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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

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Os Transportes em Amora no início do Seculo XX (2)

07.11.20, os amorenses
Os Transportes em Amora no início do Seculo XX (2)
 
Quarta Feira, 19 de Agosto de 2020
 

Transportes em Camioneta.jpg

OS TRANSPORTES FLUVIAIS NAS ÁGUAS DO RIO JUDEU

Desde a Idade Média que pequenos portos existentes na zona ribeirinha do rio Judeu serviram as populações de Amora, nas suas deslocações, quer à capital do reino, quer a outras povoações ribeirinhas desta Margem Sul do Tejo.
Segundo memórias de 1736 do padre Luís Cardoso, Dicionário Geográfico, a freguesia de Amora tinha, nesse tempo, "dois portos principais, um a que chamam Raposa e outro Carrasco, onde se carregam lenhas e madeiras, que vêm para a corte.
Tem mais os portos da quinta dos Lobatos, da Prata, das Formosas, do Minhoto, do Cabo da Marinha, Barroca e Talaminho."
Com a industrialização de finais do século XIX e século XX, surgiram ainda outros portos, como foi o caso do cais em madeira, que serviu inicialmente a moagem a vapor, de José Gomes, onde chegava o trigo e saía a farinha, os cais do carvão e das garrafas da "Fábrica dos Vidros" ou os três cais, relativos às instalações corticeiras da "Mundet e Cª. Lda."
Nas primeiras décadas do século XX, quando os habitantes da Amora se queriam deslocar ao Seixal, muitas vezes para irem ao médico, outras aos serviços administrativos do concelho ou mesmo de passagem a caminho de Lisboa, utilizavam pequenas lanchas a remos ou então canoas, pagando o serviço a quem o prestava.
 
Durante muitos anos, o cais de Trás-das-Hortas, onde existia um passadiço feito com as mós da própria moagem de José "Gomes, foi um dos mais utilizados para pequenos serviços.
Diz-nos Pastora Lira que, muitas vezes, as pessoas que se deslocavam aí para apanhar as lanchas escorregavam, pois muitas das mós, assentes sobre as lamas, ficavam cobertas pela maré na preia-mar e estavam cheias de limos. Já muito recentemente esta rampa das mós foi coberta de betão, não sendo já possível visualizar as mesmas.
Um dos barcos mais antigos, quer no transporte de mercadorias, quer de passageiros, de que há memória, era a canoa do "Isidoro". Tinha sistema de velas, mas também podia ser movida a remos. Trazia as mercadorias, oriundas de Lisboa, para os estabelecimentos de Amora e no regresso à capital, com escala no Seixal, transportava pessoas, normalmente umas dez, ficando longe de completar a sua capacidade de lotação.
Mais tarde, surgiu o bote de fragata "Crocodilo", pertencente a Joaquim Ferreira, mais conhecido por "Joaquim da Isabel".
 
Também em meados do século passado, atracava no cais de Amora, junto à taberna do Papagaio, a canoa de Leopoldo "Palhinhas". Esta embarcação trazia de Lisboa particularmente os vimes (palhinhas) para a empalhação da família Trindade, assim como farinhas para as padarias.
De volta, já de partida, levava as pólvoras produzidas na fábrica da SPEL, primitivamente, situada no Cabo da Marinha.
O posto da Guarda-Fiscal, que foi instalado no lugar da Fonte da Prata, por volta de 1939, controlava o movimento fluvial, evitando, segundo os mais antigos, o contrabando de farinhas e de outros artigos, na altura da Segunda Guerra Mundial.
No Seixal, já no princípio do século XX, existia uma empresa de vapores, que fazia carreiras fluviais, entre a sede do município e Lisboa, designada por "Empresa de Transportes Seixalense, Lda.".

Do Seixal para Lisboa, estes barcos a vapor faziam apenas quatro viagens por dia, às seguintes horas: (6.15); (8.45); (12.30); (17.00).
 
fontes: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima
foto: Biblioteca Nacional de Portugal - O Catraeiro