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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

Os Habitantes de Amora em Meados do Séc. XIX (1)

19.11.20, os amorenses

MODOS DE VIDA E VIVÊNCIAS DO PASSADO 

Azinhaga das Vinhas.jpg

AZINHAGA DAS VINHAS - Correnteza de casas térreas de um dos bairros antigos e pobres de Amora nos finais do Séc. XIX  (foto: Maria Morais)

Aquando da fundação deste concelho, em 1836, o território da freguesia de Amora incluía não só a área relativa à Paróquia de Nossa Senhora de Monte Sião, mas igualmente aquele que é o atual território da freguesia de Corroios. 

Nessa altura, e até ao ano de 1976, pertencia à Amora uma vasta região, que se estendia de Vale de Milhaços ao Fogueteiro. 

Com base em estudos efetuados no "Rol dos Confessados da "Paróquia de Nossa Senhora do Monte Sião", período compreendido entre 1851 e 1861, verifica-se que nessa época viviam por aqui menos de mil pessoas (no ano de 1853, exatamente 931 habitantes, em 238 casas). 

Atualmente, neste mesmo território de Amora e de Corroios vivem, segundo o senso de 2001, exatamente 97 466 munícipes, um valor que supera cerca de cem vezes mais, o registado nesse tempo recuado. 

Para se poder ter uma ideia da distribuição relativa do número de habitantes, que viviam nos diferentes lugares e quintas da freguesia de Amora há cerca de 150 anos, e se poder tirar ilações em relação à atual situação, aqui se deixa o levantamento referente ao ano de 1858: 

Josefina Maria da Trindade conhecida por PRESSA finais do Sec. XIX (foto: Familia Pastora Lira)

Josefina Maria da Trindade de alcunha Pressa finaiAmora de Cima - 123 (pessoas) 
Rua Direita - 58 
 
Trás das Hortas - 18 
 
Fonte da Prata - 31  
Beco do Baptista - 15  
Fonte de Cima - 49  
Beco da Fonte de Cima – 33 
Pátio do Manuel Paulo - 28  
Pátio do Quina - 19  
Bairro de São Francisco - 7  
Quinta do Braz - 1  
Lobatas - 138  
Rua d'Amoreira - 50  
Quinta da Atalaia - 6  
Quinta da Barroca - 4  
Quinta da  Palhaceira -  5  
Quinta  das Inglesinhas -   10  
Talaminho -  12 
Cheiraventos - 20  
Património - 1  
Cruz de Pau - 13  
Poço do Bispo - 46  
Charnequinha - 62  
Quinta de Vale da Loba - 24  
Quinta do Valongo - 1  
Quinta do Semião - 1  
Quinta do Conde - 1  
Sítio do Fetal - 1  
Moinho da Raposa – 2 
Quinta de Sua Alteza - 15  
Santa Marta - 30  
Quinta do Castelo - 3  
Quinta da Água - 1  
Quinta do Brasileiro - 1  
Moinho de Corroios - 7  
Quinta do Rouxinol – 2 
Quinta da Bomba - 5  
Quinta da Varegeira - 4  
Corroios - 18  
Quinta de São Nicolau - 9  
Quinta da Niza - 4  
Quinta do Alferes - 1  
Quinta da Mata - 1  
Quinta de Marialva - 4  
Vale de Milhaço - 41  
Quinta de São Pedro – 1 
Casa de Pau - 7. 

Nesta altura, embora se registem agregados familiares com sete a dez elementos e onde portanto o número de filhos seria elevado, a média de habitantes por casa é de cerca de quatro pessoas. Tal situação deve-se ao facto de em variadíssimas quintas apenas residir permanentemente uma pessoa, certamente o feitor ou o caseiro das mesmas. 

No que refere à ocupação das mulheres, e numa altura em que a industrialização local ainda não tinha qualquer significado, são muito poucas as referidas como tendo uma profissão, levando a pensar que a maioria ajudaria nos trabalhos agrícolas, para além de exercerem tarefas domésticas e relativas à educação de seus filhos. 

É importante referir que nestes números não se inclui uma população flutuante de trabalhadores rurais migrantes, oriundos

da Beira Litoral, os Caramelos ou Malteses", que trabalhavam periodicamente e à jorna, em muitas destas quintas. 

No ano de 1861, são citados no mesmo Rol dos Confessados, já referido anteriormente, 57 destes jornaleiros, o que por si só

constituía cerca de 25% da mão-de-obra masculina, a exercer atividade sazonal no território da freguesia. 

 

AS OCUPAÇÕES E OS OFÍCIOS PRATICADOS NESSE TEMPO 

Ainda segundo o "Rol dos Confessados da Paróquia de Nossa Senhora do Monte Sião", relativo ao ano de 1853, é possível verificar que, nessa época, cerca de três quartos das profissões dos habitantes da freguesia de Amora estavam relacionadas com as atividades rurais e agrícolas, inerentes às quintas então aqui existentes. 

 Nesta grande fatia incluíam-se essencialmente fazendeiros (em grande número), caseiros, trabalhadores rurais e ainda alguns cabreiros (pastores). 

Francisco de Almeida e Sa maritimo de Amora que faFrancisco de Almeida e Sa maritimo de Amora que fazia viagens para Africa finais do Sec. XIX (foto: Familia Pastora Lira)

Em número apreciável eram igualmente os marítimos, cerca de 17%, que trabalhavam a bordo das embarcações e efetuavam os transportes entre esta Margem Sul do Tejo e a Capital do Reino ou mesmo as rotas de África, Brasil e Oriente. 

Associada à exploração das lenhas existentes nas matas e nos matos, encontrava-se cerca de 8% da mão-de-obra ativa, exercendo estes trabalhadores como mateiros, carreiros (condutores de carretas de bois) ou carvoeiros. 

Ligados à pequena indústria e à construção civil são mencionados 1 tanoeiro (produtor de vasilhame para o vinho), 1 ferreiro (construtor de alfaias agrícolas e de ferramentas), 2 sapateiros (fabrico de calçado), 1 fogueteiro (Joaquim Santos, morador na Azinhaga das Vinhas), 3 pedreiros e 1 carpinteiro. 

Também no domínio dos serviços e do comércio, são mencionados vários cargos e atividades, onde se incluem 1 mestra de meninas (Maria Rosa, moradora no Pátio do Quina), 1 professor do ensino primário (António Porfírio de Sousa Valdez, morador no Beco da Fonte de Cima), 1 parteira (Francisca Maria, moradora na Rua Direita), 3 tendeiros (merceeiros), 1 barbeiro, 1 padeira e 1 sangrador (matador de animais), localizando-se todos eles essencialmente, em Amora de Baixo (Largo das Lobatas e Largo da Fonte da Prata), por excelência nesse tempo os grandes átrios de Amora. 

fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima