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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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Os Lobatos uma das mais antigas Familias de Amora

11.11.20, os amorenses
PEDRO EANES LOBATO, O COMPANHEIRO DE ARMAS DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA

Pedro Eanes Lobato - Ilustração de Alfredo Roque

Como é sabido, Pedro Eanes Lobato é hoje nome próprio de uma das maiores Escolas Básicas do 2. ° e 3. ° ciclos da cidade de Amora.

É sobre esta grande figura histórica, seus descendentes e sua ligação a estas terras da freguesia de Amora que nos iremos seguidamente debruçar.
Tudo leva a crer que o apelido Lobato, de origem galega, tenha entrado em Portugal ainda durante a primeira dinastia, ao que parece na pessoa de Vasco Lobato.
 
A este ramo da família dos Lobatos, do qual já existem referências nas Inquirições de 1258, reinado de D. Afonso III, veio a pertencer Pedro Eanes Lobato, oriundo de ascendentes, que serviram na casa e de D. Pedro I (efetivamente, no casamento do rei D. Pedro I com D. Inês de Castro é referido Estêvão Lobato, como testemunha do referido ato).
 

- Pedro Eanes Lobato - Ilustração de Alfredo Roque Gameiro no livro História de Portugal, popular e ilustrada, por Manuel Pinheiro Chagas

 

Brasao dos Lobatos.jpg

Mas voltemos a Pedro Eanes Lobato, fidalgo distinto ligado a estas Terras de Amora, que se viria a destacar na crise de 1383-1385, onde tomou o partido de D. João I e participou nas campanhas militares de D. Nuno Álvares Pereira.

Foi armado cavaleiro no tempo da batalha de Aljubarrota, fez inclusivamente parte do conselho de guerra do Condestável e esteve em quase todas as empresas militares, levadas a cabo pela dinastia de Avis.
 
Brasão de Armas dos Lobatos - fonte: geneall.net
Relativamente ao brasão da referida família, constam das suas armas três castelos de prata, em fundo vermelho, com bordadura de ouro carregada de oito lobos passantes de negro. O timbre é constituído também por um castelo de prata, sobrepujado de um lobo negro nascente.
 
Diz-nos o Padre António Carvalho da Costa, na sua Corografia de Portugal, datada de 1712, que, "na Crónica de D. João I, em vários capítulos, são nomeados, porque esforçados e nobilíssimos, os cavaleiros Pedro Eanes Lobato e João Lobato (seu parente), que com o conde Nuno Álvares Pereira andavam nas guerras daquele tempo e havendo-se nelas com conhecido valor, ocuparam gravíssimos postos, de que, na dita crónica, se faz menção."
 
Mais tarde, Pedro Eanes Lobato participaria igualmente na própria expedição a Ceuta, como comandante de uma das naus da armada real portuguesa. Por ser amigo de armas, e como recompensa da sua carreira militar, D. Nuno Álvares Pereira doa-lhe, por volta do ano de 1393, os direitos da vila de Almada e a Quinta de Cheira-Ventos, em Amora.
 
Por sua vez, D. João I nomeia-o vedor da fazenda e regedor da "casa do cível", atribuindo-lhe o rendimento dos banhos da cidade de Lisboa e os direitos da respectiva romaria.
 
Já no tempo de D. Duarte são-lhe confirmados os supra referidos cargos e é designado como membro do Conselho do Rei, tendo nessa qualidade emitido parecer sobre a expedição de Tânger e chefiado uma embaixada a Castela.
 
Nas Cortes de Torres Novas, no ano de 1439, é eleito membro do conselho da rainha D. Leonor de Aragão. Alguns anos mais tarde, o facto de a mesma rainha ter sido afastada do governo, pela contenda relativa à tutela do jovem rei D. Afonso V, levou também a que Pedro Eanes Lobato fosse forçado a abandonar o lugar de regedor da "Casa do Cível" e caísse em desfavor na Corte.
 
Acabaria por morrer, poucos anos depois, em 1442, sendo sepultado na igreja de S. Mamede, em Lisboa, na capela do Espírito Santo, aforada em três vidas a mestre Joane, criado do Infante D. Fernando.
 
O seu túmulo, onde igualmente foi sepultada sua mulher Catarina Annes, viria a sofrer os efeitos devastadores dos desmoronamentos e dos incêndios relativos ao grande terramoto de 1755.
 

Paco dos Lobatos imagem aerea de Amora Velha e Che

Paco dos Lobatos imagem do ano de 2009.jpg

Paco dos Lobatos porta de entrada imagem do ano de

fotos: Google Earth 2009

Fonte: “Memórias e Vivencias D’Outrora” do Prof. Manuel Lima

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