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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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Os Lobatos ao Longo dos Séculos

11.11.20, os amorenses
Os LOBATOS, AO LONGO DOS SÉCULOS, PROPRIETÁRIOS DA QUINTA E DO SOLAR DE CHEIRA-VENTOS
 

Paco dos Lobatos placa na porta de entrada imagem

Viria a ser grande a influência desta ilustre família dos Lobatos sobre a freguesia de Amora, pois aqui acabariam por permanecer, durante mais de quatrocentos anos, os descendentes de Pedro Eanes.

 
Embora vivessem a maior parte do tempo em Lisboa, aqui passavam grandes temporadas e influenciaram permanentemente o desenvolvimento da região, até pelos importantes cargos que desempenharam localmente ou pelos benefícios que concederam à freguesia e às suas gentes.
 

Pedro Eanes Lobato - Ilustração de Alfredo Roque

Como já foi referido anteriormente, foi por volta de 1393, que D. Nuno Álvares Pereira doou ao seu companheiro de armas e conselheiro em assuntos de guerra, Pedro Eanes Lobato, a propriedade de Cheira-Ventos, sita num dos morros proeminentes desta freguesia de Amora e de onde se usufruía, tal como hoje, de uma vista panorâmica grandiosa, sobre a então capital do reino.

Seria esta quinta conservada na família dos Lobatos ao longo de muitas gerações, podendo ter estado inclusivamente na origem de um pequeno núcleo populacional, a que se chamou Amora Velha.
 
A este respeito escreveu, em 1758, o vigário de Amora, Sebastião Roíz Rogado, em resposta ao "Inquérito Pombalino", o seguinte: "há mais, pertencentes a esta freguesia, três pequenos lugares, que ficam para a parte do poente e norte deste lugar, o primeiro se chama Cheira-Ventos, que antigamente se chamava Amora Velha. Então constava de muitos moradores, há mais de duzentos anos a esta parte está reduzido a quatro quintas com seus caseiros, e é tradição ser este lugar a primeira povoação desta freguesia, que deu o nome a este lugar de Amora."
E mais à frente escreve: "nesta freguesia há quatro ermidas, com porta para a rua, a primeira que se julga ser a mais antiga está no lugar de Cheira-Ventos, na Quinta de Domingos Lobato Quinteiro, com a invocação de S. João Baptista, foi fundada por seu bisavô, Simão Lobato Quinteiro, vinte anos antes da aclamação de El-rei D. João IV.
 
" Igualmente a respeito do culto associado à mesma ermida, refere ainda: "uma grande procissão, que em Domingo da quaresma, saía da ermida de S. João Baptista em Cheira-Ventos até esta igreja paroquial de Amora, havendo na extensão deste caminho os "Passos" precisos de pedra e cal..."
Igualmente a propósito da ligação da família dos Lobatos a Cheira-Ventos, diz-nos o Padre António Carvalho da Costa na sua Corografia Portuguesa de 1712:
 
"São estes Lobatos muito antigos, como se vê na nobiliarquia portuguesa e o morgado dos Lobatos (em Amora) possui hoje, João Lobato Quinteiro, desembargador da Relação do Porto e cavaleiro professo da Ordem de Cristo, filho de Francisco Lobato Quinteiro, cujos avós, sempre viveram no dito sítio e casaram com as principais famílias que houve na dita freguesia, (...) e têm os Lobatos a sua sepultura, com as suas armas, no meio da capela-mor da dita igreja de Amora."
 
Também o pároco de Arrentela, Manuel Vicitas de Macedo, em resposta ao "Inquérito Pombalino" de 1758, refere o seguinte:"...o lugar do Talaminho e Cheira-Ventos com várias fazendas, e a melhor do desembargador Domingos Lobato Quinteiro."
 

Rua dos Lobatos.jpg

Mas, para além da Quinta de Cheira-Ventos, onde atualmente já pouco se pode ver sobre o antigo Solar ou Paço dos Lobatos, o qual teria sofrido grande ruína no sismo de 1755, a mesma família e suas ramificações tiveram outras propriedades nesta freguesia de Amora.

 
É de referir que em Corroios, próximo da igreja de Nossa Senhora da Graça, ainda hoje existe a Quinta e a Rua dos Lobatos, tal como em Amora de Baixo, no local onde mais tarde se viria a instalar a fábrica de vidros, existiu uma quinta com o mesmo nome, como aliás também nos relata o Padre Luís Cardoso no seu Dicionário Geográfico, datado de 1736: "Amora, tem dois portos principais, um a que chamam Raposa e outro Carrasco, onde se carregam lenhas e madeiras que vêm para a corte. Tem mais os portos da Quinta dos Lobatos, da Prata, das Formosas, do Minhoto, Cabo da Marinha, Barroca e Talaminho."
 
E ainda, acerca do rio Judeu nos diz o vigário da paróquia de Amora, Sebastião Roiz Rogado, em 1758: "...no fim desta extensão, à mão esquerda da parte da nascente, fica o lugar e freguesia de Arrentela e à direita e poente a freguesia de Amora com os seus dois lugares, o da Fonte da Prata e o da Quinta dos Lobatos, na praia."
 
Já no ano de 1862, e segundo o "Rol dos Confessados da Paróquia de Nossa Senhora do Monte Sião", moravam em Cheira-Ventos apenas catorze pessoas e por outro lado no Largo das Lobatas, em Amora de Baixo, o significativo número de setenta e sete.
 
OS LOBATOS, NO TEMPO DAS "GUERRAS DA RESTAURAÇÃÓ"
 

Placa da Rua dos Lobatos, Amora.jpg

A distinta e antiga família dos Lobatos, que desde a primeira dinastia se evidenciou nas armas, nas letras e prestou serviços importantes ao reino, também no tempo das "Guerras da Restauração", (reinado de D. João IV e de D. Afonso VI) se destacou em muitos campos de Batalha.

 
Efetivamente, vários membros desta prestigiosa família, como nos refere igualmente o já citado "Inquérito Pombalino" do ano de 1758, relativo à freguesia de Amora, João Lobato Quinteiro, Domingos Lobato Quinteiro e Francisco Lobato Quinteiro, todos eles filhos de Simão Lobato Quinteiro, revelaram a sua bravura nestas guerras, também ditas da "Aclamação".
O primeiro como capitão de infantaria, na praça de Almeida, na província da Beira", o segundo foi "ouvidor de Beja e sempre se achou à ilharga de D. Dinis de Melo, primeiro Conde de Galveias, em todas as batalhas que este deu na província do Alentejo", tendo sido o terceiro "capitão de infantaria em Setúbal, no tempo das mesmas guerras."
 
Todos estes fidalgos, nascidos e batizados na freguesia de Amora, foram sepultados na igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, onde até meados do século XX e antes das obras de remodelação do referido templo, era possível ver as suas pedras tumulares com suas armas.
 

Brasao dos Lobatos.jpg

 

Relativamente ao brasão da referida família, constam das suas armas três castelos de prata, em fundo vermelho, com bordadura de ouro carregada de oito lobos passantes de negro. O timbre é constituído também por um castelo de prata, sobrepujado de um lobo negro nascente.

 
 
 
fonte: "Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima
fotos: Google Maps