tendo terminado os seus dias “entrevado” em 1820.
Após a sua morte, a batalha judicial que se seguiu e que durou anos permite conhecer a dinâmica familiar e, ao mesmo tempo, perceber as inquietudes por um lado, das filhas solteiras, que próximas dos 60 anos se viam em risco de ficar sem um património que lhes permitisse viver; por outro lado, a inquietude de Doroteia e Custódio que temem ter de partilhar os seus bens com as irmãs e com a Igreja.
Os destinos dos irmãos Borja foram muito diferentes: Doroteia da Purificação casa com José João de Figueiredo e Oliveira, filho de um Desembargador e Juiz de Fora de Almada, ele próprio Bacharel e “homem de posses”; as outras irmãs, Maria Gertrudes e Ana Paula, ficaram solteiras e cuidaram de seu pai até este morrer; Caetano Alberto teve uma vida cheia de peripécias ao sabor dos ventos da história de Portugal; e, Custódio Miguel, capitão-mor, proprietário, lavrador, apoiante e benemérito da causa liberal, consolidou o património familiar e o poder familiar.
Fonte: Arquivo Paroquial de Amora
Diligência de Habilitação de Doroteia Borja