Os LOBATOS, AO LONGO DOS SÉCULOS, PROPRIETÁRIOS DA QUINTA E DO SOLAR DE CHEIRA-VENTOS
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Viria a ser grande a influência desta ilustre família dos Lobatos sobre a freguesia de Amora, pois aqui acabariam por permanecer, durante mais de quatrocentos anos, os descendentes de Pedro Eanes.
Embora vivessem a maior parte do tempo em Lisboa, aqui passavam grandes temporadas e influenciaram permanentemente o desenvolvimento da região, até pelos importantes cargos que desempenharam localmente ou pelos benefícios que concederam à freguesia e às suas gentes.
![Pedro Eanes Lobato - Ilustração de Alfredo Roque Pedro Eanes Lobato - Ilustração de Alfredo Roque]()
Como já foi referido anteriormente, foi por volta de 1393, que D. Nuno Álvares Pereira doou ao seu companheiro de armas e conselheiro em assuntos de guerra, Pedro Eanes Lobato, a propriedade de Cheira-Ventos, sita num dos morros proeminentes desta freguesia de Amora e de onde se usufruía, tal como hoje, de uma vista panorâmica grandiosa, sobre a então capital do reino.
Seria esta quinta conservada na família dos Lobatos ao longo de muitas gerações, podendo ter estado inclusivamente na origem de um pequeno núcleo populacional, a que se chamou Amora Velha.
A este respeito escreveu, em 1758, o vigário de Amora, Sebastião Roíz Rogado, em resposta ao "Inquérito Pombalino", o seguinte: "há mais, pertencentes a esta freguesia, três pequenos lugares, que ficam para a parte do poente e norte deste lugar, o primeiro se chama Cheira-Ventos, que antigamente se chamava Amora Velha. Então constava de muitos moradores, há mais de duzentos anos a esta parte está reduzido a quatro quintas com seus caseiros, e é tradição ser este lugar a primeira povoação desta freguesia, que deu o nome a este lugar de Amora."
E mais à frente escreve: "nesta freguesia há quatro ermidas, com porta para a rua, a primeira que se julga ser a mais antiga está no lugar de Cheira-Ventos, na Quinta de Domingos Lobato Quinteiro, com a invocação de S. João Baptista, foi fundada por seu bisavô, Simão Lobato Quinteiro, vinte anos antes da aclamação de El-rei D. João IV.
" Igualmente a respeito do culto associado à mesma ermida, refere ainda: "uma grande procissão, que em Domingo da quaresma, saía da ermida de S. João Baptista em Cheira-Ventos até esta igreja paroquial de Amora, havendo na extensão deste caminho os "Passos" precisos de pedra e cal..."
Igualmente a propósito da ligação da família dos Lobatos a Cheira-Ventos, diz-nos o Padre António Carvalho da Costa na sua Corografia Portuguesa de 1712:
"São estes Lobatos muito antigos, como se vê na nobiliarquia portuguesa e o morgado dos Lobatos (em Amora) possui hoje, João Lobato Quinteiro, desembargador da Relação do Porto e cavaleiro professo da Ordem de Cristo, filho de Francisco Lobato Quinteiro, cujos avós, sempre viveram no dito sítio e casaram com as principais famílias que houve na dita freguesia, (...) e têm os Lobatos a sua sepultura, com as suas armas, no meio da capela-mor da dita igreja de Amora."
Também o pároco de Arrentela, Manuel Vicitas de Macedo, em resposta ao "Inquérito Pombalino" de 1758, refere o seguinte:"...o lugar do Talaminho e Cheira-Ventos com várias fazendas, e a melhor do desembargador Domingos Lobato Quinteiro."
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Mas, para além da Quinta de Cheira-Ventos, onde atualmente já pouco se pode ver sobre o antigo Solar ou Paço dos Lobatos, o qual teria sofrido grande ruína no sismo de 1755, a mesma família e suas ramificações tiveram outras propriedades nesta freguesia de Amora.
É de referir que em Corroios, próximo da igreja de Nossa Senhora da Graça, ainda hoje existe a Quinta e a Rua dos Lobatos, tal como em Amora de Baixo, no local onde mais tarde se viria a instalar a fábrica de vidros, existiu uma quinta com o mesmo nome, como aliás também nos relata o Padre Luís Cardoso no seu Dicionário Geográfico, datado de 1736: "Amora, tem dois portos principais, um a que chamam Raposa e outro Carrasco, onde se carregam lenhas e madeiras que vêm para a corte. Tem mais os portos da Quinta dos Lobatos, da Prata, das Formosas, do Minhoto, Cabo da Marinha, Barroca e Talaminho."
E ainda, acerca do rio Judeu nos diz o vigário da paróquia de Amora, Sebastião Roiz Rogado, em 1758: "...no fim desta extensão, à mão esquerda da parte da nascente, fica o lugar e freguesia de Arrentela e à direita e poente a freguesia de Amora com os seus dois lugares, o da Fonte da Prata e o da Quinta dos Lobatos, na praia."
Já no ano de 1862, e segundo o "Rol dos Confessados da Paróquia de Nossa Senhora do Monte Sião", moravam em Cheira-Ventos apenas catorze pessoas e por outro lado no Largo das Lobatas, em Amora de Baixo, o significativo número de setenta e sete.
OS LOBATOS, NO TEMPO DAS "GUERRAS DA RESTAURAÇÃÓ"
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A distinta e antiga família dos Lobatos, que desde a primeira dinastia se evidenciou nas armas, nas letras e prestou serviços importantes ao reino, também no tempo das "Guerras da Restauração", (reinado de D. João IV e de D. Afonso VI) se destacou em muitos campos de Batalha.
Efetivamente, vários membros desta prestigiosa família, como nos refere igualmente o já citado "Inquérito Pombalino" do ano de 1758, relativo à freguesia de Amora, João Lobato Quinteiro, Domingos Lobato Quinteiro e Francisco Lobato Quinteiro, todos eles filhos de Simão Lobato Quinteiro, revelaram a sua bravura nestas guerras, também ditas da "Aclamação".
O primeiro como capitão de infantaria, na praça de Almeida, na província da Beira", o segundo foi "ouvidor de Beja e sempre se achou à ilharga de D. Dinis de Melo, primeiro Conde de Galveias, em todas as batalhas que este deu na província do Alentejo", tendo sido o terceiro "capitão de infantaria em Setúbal, no tempo das mesmas guerras."
Todos estes fidalgos, nascidos e batizados na freguesia de Amora, foram sepultados na igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, onde até meados do século XX e antes das obras de remodelação do referido templo, era possível ver as suas pedras tumulares com suas armas.
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Relativamente ao brasão da referida família, constam das suas armas três castelos de prata, em fundo vermelho, com bordadura de ouro carregada de oito lobos passantes de negro. O timbre é constituído também por um castelo de prata, sobrepujado de um lobo negro nascente.
fonte: "Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima
fotos: Google Maps