SFOA - Inicio, Fundação e Sede (2)
SFOA - O INICIO, A FUNDAÇÃO E A PRIMEIRA SEDE (2)

É NA VONTADE DOS OPERÁRIOS VIDREIROS NO ANO DE 1898 QUE TUDO COMECA - foto ecomuseu municipal
Foi a 28 de junho de 1898 que, na "Companhia da Fábrica de Vidros de Amora", que se fundou aquela que inicialmente foi designada por "Sociedade Filarmónica dos Operários da Fábrica de Garrafas de Amora".

foto ecomuseu municipal
Entre outros, terá sido um dos seus grandes impulsionadores José Lourenço da Silva Gomes, também ele fundador e diretor geral da própria fábrica.
Nesse tempo, foi tão grande o entusiasmo, que, inclusivamente, alguns dos operários executantes fizeram sacrifício para comprar o seu instrumento musical.
Igualmente parece ter sido peça fulcral no arranque desta "Sociedade Filarmónica" um engenheiro inglês, técnico da fábrica, amante e conhecedor de música, o qual não só teria entusiasmado os operários para a nobre causa como teria também sido o primeiro mestre executante, da então embrionária filarmónica.
A primeira sede provisória e local de ensaios situava-se nas instalações da própria fábrica, numa divisão a que chamavam "pombal", sendo nessa altura os ensaios feitos à luz de gasómetros de carbureto.
No princípio do século XX, na sequência de várias crises na indústria vidreira e com o fecho temporário da referida fábrica, refletia a "Sociedade Filarmónica" o pulsar da difícil vida operária.
Efetivamente, nos primeiros anos da sua existência, muitos foram os períodos conturbados vividos por esta "Sociedade Filarmónica", em função das greves e das lutas operárias, como aquela que se registou em 1902.
Já em 1904, com o aparecimento de novas instalações associadas à expansão da referida indústria, surge um novo período de prosperidade para a coletividade, que, em 1905, aluga a sua primeira sede própria ao senhor Guilherme Gomes Duarte, localizada na avenida marginal e, em 1907, constrói um coreto, para as suas atuações, com

Sr. Guilherme Gomes Duarte
dinheiros conseguidos por subscrição pública.
Alguns anos mais tarde (?), o nome da coletividade, "Sociedade Filarmónica da Fábrica de Garrafas de Amora", foi posto em causa por alguns associados, não garrafeiros, que exerciam diversificadas profissões, entre eles trabalhadores rurais, marítimos, pequenos comerciantes e proprietários.
Foi então que Manuel Luís de Carvalho, administrador do concelho, morador em Amora e ligado à Sociedade, proporia para a mesma, junto dos meios políticos da época, o nome que chegaria até aos nossos dias, "Sociedade Filarmónica Operária Amorense".

Manuel Luis de Carvalho
Já em 1916, no decorrer da Primeira Grande Guerra e com a saída dos alemães da fábrica, nova crise se instalou na indústria vidreira e consequentemente na Filarmónica, cujos corpos gerentes ficaram reduzidos a um vogal. Neste período crítico, e por falta de verbas, a Sociedade ficou com seis meses de renda em atraso, tendo, inclusivamente, o senhorio do prédio ameaçado com a penhorado património.

Libânio dos Santos
Nesta época, valeu à Sociedade o então vogal de nome Libânio dos Santos, que reorganizou o grupo dramático da coletividade, orientado pelo senhor Manuel Rodrigues Monteiro, levando à cena dois espetáculos, com os quais se conseguiram os fundos para pagar as rendas em atraso.
Já em 1926, encerraria definitivamente a fábrica de garrafas, tendo muitos dos operários vidreiros migrado para outras terras do país, onde se exercia a mesma indústria, nomeadamente, Porto, Figueira da Foz e Marinha Grande. Nesta altura a "Sociedade Filarmónica" entraria em crise, mais uma vez.
Aos poucos, vieram a ser as indústrias corticeiras, entretanto instaladas na freguesia de Amora, a "Mundet & C". Lda." (1920) e os "Produtos Corticeiros Portugueses, Lda." (1935), que, com seus operários, daria novo alento a uma Associação, que se haveria de tornar centenária.
Sobre a primeira sede, situada na Avenida Marginal Silva Gomes, conta-nos Joaquim "Jota" que a mesma se localizava num 1° andar, por cima da mercearia do senhor João Padeiro.
A entrada para a velha sede era feita por um corredor, que dava acesso a um pátio nas traseiras do prédio e para a qual se subia por umas escadas de madeira. Neste primeiro andar, havia à esquerda de quem entrava um pequeno bar e à direita o gabinete da Direção, tudo o resto era uma grande sala, provida de palco, onde todas as atividades decorriam, tais como os concertos de música e as encenações de teatro.
Neste auditório, muitos amorenses iam também ouvir os ensaios da banda, que se faziam duas vezes por semana, sendo igualmente aqui que se promoviam bailes, sobretudo ao domingo e épocas festivas, como por exemplo no "Ano Novo", "Carnaval", "Santos Populares" e "Primavera".

Primeira Sede da Sociedade Filarmónica Operaria Amorense
No baile da "Primavera", a Sociedade era enfeitada com flores, sendo as damas presenteadas com malmequeres campestres, flores de tremocilha ou papoilas.
Na fachada desta primitiva sede havia uma varanda corrida com três mastros, onde se içavam, entre outras, nos dias festivos e aos fins-de-semana, as bandeiras Nacional,
da Câmara Municipal e da Sociedade Filarmónica Operaria Amorense.
Fonte: "Amora Memorias e Vivencias d'Outrora" do Prof. Manuel Lima
