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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

Quinta da Princesa e Infanta (2)

10.11.20, os amorenses
Quinta da Princesa e Infanta (2)
 
 

Quinta da Princesa e Infanta 4 ecomuseu.jpg

Enquanto pertença do Infante, a quinta foi palco de um conjunto de alterações.

D. Augusto trouxe grande dinâmica à quinta, uma vez que mandou plantar vinhas e pinhais, ajardinou a área envolvente aos edifícios de habitação, adquiriu gado, estabeleceu uma coudelaria, mandou abrir poços e secar pântanos, etc. 1 Até a produção de vinho da quinta, que tinha sido profundamente afetada com as pragas, voltou novamente a ganhar alguma relevância. A antiga producção de vinho era apenas de oito pipas, e D. Augusto conseguiu elevar esse numero a sessenta. 2 A quinta durante o século XIX foi muito frequentada pela família real e outros membros da corte, que procuravam aqui o refúgio de Lisboa, enquanto espaço de recreio e vilegiatura. A família real, para além da sua ligação às quintas de Amora, era detentora da “Quinta Real do Alfeite” 3 . A Quinta da Princesa e Infanta era provida de um pequeno porto, o que permitia a ligação direta à capital. Em 1920 a propriedade estava arrendada a Manuel Luiz de Carvalho, “incutindo-lhe grande dinamismo rural no cultivo de cereais e leguminosas, na produção de vinho e de azeite.”4 Em 1942 a quinta é adquirida pelo Eng.º Francisco José Anjos Ribeiro Ferreira, marido de D. Ana de Jesus Maria de Figueiredo Cabral da Camara, descendente da Infanta D. Ana de Jesus Maria de Bragança.

 
Eng. Francisco Ferreira e Dna Ana de Jesus de Braganca e Familia- Credicto da foto - Manuel Lima
Estes proprietários fundaram na quinta a “Sociedade Agrícola da Quinta da Princesa”, onde promoveram um conjunto de produções diversificadas, como a vinha, o olival, os citrinos, os cereais, as hortícolas, entre outros, preservando a identidade rural desta paisagem. 5 A pedido de D. Ana de Jesus, foram também realizadas obras, acréscimos e reconstruções na quinta, que ficaram sob projeto do Arquiteto Raúl Lino.6 Na quinta identificámos algumas intervenções que remetem para essa altura, pelos materiais utilizados.
 
1 Cf. Esteves Pereira, Guilherme Rodrigues, Portugal, Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Vol. I, Lisboa, João Romano Torres, 1904, pp.454-455.
2 Ibidem, p.455.
3 Vide Vol. ll, Quadro I, pp.63-64.
4 Cf. Rui Mendes, “A Sul do Esteiro: Três Sítios e Quintas Históricas entre Corroios e Amora: Do Castelo em Corroios, Da Princesa no Rocio da Amora e D Paço do Infante em Cheira-Ventos”, in Atas 1º Encontro Sobre Património de Almada e Seixal, Almada, Centro de Arqueologia de Almada, 2013, p.21; Cf. Manuel Lima, Corroios Minha Terra co(m a)rroios, s.l., Plátano, 2001, p.70.
5 Ibidem, p.71.
6 Durante a realização do estágio não conseguimos encontrar os documentos, memórias descritivas e plantas, associados a esse projeto, pelo que não nos foi possível fazer abordagens mais aprofundadas à intervenção do Arquiteto Raul Lino
 
fotos:ecomuseu municipal