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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

Esteiro de Amora em finais do Século XIV

07.11.20, os amorenses
Em 1404, o "Condestavel" doa o Esteiro de Amora ao Convento do Carmo
 
Domingo, 23 de Agosto de 2020

Pescadores no Esteiro do rio Judeu junto à zona r

Em finais do século XIV, D. Nuno Álvares Pereira era proprietário de quase todos os terrenos banhados pelo Esteiro do Rio Judeu, onde se incluía a Quinta de Amora, que mais tarde se passou a designar por Quinta da Princesa.

 
Nesta época, uma das principais riquezas do Salgado (zona de sapal) era a exploração do sal, sendo provável que remontem a esse tempo as designações de Ponta da Marinha (em frente da Quinta da Bomba - Miratejo) e Cabo da Marinha, situado no extremo dos terrenos que se seguem à Quinta da Medideira. Os dois topónimos referir-se-ão certamente, à anterior existência de marinhas de sal.
Em 1400, o Condestável doa a sua Quinta de Amora à sua filha D. Brites Pereira, casada com D. Afonso, primeiro Duque de Bragança e filho de D. João I.
Em 1403, D. Nuno Álvares Pereira manda construir o Moinho de Maré de Corroios.
Em 28 de Julho de 1404, D. Nuno Álvares Pereira faz a doação do Esteiro de Amora ao Convento de Santa Maria do Carmo.
D. Nuno Álvares Pereira
Em finais de 1404, por decisão própria, o Condestável refugia-se no Convento do Carmo de Lisboa, o qual tinha mandado edificar em 1389 e doado aos frades Carmelitas.
Os Carmelitas em Portugal tinham começado por se instalar, no ano de 1251, na Vila de Moura, tendo o convento aqui edificado sido construído pelos cavaleiros de "São João de Jerusalém".
Mosteiro do Carmo em Moura. fonte: publico.pt
Do Alentejo, os carmelitas vieram então para a região de Lisboa, onde, para além do Convento do Carmo, o "Condestável" lhes doou o Moinho de Maré de Corroios e vasta área de zona ribeirinha, associada ao Esteiro de Amora.
Os frades Carmelitas a partir do século XV utilizaram os terrenos salgados desta região do Sapal de Corroios, não só na exploração do sal, ', como também na construção posterior de outros moinhos de maré.
fonte: wikiwand - Carmelitas
Diz-nos Frei José Pereira Santa Ana, na sua Crónica dos Carmelitas "Da outra banda do Tejo, no Termo da Vila de Almada, tem este convento a propriedade de todo o salgado, que entra no Barco de Martim Afonso para dentro, sítio que também se chama Ponta dos Corvos junto ao Seixal. Este salgado entra daquela ponta para dentro dividido em quatro braços de mar; um deles vai para Corroios, outro para Algenoa, outro para Amora e em fim outro para Arrentela; e a mesma propriedade em todas as abras, esteiros, terras e águas daquela enseada. Nestes esteiros deixou já o senhor Condestável edificado o Moinho de Corroios, primeiro em todo aquele salgado; bem que, pelo tempo adiante se edificaram mais quatro, alguns dos quais o convento beneficia por si e outros tem aforado a diferentes pessoas, que lhe pagam certas quantias de trigo, com a pensão de o entregarem no seu celeiro desta cidade."
 
Em finais do século XV, também segundo Frei José Pereira de Santa Ana, Crónica dos Carmelitas, o Convento do Carmo aforou a João da Rocha o Esteiro do Judeu, um local próximo da "Marinha das Vacas" (hoje Torre da Marinha), onde o mesmo pretendia edificar um moinho de maré, conhecido posteriormente por Moinho da Raposa. Este moinho mais tarde passou a ser também propriedade dos próprios religiosos do Carmo, como nos refere em 1758 o pároco de Arrentela, na sua resposta ao Inquérito Pombalino.
Em 1834, devido à extinção das ordens religiosas em Portugal, os haveres do Convento do Carmo foram incorporados na Fazenda Nacional, que em muitos casos os vendeu em hasta pública.
 
De meados do século XIX é um ofício emitido pela Câmara Municipal do Seixal, referente aos terrenos do concelho, que tinham sido propriedade do Convento do Carmo, e que nesta data pertenciam à Fazenda Nacional.
 
fonte: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima