Os Milagres de N.S. do Monte Sião
11.11.20, os amorenses
Os Milagres de N.S. do Monte Sião

A Senhora do Monte Sião era conhecida pelos milagres que fazia.
Conta Frei Agostinho de Santa Maria que a sua fama se espalhava não só nos povoados da região, mas até na Corte unindo os devotos, sem diferença de estrato social: os fiéis agradeciam à Virgem uma graça, outros cumpriam uma promessa para redimir doenças e outros azares da vida. Os ex-votos ilustravam o agradecimento pelos milagres mais espetaculares – o escapar ileso de um naufrágio, por exemplo-.
Figuras de cera simbolizando as promessas e, mortalhas que alguns dos fiéis “atendidos” depositavam e que cobriam as paredes da igreja e da capela. Aliás, em agradecimento pelas graças concedidas os devotos mais abastados podiam mesmo fazer melhoramento na igreja ou, na capela mor.
Frei Agostinho de Santa Maria relata, no inicio do séc. XVIII, alguns dos milagres atribuídos a Nossa Senhora de Monte Sião:
“Os País de D. Marcos de Noronha viviam com grande desconsolação de não terem filhos, em que se conservasse a sucessão da sua casa. Tinham esses fidalgos grande devoção com a Senhora do Monte Sião, & fizeram-lhe, com muyta fé uma novena […] Acabada a novena, reconheceu a mãe de D. Marcos, que a Senhora lhe havia despachado a sua petição, & assim ", (quando depois de muytos annos de esterilidade se achava sem esperanças de filhos) lhe deu Deus pelos merecimentos de sua Santíssima Mãe, aos nove mezes depois da Novena, a seu filho D. Marcos.
Ele fidalgo, que foy bem conhecido na Corte, era muyto pio, & virtuoso, & como filho de orações, & da protecção da Rainha dos Anjos, teve sempre grande devoção para com ella, como que se reconhecia filho seu. Seus país enquanto viveram foram Juízes perpétuos da Senhora, & lhe solenizavam com muyta grandeza a sua festa.
O mesmo continuou seu filho D. Marcos, por morte de seus país. E depois morrendo o mesmo D. Marcos, se mandou enterrar na Capela da Senhora, aonde se vê a sua sepultura, com um epitáfio, em que se referem os postos, & occupações que teve neste Reyno.[…]”
Não há muytos annos, que sucedeu naquela freguesia matarem de noite a um homem principal daquelle lugar, chamado Jeronymo Gomes do Amaral; & porque se não soube quem fosse o matador, culpavam a Sebastião da Gama Lobo, por haver tido com ele algumas razões, havia tempos. E como neste crime estava innocente o Sebastião da Gama, recorreu a nossa Senhora do Monte Sião, & fez-lhe uma novena, pedindo-lhe fosse servida de interceder por elle a seu Santíssimo Filho, para que se conhecesse a sua innocencia. No fim da novena, foi um homem a sua casa, que tinha sido com-parte, ou assistido àquelle delito, o qual lhe declarou quem fora o matador; & que o matara de noite, sem o querer fazer; & declarado o agressor, ficou livre, & tão agradecido a nossa Senhora, que despendeu nas obras da sua Capella largas esmolas.
E também fez voto à Senhora de tomar estado de casado, no mesmo tempo da novena; (porque ainda era solteiro) o que cumpriu; de que teve um filho, que quis fosse bautizado na pia da Casa da mesma Senhora, ainda que era freguez da Parochia de Arrentela, por entender que aquelle filho fora prenda, que a Senhora lhe dera.”